Dois sonhos são respondidos e um homem é esquecido

Gênesis 40

O panorama

Gênesis 40 leva dois servos de Faraó à mesma prisão onde José continua esquecido pelo mundo lá fora. O chefe dos copeiros e o chefe dos padeiros sonham na mesma noite e acordam perturbados porque não há intérprete disponível. José nota seus rostos antes que expliquem o problema, e depois diz que as interpretações pertencem a Deus e pede para ouvir os sonhos. O copeiro recebe uma interpretação de restauração e um pedido direto de José para que se lembre de seu confinamento injusto diante de Faraó. O padeiro, encorajado pelo resultado favorável do primeiro, traz um sonho com traços numéricos semelhantes, mas recebe o desfecho oposto. Três dias depois, o aniversário de Faraó cumpre ambas as interpretações exatamente. O copeiro volta ao seu cálice, enquanto o padeiro é executado. A linha final do capítulo então desloca a atenção de volta ao único homem cujas circunstâncias não melhoram. O oficial restaurado não se lembra de José. A exatidão triunfa, a advocacia pedida fracassa, e a espera que se segue será contada em anos.

Neste capítulo

Gênesis 40: Dois sonhos são respondidos e um homem é esquecido
Cena do capítuloGênesis 40

A Escritura ao lado do resumo

Gênesis · Bíblia Portuguesa Mundial · 23

Gênesis 40:1-8

José percebe uma mudança nos rostos diante dele

O chefe dos copeiros e o chefe dos padeiros chegam à prisão como oficiais de Faraó que ofenderam o rei, embora Gênesis não diga o que cada um fez. Seu confinamento os coloca sob os cuidados de José, criando um elo entre um prisioneiro hebreu e a corte real muito antes de José estar diante de Faraó. Quando ambos sonham na mesma noite, a primeira ação significativa de José não é a interpretação, mas a atenção. Ele vê que seus rostos estão tristes e pergunta por quê. Seu problema é específico: eles têm sonhos e não há intérprete. José responde situando a interpretação fora de si mesmo, "As interpretações não pertencem a Deus?", e depois os convida imediatamente a lhe contar os sonhos. A dependência de Deus não o torna passivo. Ele não reivindica uma habilidade mágica independente nem se recusa a se envolver. A conversa começa porque um prisioneiro nota a condição emocional de duas pessoas que ele foi designado a servir. Os sonhos deles abrirão um caminho rumo a Faraó, mas o primeiro passo é simplesmente que José olha de perto o bastante para ver que algo está errado.

Gênesis 40:1-8: José percebe uma mudança nos rostos diante dele
Cena do capítuloGênesis 40

Estudo aprofundado

O lugar conecta José a Faraó antes que José tenha acesso ao próprio Faraó. O chefe dos mordomos e o chefe dos padeiros são oficiais do rei, mas por enquanto são prisioneiros, e José é designado para servi-los. Gênesis não identifica suas transgressões. Registra sua posição, seu confinamento e o arranjo que os coloca em contato diário com alguém cujos próprios sonhos provocaram seus irmãos.

José percebe que os rostos deles estão diferentes naquela manhã. A tristeza não é apenas parte do ambiente da prisão; ele pergunta a respeito. O problema dos oficiais é que têm sonhos, mas nenhum intérprete disponível. A resposta de José identifica Deus como fonte da interpretação e depois os convida a contar. Essa combinação importa. Ele não reivindica uma capacidade autossuficiente que lhe pertença independentemente de Deus, mas tampouco trata essa dependência como razão para ficar calado. A conversa começa por sua atenção às pessoas que foi encarregado de servir.

Percurso versículo por versículo

  1. Gênesis 40:1

    O “copeiro” é mashqeh, literalmente aquele que dá de beber. Era o oficial que provava e servia o vinho do rei, permanecendo diariamente perto dele. O verbo traduzido por “ofenderam” é chata, com o sentido de pecar, o mesmo que José usa em 39:9 ao recusar a mulher de Potifar. Aqui o pecado é contra o rei, mas sua natureza nunca é informada.

  2. Gênesis 40:2

    “Oficiais” traduz sarisim, título cortesão já aplicado a Potifar em Gênesis 39:1. A corte egípcia possuía departamentos de copeiros e padeiros, e estes dois homens eram os chefes de suas respectivas funções. O verbo qatsaf, traduzido por “irou-se”, é frequentemente usado para a fúria de um rei ou autoridade.

  3. Gênesis 40:3

    A “casa do capitão da guarda” remete à casa de Potifar, pois esse é o título que ele recebe em Gênesis 39:1. A prisão fazia parte da propriedade ou estava sob a autoridade desse oficial. Assim, José continua encarcerado dentro da esfera do mesmo homem que o havia mandado para ali.

  4. Gênesis 40:4

    O próprio capitão da guarda coloca os dois oficiais sob os cuidados de José. Isso pode sugerir que alguma confiança nele sobreviveu à acusação anterior, embora Gênesis não tire essa conclusão. O verbo traduzido por “cuidou deles” é sheret, ligado ao serviço pessoal que José prestou a Potifar em 39:4. “Muitos dias” indica um período não medido.

  5. Gênesis 40:5

    A frase “cada homem de acordo com a interpretação do seu sonho” indica que cada sonho correspondia ao seu próprio significado. O substantivo pitron, “interpretação”, e o verbo relacionado aparecem no Antigo Testamento somente nos capítulos de José. Os dois homens, apesar de ocuparem os postos máximos de seus setores, são novamente descritos como confinados na prisão.

  6. Gênesis 40:6

    A palavra hebraica traduzida por “tristes” é zo’afim, usada para um rosto sombrio, perturbado ou abatido. Ela aparece, por exemplo, em 1 Reis 20:43 para descrever Acabe voltando para casa pesado e descontente. José percebe o aspecto deles pela manhã, aparentemente durante sua rotina de cuidado dos prisioneiros.

  7. Gênesis 40:7

    A pergunta hebraica fala literalmente de os rostos deles estarem maus naquele dia. Séculos depois, um rei persa fará pergunta semelhante a Neemias ao notar seu semblante abatido, em Neemias 2:2. O versículo enfatiza a posição dos homens e o lugar, colocando um escravo preso perguntando pelo estado de dois altos oficiais da corte.

  8. Gênesis 40:8

    O Egito possuía intérpretes profissionais de sonhos e manuais escritos. O chamado Livro dos Sonhos de Chester Beatty preserva listas de sonhos acompanhados de significados favoráveis ou desfavoráveis. Presos, os dois oficiais não tinham acesso a esses especialistas. José não apresenta técnica, ritual ou método próprio. Ele atribui as interpretações a Deus e pede que contem os sonhos.

Gênesis 40:1-8

Bíblia Portuguesa Mundial

1Depois destas coisas, o copeiro do rei do Egito e o seu padeiro ofenderam o seu senhor, o rei do Egito.

2Faraó irou-se contra os seus dois oficiais, o chefe dos copeiros e o chefe dos padeiros.

3Ele os colocou sob custódia na casa do capitão da guarda, na prisão, o lugar onde José estava preso.

4O capitão da guarda os designou a José, e ele cuidou deles. Eles permaneceram na prisão por muitos dias.

5Ambos tiveram um sonho, cada homem o seu próprio sonho, em uma só noite, cada homem de acordo com a interpretação do seu sonho, o copeiro e o padeiro do rei do Egito, que estavam confinados na prisão.

6José aproximou-se deles pela manhã, olhou para eles e viu que estavam tristes.

7Ele perguntou aos oficiais de Faraó que estavam com ele sob custódia na casa do seu senhor, dizendo: “Por que vocês parecem tão tristes hoje?”

8Eles lhe disseram: “Nós tivemos um sonho, e não há ninguém que possa interpretá-lo.” José lhes disse: “As interpretações não pertencem a Deus? Por favor, contem-no para mim.”

Gênesis 40:9-15

O copo restaurado vem com um pedido de lembrança

O sonho do copeiro passa da videira aos brotos e às uvas maduras com rapidez extraordinária, terminando onde seu antigo trabalho costumava terminar: o cálice de Faraó está em sua mão, e ele o coloca na mão de Faraó. José interpreta os três ramos como três dias e anuncia a restauração ao ofício que o homem tinha antes. Isso é mais do que a saída do confinamento. A relação profissional do copeiro com o rei será restaurada, incluindo a própria ação enfatizada no sonho. José então acrescenta um pedido pessoal que deixa claro como ele entende sua própria situação. Ele pede ao homem que se lembre dele, lhe mostre bondade, o mencione a Faraó, e o tire da casa. José diz que foi roubado da terra dos hebreus e que não fez nada que mereça esta masmorra. Gênesis já mostrou ambas as afirmações ao leitor. O homem que confia em Deus para a interpretação busca igualmente um advogado humano com acesso ao poder. A fé na interpretação não torna desejável o confinamento continuado.

Gênesis 40:9-15: O copo restaurado vem com um pedido de lembrança
Cena do capítuloGênesis 40

Estudo aprofundado

O sonho do mordomo passa rapidamente da videira brotando às uvas maduras e das uvas ao copo na mão de Faraó. Seu centro é o serviço anterior sendo realizado novamente. José identifica os três ramos como três dias e descreve restauração, não apenas saída da prisão. O oficial recuperará seu lugar num relacionamento de confiança real. Suas mãos voltarão a segurar o recipiente que seu trabalho exige.

José imediatamente acrescenta um pedido pessoal. A instrução para se lembrar dele não é uma despedida decorativa de um sonho interpretado. Ele pede bondade, uma menção diante de Faraó e libertação do lugar onde está confinado. Seu relato de ter sido roubado da terra dos hebreus e preso sem cometer o mal alegado é uma afirmação de injustiça. Gênesis já forneceu os acontecimentos que a sustentam. O homem que atribui a interpretação a Deus também busca um defensor humano com acesso ao governante. Sua confiança sobre o sonho não elimina o desejo de deixar a masmorra.

Percurso versículo por versículo

  1. Gênesis 40:9

    Vinhedos e produção de vinho faziam parte da vida egípcia, como mostram cenas preservadas em pinturas de tumbas. Por isso, uma videira é um elemento natural no mundo de um copeiro. A expressão “diante de mim” coloca toda a sequência do sonho à frente dele e ao alcance de suas mãos.

  2. Gênesis 40:10

    Brotar, florescer e produzir fruto maduro em rápida sequência lembra a vara de Arão em Números 17:8, que brotou, floresceu e produziu amêndoas. No hebraico, gefen, “videira”, é uma palavra feminina, detalhe preservado na concordância do texto original.

  3. Gênesis 40:11

    O sonho do copeiro é marcado pelas próprias ações: ele pega as uvas, espreme e entrega o cálice. Faraó é mencionado três vezes numa única frase, enquanto “mão” aparece duas vezes. As uvas são espremidas diretamente no cálice, sem o longo processo normal de fermentação, porque o sonho avança imediatamente para o serviço ao rei.

  4. Gênesis 40:12

    José responde imediatamente, sem pedir tempo, cerimônia ou uma segunda descrição do sonho. Ele identifica os três ramos como três dias. Em Gênesis 41, números semelhantes em sonhos indicarão anos. Portanto, a imagem por si só não determina a unidade de tempo; essa unidade pertence à interpretação dada por José.

  5. Gênesis 40:13

    “Levantará a sua cabeça” pode envolver a ideia de contar, examinar oficialmente ou restaurar alguém a uma posição. Expressão semelhante aparece em 2 Reis 25:27, quando Evil-Merodaque retira Joaquim da prisão e o favorece. A interpretação termina exatamente com a imagem vista no sonho: o copeiro volta a colocar o cálice na mão de Faraó.

  6. Gênesis 40:14

    “Bondade” traduz chesed, a mesma palavra usada em 39:21 quando o SENHOR demonstra bondade a José. Agora José pede essa lealdade a um homem. O verbo correspondente a “lembre-se” é zakar, palavra decisiva para o fim do capítulo. Esta também é a primeira vez no relato em que José faz um pedido explícito a alguém.

  7. Gênesis 40:15

    A expressão hebraica para “fui roubado” duplica o verbo, gunnov gunnavti, reforçando intensamente a ideia de que ele foi roubado. José não acusa os irmãos pelo nome e apenas afirma que foi levado contra a vontade. Chamar Canaã de “terra dos hebreus” é notável, pois sua família possuía ali apenas uma sepultura e um campo.

Gênesis 40:9-15

Bíblia Portuguesa Mundial

9O chefe dos copeiros contou o seu sonho a José, e lhe disse: “No meu sonho, eis que uma videira estava diante de mim,

10e na videira havia três ramos. Parecia que ela brotava, florescia, e os seus cachos produziam uvas maduras.

11O cálice de Faraó estava na minha mão; e eu peguei as uvas, as espremi no cálice de Faraó, e entreguei o cálice na mão de Faraó.”

12José lhe disse: “Esta é a sua interpretação: os três ramos são três dias.

13Dentro de mais três dias, Faraó levantará a sua cabeça, e o restaurará ao seu cargo. Você entregará o cálice de Faraó na mão dele, da mesma forma que fazia quando era o seu copeiro.

14Mas lembre-se de mim quando tudo estiver bem com você. Por favor, mostre bondade para comigo, e faça menção de mim a Faraó, e tire-me desta casa.

15Pois, na verdade, fui roubado da terra dos hebreus, e aqui também não fiz nada para que me colocassem no calabouço.”

Gênesis 40:16-19

Três cestos não prometem o mesmo terceiro dia

O padeiro fala porque a primeira interpretação foi boa, de modo que sua esperança de uma resposta igualmente favorável é compreensível. Seu sonho também tem três objetos repetidos e comida associada a Faraó, mas a semelhança fica aquém de um significado idêntico. A comida do cesto superior nunca chega ao rei. As aves a consomem de cima da cabeça do padeiro. José interpreta os três cestos como três dias, fazendo o prazo coincidir com o do copeiro, e depois repete a frase sobre Faraó levantar a cabeça do padeiro com um acréscimo devastador: "de sobre você". A redação compartilhada agudiza a diferença em vez de suavizá-la. Um homem será restaurado; o outro será executado, e as aves comerão sua carne. Gênesis não dá explicação da ofensa de fundo nem base alguma para inventá-la. Também não dá a José nenhuma tentativa de ajustar a interpretação às expectativas do padeiro. Imagens semelhantes e um prazo idêntico não prometem desfechos semelhantes. Cada sonho precisa ser ouvido em seus próprios termos.

Gênesis 40:16-19: Três cestos não prometem o mesmo terceiro dia
Cena do capítuloGênesis 40
Panorama do antigo Oriente Próximo
Panorama do antigo Oriente Próximo

Estudo aprofundado

O padeiro fala porque a primeira interpretação foi boa. Esse detalhe torna sua expectativa compreensível sem exigir um relato inventado de seus pensamentos particulares. Seu sonho também contém três objetos e comida destinada a Faraó, mas a semelhança não produz o mesmo significado. A comida não está chegando à mão do rei. Aves a comem do cesto sobre a cabeça do padeiro. José interpreta esse sonho em seus próprios termos, em vez de estender o resultado favorável do outro oficial.

Para o copeiro, Faraó “levantará a sua cabeça”, e isso significa restauração ao cargo. Para o padeiro, José diz que Faraó “tirará a sua cabeça”. O paralelo entre as duas frases torna inequívoca a diferença em sua conclusão. As aves reaparecem na interpretação, mas agora consomem a carne do padeiro, não a comida de Faraó. Gênesis não registra motivo para suavizar o anúncio nem evidência para reconstruir a transgressão por trás dele. Os sonhos pareados dão aos oficiais um prazo comum, não um destino comum.

Percurso versículo por versículo

  1. Gênesis 40:16

    A expressão traduzida por “cestos de pão branco” é discutida. O termo chori pode indicar pão branco ou cestos de vime perfurados, de modo que há mais de uma leitura possível. Heródoto observou que homens egípcios carregavam cargas sobre a cabeça, detalhe cultural que se ajusta bem à cena descrita pelo padeiro.

  2. Gênesis 40:17

    Documentos egípcios registram muitas variedades de pães e bolos, portanto “todos os tipos de alimentos assados” se encaixa bem no contexto. Há também um contraste claro entre os dois sonhos: o copeiro realiza várias ações, mas o padeiro não faz nada. As aves comem do cesto sobre sua cabeça, e ele não as afasta.

  3. Gênesis 40:18

    O terceiro dia aparece repetidamente em Gênesis como intervalo significativo. Abraão vê o lugar indicado para o sacrifício no terceiro dia, em 22:4, e José mais tarde manterá seus irmãos presos por três dias antes de voltar a falar com eles, em 42:17–18. Aqui, os mesmos três dias funcionam como prazo para os destinos dos dois oficiais.

  4. Gênesis 40:19

    A expressão sobre ser pendurado numa árvore pode indicar empalamento ou a exposição do corpo depois da execução. Deuteronômio 21:22–23, em legislação posterior, proíbe deixar um corpo exposto além da noite. Para os egípcios, que dedicavam grande esforço à preservação do corpo para o sepultamento, a perspectiva de aves consumirem o cadáver representava uma desonra extrema.

Gênesis 40:16-19

Bíblia Portuguesa Mundial

16Quando o chefe dos padeiros viu que a interpretação era boa, ele disse a José: “Eu também estava no meu sonho, e eis que três cestos de pão branco estavam sobre a minha cabeça.

17No cesto mais alto havia todos os tipos de alimentos assados para Faraó, e as aves os comiam do cesto sobre a minha cabeça.”

18José respondeu: “Esta é a sua interpretação. Os três cestos são três dias.

19Dentro de mais três dias, Faraó tirará a sua cabeça, e o pendurará em uma árvore; e as aves comerão a sua carne.”

Gênesis 40:20-23

A interpretação se confirma e o apelo fracassa

O aniversário de Faraó fornece a ocasião pública em que ambas as interpretações alcançam seu anunciado terceiro dia. O rei "levanta a cabeça" de ambos os oficiais entre seus servos, e depois seus desfechos se dividem exatamente como José disse. O chefe dos copeiros volta ao seu ofício e coloca mais uma vez o cálice na mão de Faraó. O chefe dos padeiros é executado. Gênesis diz explicitamente que os acontecimentos ocorrem como José interpretou, encerrando qualquer dúvida sobre a exatidão da explicação anterior. E ainda assim o versículo final nega a José o resultado que ele pessoalmente pediu. O copeiro não se lembra dele; o livro acrescenta que ele o esquece. Essa falha não é descrita como castigo por José ter pedido ajuda, nem como evidência de que sua interpretação fosse falha. É uma falha humana de memória depois da restauração pessoal. O homem que acaba de recuperar sua vida e seu ofício não usa seu acesso renovado para falar pelo prisioneiro que lhe pediu. As palavras de José têm êxito para ambos os oficiais, mas seu próprio confinamento continua.

Gênesis 40:20-23: A interpretação se confirma e o apelo fracassa
Cena do capítuloGênesis 40

Estudo aprofundado

O terceiro dia é o aniversário de Faraó, quando um banquete coloca os casos dos dois oficiais diante da casa real. A formulação anterior sobre levantar a cabeça retorna, agora aplicada a ambos antes que seus resultados se separem. O mordomo volta a colocar o copo na mão de Faraó, exatamente a ação enfatizada em seu sonho. O padeiro é executado. O relato relaciona expressamente o que acontece à interpretação de José, em vez de deixar a correspondência apenas implícita.

Então o capítulo termina em outro lugar que não o banquete. O mordomo não se lembra de José. A formulação reforça a omissão acrescentando que ele o esqueceu. A interpretação correta de José ajudou o oficial a entender seu próprio futuro, mas a defesa solicitada nunca vem. Não há acusação aqui de que José interpretou mal ou pediu indevidamente. A questão em aberto é a distância entre um homem receber sua própria restauração e se lembrar de quem lhe pediu ajuda. O próximo capítulo medirá essa distância em anos, não em dias.

Percurso versículo por versículo

  1. Gênesis 40:20

    Este é o único aniversário de Faraó mencionado no Antigo Testamento. O outro aniversário registrado na Bíblia é o de Herodes, em Marcos 6:21–28, que também termina com uma execução. A expressão “no meio dos seus servos” indica que os dois casos foram revistos publicamente diante da corte reunida para o banquete.

  2. Gênesis 40:21

    O chefe dos copeiros volta ao lugar em que serve o rei em cada refeição, posição que lhe daria oportunidade diária de falar com Faraó. O gesto central do sonho se cumpre de maneira exata: novamente ele entrega o cálice diretamente na mão de Faraó.

  3. Gênesis 40:22

    O destino do padeiro recebe apenas uma breve cláusula, e nem ele nem o copeiro são nomeados. Uma tradição judaica posterior imaginou as faltas dos dois como uma mosca no cálice do rei e uma pedra no pão. Esses detalhes não vêm de Gênesis e devem ser tratados como invenção interpretativa posterior.

  4. Gênesis 40:23

    “Não se lembrou” e “esqueceu-se” expressam a mesma ideia duas vezes, primeiro de forma negativa e depois positiva. O capítulo seguinte começa depois de dois anos completos. Como José tem trinta anos quando se apresenta diante de Faraó, em Gênesis 41:46, ele passa aproximadamente os anos vinte e oito e vinte e nove de sua vida esquecido na prisão.

Gênesis 40:20-23

Bíblia Portuguesa Mundial

20No terceiro dia, que era o aniversário de Faraó, ele deu um banquete para todos os seus servos, e levantou a cabeça do chefe dos copeiros e a cabeça do chefe dos padeiros no meio dos seus servos.

21Ele restaurou o chefe dos copeiros à sua posição novamente, e ele entregou o cálice na mão de Faraó;

22mas ele enforcou o chefe dos padeiros, assim como José lhes havia interpretado.

23Contudo, o chefe dos copeiros não se lembrou de José, mas esqueceu-se dele.

Questões para manter em mente durante a leitura

  1. Acompanhe quem age, quem fala, quem é afetado e o que muda.
  2. Observe promessas, fracassos, livramentos e consequências repetidas.
  3. Não suponha que o relato aprove toda ação que narra.

Primeiro o texto

Onde os leitores divergem

O resumo começa com o que a passagem diz e como suas partes se relacionam. Ele não presume que uma denominação já resolveu todas as questões. A dependência de uma tradição, teoria literária ou reconstrução histórica é claramente identificada.

O texto bíblico aparece primeiro. As conclusões interpretativas são identificadas, e as diferenças surgem quando ajudam a explicar por que comunidades sérias nem sempre chegam à mesma resposta.

As notas interpretativas comparativas deste capítulo estão em preparação. Até que as notas revisadas estejam prontas, esta página separa o texto bíblico do resumo e da aplicação sem afirmar que leitores responsáveis concordam em todas as questões.

Questões sob a superfície

  1. Que parte de Gênesis 40 faz você parar, se sentir desconfortável ou se surpreender, e por quê?
  2. Que detalhe da passagem seria fácil ignorar? Como esse detalhe muda sua compreensão?
  3. Onde você percebe tensão entre o que acontece e este foco: Gênesis 40?
  4. Que pergunta importante a passagem deixa aberta em vez de resolver rapidamente?

Perguntas para uma reflexão pessoal séria

Estas perguntas são intencionalmente abertas. Permaneça com a tensão da passagem, responda com honestidade e volte à Escritura antes de chegar a uma conclusão.

Observe sem pressa

  1. Que parte de Gênesis 40 faz você parar, se sentir desconfortável ou se surpreender, e por quê?

  2. Que detalhe da passagem seria fácil ignorar? Como esse detalhe muda sua compreensão?

  3. Onde você percebe tensão entre o que acontece e este foco: A traição leva José ao Egito, mas o sofrimento se torna caminho de livramento. A família é reunida, perdoada e preservada para a história que continua em Êxodo.?

  4. Que pergunta importante a passagem deixa aberta em vez de resolver rapidamente?

Examine seu interior com honestidade

  1. Com qual pessoa, resposta, medo ou desejo da passagem você mais se identifica neste momento?

  2. Que suposição sua sobre Deus, outras pessoas ou você mesmo este texto desafia?

  3. Que parte você preferiria suavizar, evitar ou explicar depressa demais? O que essa reação pode revelar?

  4. Se esta Escritura pudesse fazer uma pergunta direta a você, qual seria?

Responda com sabedoria e coragem

  1. O que você precisa lembrar, confessar, lamentar, agradecer ou confiar depois de ler esta passagem?

  2. Como outra pessoa fiel poderia ler esta situação de modo diferente sem ignorar o texto?

  3. Que resposta obediente seria difícil, desconfortável ou lenta, mas ainda fiel à Escritura?

  4. Que pergunta você levará à oração nesta semana e quais versículos manterá diante de si?

Ouça e assista junto com a passagem

A mídia relacionada aparece somente quando sua referência bíblica coincide com esta unidade. Use música e vídeo como companhia e depois retorne ao texto.

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Fonte: eBible.org · porbrbsl · obtido 2026-09-20