Letras · Salmos
A voz do meu choro
Salmos 6:1-10
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Não me repreendas no calor da tua ira;
Não me corrijas com furor consumidor.
Tem misericórdia, estou enfraquecido;
Meus ossos tremem, minha alma sente dor.
Até quando, Senhor, até quando?
Volta e vem me libertar.
Salva-me, não porque a força em mim mereça,
Mas por tua misericórdia sem cessar.
Noite após noite meu leito se inunda;
Meus olhos se apagam de tanto sofrer.
Na sepultura não cantarei teu nome;
Resgata-me enquanto ainda posso viver.
Afastem-se de mim, os que praticam o mal;
O Senhor ouviu a voz do meu chorar.
Recebeu a oração que eu mal conseguia;
Meus inimigos voltarão envergonhados.
“Até quando” foi um clamor respondido.
A misericórdia veio quando a força terminou.
O Senhor ouviu a voz do meu choro;
O Senhor recebeu o meu clamor.
Sobre a passagem
Salmos 6: A oração ouvida através das lágrimas
O Salmo 6 dá corpo à angústia. A fraqueza alcança ossos, alma, olhos e a própria cama, enquanto o falante pede misericórdia sem fornecer um diagnóstico nem nomear um pecado específico. O apelo "até quando?" mede a duração em vez de oferecer uma explicação. A morte é temida em parte porque silenciaria a voz viva da ação de graças, tornando o resgate inseparável do louvor. Depois o poema muda de tom sem relatar cura, mensageiro ou circunstância alterada. O SENHOR ouviu a voz do choro, e essa certeza basta para que o falante se volte aos seus inimigos com nova confiança. O Livro dos Salmos deixa o mecanismo exterior sem declaração e situa a mudança decisiva numa atenção divina recebida como certa.
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