Personagens da Bíblia

João

Nunca se nomeia no próprio evangelho, e em vez disso se chama o discípulo a quem Jesus amava.

Também chamado O discípulo amado

João é o filho mais novo de Zebedeu e um dos três íntimos. Nos outros evangelhos é um filho do trovão que quer fogo descendo sobre uma aldeia e quer o melhor lugar no reino. No próprio livro nunca é nomeado, e aparece só como o discípulo a quem Jesus amava: reclinado sobre ele na ceia, de pé junto à cruz, correndo mais que Pedro ao túmulo, e reconhecendo-o de um barco. Recebe da cruz o cuidado de Maria, e a leva para casa naquela mesma hora.

Onde apareceMateus 4 · Mateus 17 · Marcos 9 a 10 · João 13 · João 19 a 21

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João

Os movimentos, na ordem em que o texto os dá.

O relato de João

  1. 01

    Marcos 9:38-40

    Nós lho proibimos

    Relata ter impedido um homem de expulsar demônios naquele nome porque não era dos nossos. A resposta é que quem não é contra nós é por nós.

    João repete duas vezes o mesmo motivo: aquele homem não acompanha o grupo. A objeção não é que o exorcismo tenha falhado nem que o nome de Jesus tenha sido insultado. O homem realiza a obra, mas está fora do círculo reconhecido. Pouco antes, neste mesmo capítulo, os discípulos não conseguiram expulsar um espírito. Agora João informa que impediram alguém que consegue. O contraste já tem força; dispensa uma piada acrescentada.

    Jesus devolve a questão ao seu próprio nome. Uma obra verdadeiramente realizada nesse nome não deve ser tratada como oposição só porque seu agente não faz parte do grupo que viaja com os discípulos. A resposta é específica, não uma declaração de que toda afirmação religiosa seja igualmente verdadeira. Este homem age em nome de Jesus, e João não apresenta acusação alguma além da companhia da qual ele não participa. A correção combina com a discussão anterior sobre quem seria o maior: os discípulos ainda estão aprendendo que ser escolhido não significa ser dono de tudo o que o Mestre faz.

    Versículo por versículo

    1. 9:38

      A tentativa frustrada de expulsar um espírito aparece em Marcos 9:18,28. Essa posição acentua o contraste com o homem de fora que obtém êxito.

    2. 9:39

      O grego tachu, traduzido por logo depois, tem o sentido de prontamente. Jesus destaca a incoerência de realizar essa obra e imediatamente falar mal dele.

    3. 9:40

      Lucas 11:23 trata da oposição a Jesus em outra discussão. Nenhuma das declarações deve ser separada da conduta em questão.

    Marcos 9:38-40

    Bíblia Portuguesa Mundial · 3 versículos

    9:38João lhe disse: “Mestre, vimos alguém que não nos segue expulsando demônios em teu nome; e nós o proibimos, porque ele não nos segue.”

    9:39Mas Jesus disse: “Não o proíbam, pois não há ninguém que faça um milagre em meu nome e possa logo depois falar mal de mim.

    9:40Pois quem não é contra nós é por nós.

    Marcos 9:38-40: Nós lho proibimos
  2. 02

    João 13:23-25

    Reclinado sobre o peito de Jesus

    Na ceia Pedro lhe acena para que pergunte quem é o traidor, porque ele está mais perto. Ele se reclina e pergunta baixinho, e recebe uma resposta que mais ninguém à mesa entende.

    Pedro tem uma pergunta, mas a encaminha pelo discípulo que está perto o bastante para falar com Jesus. Até naquela mesa, a proximidade conta. O termo traduzido como reclinado descreve a postura durante uma refeição, não as cadeiras e costas eretas de muitas pinturas. O movimento em direção ao peito de Jesus pertence a essa disposição. O Evangelho de João registra uma pequena troca física: um sinal, uma mudança de posição, uma pergunta entre discípulos perplexos.

    A expressão que identifica o discípulo importa mais do que o lugar à mesa. A quem Jesus amava aponta para aquilo que Jesus oferece, não para uma conquista do discípulo. Não significa que Jesus não amasse os demais; o capítulo já falou de seu amor pelos seus. Aqui, a frase distingue uma testemunha específica sem fornecer seu nome. A tradição cristã a identifica como João. A passagem, por sua vez, mantém a identificação no campo da relação com Jesus. A proximidade permite perguntar, mas não garante a resposta de antemão. Ele ainda precisa que Jesus explique a traição. Estar perto e saber tudo são, pelo visto, coisas diferentes.

    Versículo por versículo

    1. 13:23

      O discípulo amado não recebe nome aqui. Irineu identifica o discípulo reclinado junto de Jesus como João em Contra as heresias 3.1.1.

    2. 13:24

      Pedro inicia a pergunta por meio de um gesto. O versículo não explica sua posição exata à mesa.

    3. 13:25

      A pergunta se refere ao traidor anunciado em João 13:21. Os versículos ao redor mostram que os demais à mesa continuam confusos.

    João 13:23-25

    Bíblia Portuguesa Mundial · 3 versículos

    13:23Um dos seus discípulos, a quem Jesus amava, estava à mesa, reclinado no peito de Jesus.

    13:24Simão Pedro, portanto, fez-lhe um sinal e disse-lhe: “Diga-nos quem é aquele de quem ele fala.”

    13:25Ele, reclinando-se, assim como estava, no peito de Jesus, perguntou-lhe: “Senhor, quem é?”

    João 13:23-25: Reclinado sobre o peito de Jesus
  3. 03

    João 19:26-27

    Eis aí tua mãe

    Está de pé junto à cruz com as mulheres. Desde aquela hora a mãe de Jesus vai morar na casa dele, que é o único arranjo doméstico feito de uma cruz.

    O discípulo recebe uma mãe, não um título comemorativo. Essa é a força da última oração: desde aquela hora, ele a recebe em sua própria casa. As palavras de Jesus estabelecem uma responsabilidade concreta de cuidado. O Evangelho de João não interrompe a cena para descrever a residência, indicar seu endereço ou informar por quantos anos o arranjo durou. Seu interesse está na relação entre as palavras pronunciadas na cruz e a responsabilidade aceita imediatamente abaixo dela.

    As duas pessoas são identificadas pela relação com Jesus: sua mãe e o discípulo a quem ele amava. Esses vínculos existentes se tornam um novo vínculo entre elas. A cena é terna sem acrescentar discursos de luto que o texto não registra. Ao redor, soldados repartem roupas e Jesus fala de sua sede; nesse ambiente de despojamento e brutalidade, um lar está sendo providenciado. A interpretação que percebe uma imagem maior da família formada ao redor de Jesus pode se apoiar nesse padrão, mas o ato concreto não deve desaparecer no simbolismo. Uma mulher precisa de cuidado. Um discípulo a recebe. A cruz não torna essa necessidade pequena demais para ser notada.

    Versículo por versículo

    1. 19:26

      Jesus também chama sua mãe de "Mulher" em João 2:4. Essa forma de tratamento não é, por si só, um insulto.

    2. 19:27

      "Desde aquela hora" torna imediata a resposta. O versículo não informa a localização da casa.

    3. 19:27

      João 7:5 diz que os irmãos de Jesus ainda não criam nele, mas esta passagem não apresenta explicitamente esse dado como motivo do arranjo.

    João 19:26-27

    Bíblia Portuguesa Mundial · 2 versículos

    19:26Quando Jesus, pois, viu sua mãe e o discípulo a quem ele amava em pé ali, disse a sua mãe: “Mulher, eis aí o seu filho!”

    19:27Depois disse ao discípulo: “Eis aí a sua mãe!” E daquela hora em diante, o discípulo a levou para a sua própria casa.

    João 19:26-27: Eis aí tua mãe
  4. 04

    João 20:1-8

    Correu mais depressa que Pedro

    Dois homens correndo a um túmulo no escuro. Chega primeiro e para na entrada e olha para dentro. Pedro passa direto e entra, e depois ele entra e crê.

    O Evangelho registra com surpreendente precisão quem chegou primeiro ao sepulcro, mas se recusa a confundir velocidade com entendimento. O outro discípulo vence a corrida; Pedro atravessa primeiro a entrada. Nenhuma dessas ações é ainda o ponto principal. A frase decisiva vem depois que o outro discípulo também entra: viu, e creu. Pernas, olhos e fé não chegam todos juntos.

    O que permanece no sepulcro importa tanto quanto o que falta. Maria informou que retiraram o corpo, mas os lençóis e o pano da cabeça, colocado à parte, pedem atenção. A passagem não descreve ladrões, um corpo atravessando tecido ou um recado secreto num guardanapo dobrado. Isso tudo seria acrescentado ao texto. Ela registra o que os homens veem e a reação de um deles. O versículo seguinte acrescenta que ainda não compreendiam a Escritura sobre a ressurreição. Por isso, alguns entendem creu como aceitação do relato de Maria; outros, de modo mais natural dentro da ênfase do Evangelho na fé, veem um reconhecimento inicial da ressurreição. De qualquer maneira, o texto distingue uma resposta à evidência de uma compreensão completa da Escritura. A testemunha não finge que tudo ficou claro de uma vez.

    Versículo por versículo

    1. 20:2

      Maria comunica a retirada do corpo, não a ressurreição. Sua explicação inicial não deve ser confundida com a explicação final do Evangelho.

    2. 20:4

      A passagem não informa a idade dos corredores. Ser mais rápido não determina a idade do outro discípulo.

    3. 20:7

      O grego entetuligmenon significa envolvido ou enrolado. O texto diz que o pano está separado; não lhe atribui um recado codificado.

    4. 20:8

      João 20:9 esclarece os limites do entendimento dos discípulos. O objeto exato de "creu" no versículo 8 é discutido.

    João 20:1-8

    Bíblia Portuguesa Mundial · 8 versículos

    20:1No primeiro dia da semana, Maria Madalena foi de manhã bem cedo, quando ainda estava escuro, ao sepulcro, e viu que a pedra tinha sido tirada do sepulcro.

    20:2Então ela correu até Simão Pedro e o outro discípulo a quem Jesus amava, e lhes disse: “Tiraram o Senhor do sepulcro, e não sabemos onde o colocaram!”

    20:3Então Pedro e o outro discípulo saíram e foram em direção ao sepulcro.

    20:4Os dois corriam juntos. O outro discípulo correu mais rápido que Pedro e chegou primeiro ao sepulcro.

    20:5Inclinando-se e olhando para dentro, viu os panos de linho ali deitados; contudo, não entrou.

    20:6Simão Pedro chegou logo depois e entrou no sepulcro. Ele viu os panos de linho deitados,

    20:7e o lenço que estivera sobre a cabeça dele, não deitado com os panos de linho, mas enrolado num lugar à parte.

    20:8Então o outro discípulo, que havia chegado primeiro ao sepulcro, também entrou, viu e creu.

    João 20:1-8: Correu mais depressa que Pedro
  5. 05

    João 21:24-25

    O mundo não poderia conter os livros

    O evangelho fecha nomeando a própria testemunha e depois admitindo os próprios limites, que é um jeito incomum de terminar um livro sobre alguém que amaste.

    O Evangelho termina distinguindo testemunho verdadeiro de arquivo completo. Estas coisas foram testemunhadas e escritas; muitas outras não. Isso não é um pedido de desculpas por um registro defeituoso. João 20:30-31 já explicou a seleção: determinados sinais foram escritos para que a fé se apoiasse em quem Jesus é. O livro tem um propósito, não a pretensão de conter cada movimento de seu ministério.

    Há também uma mudança deliberada de voz gramatical. O discípulo é mencionado na terceira pessoa, a confirmação de seu testemunho aparece no plural e a frase final emprega a primeira pessoa do singular. Os leitores divergem sobre se são mudanças do mesmo escritor ou sinais de uma voz editorial que confirma o testemunho. O texto não identifica as pessoas incluídas no plural. Insiste, porém, na ligação entre o registro escrito e uma testemunha. Então a imagem final ultrapassa qualquer biblioteca imaginável. O mundo incapaz de conter todos os livros lembra a afirmação inicial de que o mundo foi feito por meio do Verbo. O registro chega ao fim. Seu assunto não se esgota.

    Versículo por versículo

    1. 21:24

      João 21:20 liga esta testemunha ao discípulo presente na ceia. O versículo atribui a ele tanto o testemunho quanto a escrita.

    2. 21:24

      Não é informada a identidade das pessoas abrangidas pelo plural "sabemos". Confirmação editorial e plural de autor são propostas interpretativas.

    3. 21:25

      A linguagem é uma hipérbole expansiva, não um cálculo de espaço numa biblioteca. João 20:30-31 explica a seleção do material.

    João 21:24-25

    Bíblia Portuguesa Mundial · 2 versículos

    21:24Este é o discípulo que dá testemunho destas coisas e que as escreveu. Sabemos que o seu testemunho é verdadeiro.

    21:25Há também muitas outras coisas que Jesus fez, as quais, se fossem todas escritas, suponho que nem mesmo o mundo inteiro teria espaço para os livros que seriam escritos.

    João 21:24-25: O mundo não poderia conter os livros

Por que importa

O evangelho que escreve não se parece com os outros três: sete sinais em vez de muitos milagres, conversas longas em vez de ditos curtos, e um prólogo que começa antes de Gênesis. É também quem diz a coisa silenciosa no fim, que se tudo fosse escrito o mundo não poderia conter os livros. A tradição lhe dá a vida mais longa dos doze e o último livro da Bíblia, escrito numa ilha.

5 músicas

A música

Todas as músicas do catálogo cuja passagem cai dentro destes capítulos.

  1. Mateus 4:12-25

    Luz sobre a Galileia

  2. Mateus 17:24-27

    A Moeda na Boca do Peixe

  3. Marcos 10:13-31

    Deixai Vir as Crianças

  4. João 13:1-17

    Deveis Também Lavar os Pés Uns dos Outros

  5. João 20:24-31

    Bem-aventurados os Que Não Viram e Creram

Os vídeos

Os vídeos

Cada lançamento cujo trecho está dentro destes capítulos, aqui mesmo.

Por perto

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