Atos 9:1-9
Por que me persegues
A voz não pergunta pela igreja, pergunta por si mesma. Três dias cego em Damasco, sem comer nem beber, antes que alguém venha.
Versículo por versículo
- 9:2
Este Caminho identifica o movimento cujos integrantes Saulo procura, não a estrada física para Damasco.
- 9:5
Aguilhões são usados para conduzir animais de trabalho; dar coices contra eles representa resistência perigosa e inútil.
- 9:5-6
A redação mais longa no final do versículo 5 e início do 6 aparece no Textus Receptus, mas falta em várias edições críticas gregas, e a Bíblia Portuguesa Mundial não a traz. A expressão sobre os aguilhões também aparece em Atos 26:14.
- 9:7
Atos 22:9 diz que os companheiros não ouviram a voz de quem falava, enquanto este versículo diz que ouviram uma voz. Distinguir entre ouvir um som e compreender a fala é uma conciliação comum, mas a diferença de redação não deve ser escondida.
- 9:8
O texto diz que Saulo caiu por terra e foi conduzido pela mão. Não menciona cavalo nem outra montaria.














A palavra mais devastadora na estrada é me. Saulo vinha ameaçando os discípulos; a voz do céu identifica aquela perseguição como uma agressão contra quem fala. Jesus não começa explicando um erro no sistema religioso de Saulo. Ele identifica a pessoa contra quem Saulo estava agindo. O homem acreditava que reprimia um movimento. Encontrou o Senhor vivo desse movimento.
A abertura não suaviza nada. Ameaças e morte não são um lamentável mal-entendido acrescentado pelos inimigos de Saulo. São a descrição de sua atividade feita pelo Livro de Atos. As cartas mostram um homem buscando autorização, organizando uma viagem e planejando prender mulheres e homens. Em Atos 26:9-11, o próprio Paulo recorda que considerava necessária essa conduta, inclusive as tentativas de forçar crentes a blasfemar. O encontro, portanto, desmancha uma campanha conduzida com convicção. Não expõe uma falta escondida de compromisso. O compromisso era intenso; sua direção estava terrivelmente errada.
A inversão física torna visível esse desmoronamento. Saulo pretende conduzir prisioneiros a Jerusalém e acaba sendo conduzido, indefeso, a Damasco. Seus olhos estão abertos, mas ele não vê nada. A ordem não fornece um itinerário completo nem torna desnecessária a ajuda humana: ele precisa entrar na cidade e receber novas instruções ali. Três dias de cegueira e jejum interrompem a finalidade original da viagem. Nada diz que ele caiu de um cavalo, nem descreve suas conversas interiores durante aqueles dias. As explicações posteriores de Paulo têm mais substância que detalhes imaginados. Gálatas 1:15-16 fala de um chamado pela graça para revelar o Filho e anunciá-lo às nações; 1 Coríntios 15:8-10 põe a aparição do Cristo ressuscitado ao lado da confissão de que Paulo perseguiu a igreja. Ele nunca torna o passado respeitável. A graça é extraordinária justamente porque a violência foi real.