O panorama
Em Êxodo 10, até os servos de Faraó perguntam quanto tempo a recusa pode continuar. A praga seguinte já é enquadrada para uma narração futura, enquanto os gafanhotos são anunciados contra a vegetação deixada pelo granizo. Faraó tenta um novo limite permitindo que apenas os homens vão, mas Moisés insiste que a festa inclui jovens e velhos, filhos e filhas, rebanhos e gado. Os gafanhotos chegam com um vento oriental, consomem o restante do verde, e desaparecem com um forte vento ocidental depois de outra confissão urgente e pedido de intercessão. A libertação ainda não se segue. Três dias de trevas espessas então interrompem o movimento comum no Egito enquanto Israel tem luz. Faraó faz uma última barganha, permitindo as famílias mas retendo o gado. Moisés responde que nem um casco ficará. O encontro termina não com acordo, mas com Faraó ameaçando a vida de Moisés.
Neste capítulo
- Os sinais já estão sendo preparados para serem contados novamente Êxodo 10:1-6
Antes que os gafanhotos apareçam, Êxodo sai da corte de Faraó e diz a Israel como estes acontecimentos devem viver na memória.
- A corte enxerga a ruína antes que o rei ceda Êxodo 10:7-11
Os próprios servos de Faraó agora dizem em voz alta o que o rei ainda resiste a admitir: o Egito está sendo destruído.
- O que sobreviveu ao granizo não sobrevive aos gafanhotos Êxodo 10:12-20
O vento oriental sopra durante o dia e a noite antes de trazer gafanhotos pelo Egito na manhã.
- Uma escuridão medida pela separação e pela imobilidade Êxodo 10:21-23
As trevas chegam sem negociação registrada e são medidas menos por espetáculo do que pelo que as pessoas não conseguem fazer.
- Nem mesmo um casco se torna moeda de negociação Êxodo 10:24-29
A última barganha de Faraó soa generosa apenas até que a condição aparece.

A Escritura ao lado do resumo
Êxodo · Bíblia Portuguesa Mundial · 29Êxodo 10:1-6
Os sinais já estão sendo preparados para serem contados novamente
Antes que os gafanhotos apareçam, Êxodo sai da corte de Faraó e diz a Israel como estes acontecimentos devem viver na memória. Os sinais serão contados a filhos e netos para que gerações posteriores conheçam o SENHOR pelo que aconteceu no Egito. Esse propósito voltado ao futuro fica ao lado da recusa presente de Faraó em se humilhar. A advertência dos gafanhotos então torna explícito o caráter cumulativo das pragas. Eles não atacarão uma paisagem intacta. Comerão o que escapou do granizo, encherão as casas e consumirão o crescimento restante. A ruína do Egito está portanto sendo acumulada em camadas em vez de reiniciada após cada juízo. Moisés entrega a advertência e sai sem suavizá-la numa estimativa negociável. A cena une duas linhas do tempo ao mesmo tempo: a decisão imediata de Faraó e a narração futura de Israel, quando o rei que agora recusa sobreviverá sobretudo como parte do relato que as famílias ensinam aos filhos.

Estudo aprofundado
A abertura olha além dos ouvintes imediatos na corte de Faraó. Os sinais deverão ser contados aos filhos e netos para que Israel conheça o SENHOR. Isso faz das futuras instruções sobre a Páscoa e suas perguntas parte de um propósito já anunciado durante as pragas. Os acontecimentos não deverão desaparecer quando os negociadores atuais morrerem. Seu significado será levado às casas e às gerações futuras.
A advertência sobre os gafanhotos é cumulativa. Diz respeito ao que escapou do granizo, e não a uma paisagem recém-restaurada que Êxodo teria deixado de descrever. A linguagem de devastação sem precedentes remonta aos antepassados do povo de Faraó, enquanto a instrução sobre a memória alcança os descendentes futuros de Israel. Diante desses dois horizontes está a recusa presente do rei em se humilhar. Moisés apresenta a advertência e se volta para sair; não permanece para suavizar suas consequências e torná-las uma previsão mais aceitável. A próxima intervenção vem dos próprios servos de Faraó.
Percurso versículo por versículo
- Êxodo 10:1
O verbo traduzido por endurecer é novamente kaved, agora colocado na própria declaração do SENHOR: ele tornou pesado o coração de Faraó e de seus servos. É o mesmo verbo usado anteriormente quando Faraó endureceu a si próprio. A inclusão dos servos chama atenção porque no versículo 7 eles mesmos pressionarão Faraó a ceder.
- Êxodo 10:2
A expressão contar aos ouvidos descreve ensino transmitido diretamente de geração em geração. A tradição da Páscoa associa esse dever de contar ao verbo relacionado usado em Êxodo 13:8. O verbo hitalalti, aplicado ao que Deus fez ao Egito, pode transmitir a ideia de tratar duramente ou fazer alguém de objeto de escárnio e aparece em 1 Samuel 6:6 ao recordar essas pragas.
- Êxodo 10:3
O verbo hebraico anah, traduzido aqui pela ideia de humilhar-se, é o mesmo usado em Êxodo 1:11–12 para a aflição imposta pelos egípcios a Israel. O rei que humilhou o povo agora é ordenado a se abaixar diante do SENHOR. A pergunta até quando transforma uma conhecida linguagem de lamento em exigência dirigida ao próprio Faraó.
- Êxodo 10:4
A ameaça é de gafanhotos por todo o território egípcio. Enxames desse inseto estavam entre as calamidades agrícolas mais temidas do mundo antigo. Em grandes concentrações, podem cobrir áreas enormes e consumir diariamente volumes extraordinários de vegetação, tornando especialmente grave o que resta após o granizo.
- Êxodo 10:5
A expressão hebraica traduzida por superfície da terra significa literalmente olho da terra e também aparece em Números 22:5 quando a presença de Israel cobre a visão de Moabe. O enxame esconderá o próprio chão. A repetição daquilo que escapou e sobrou do granizo reforça que os gafanhotos consumirão precisamente os sobreviventes da tempestade.
- Êxodo 10:6
Moisés encerra a advertência e sai sem esperar resposta de Faraó, algo que ainda não havia feito dessa maneira. A referência aos pais e aos pais de seus pais ressalta o caráter sem precedente da praga. Joel 1:2–3 usa linguagem semelhante ao falar de outra devastação por gafanhotos e de sua transmissão às gerações seguintes.
Êxodo 10:1-6
Bíblia Portuguesa Mundial1O SENHOR disse a Moisés: “Vá ao Faraó, pois eu endureci o seu coração e o coração dos seus servos, para que eu possa mostrar estes meus sinais entre eles;
2e para que você conte aos ouvidos do seu filho, e do filho do seu filho, as coisas que fiz ao Egito, e os meus sinais que realizei entre eles; para que vocês saibam que eu sou o SENHOR.”
3Moisés e Arão foram ao Faraó e lhe disseram: “Assim diz o SENHOR, o Deus dos hebreus: 'Até quando você se recusará a humilhar-se diante de mim? Deixe o meu povo ir, para que me sirva.
4Do contrário, se você se recusar a deixar o meu povo ir, eis que amanhã trarei gafanhotos sobre o seu país,
5e eles cobrirão a superfície da terra, de modo que não se poderá ver o chão. Eles comerão o resto do que escapou, o que lhes sobrou do granizo, e comerão toda árvore que cresce para vocês no campo.
6Suas casas ficarão cheias, bem como as casas de todos os seus servos e as casas de todos os egípcios, como nem seus pais nem os pais de seus pais jamais viram, desde o dia em que estiveram na terra até o dia de hoje.'” Ele virou-se e saiu da presença do Faraó.
Êxodo 10:7-11
A corte enxerga a ruína antes que o rei ceda
Os próprios servos de Faraó agora dizem em voz alta o que o rei ainda resiste a admitir: o Egito está sendo destruído. Sua súplica traz Moisés e Arão de volta, mas a permissão de Faraó imediatamente se transforma numa pergunta sobre quem de fato pode ir. Moisés responde com toda a comunidade: jovens e velhos, filhos e filhas, rebanhos e gado. A festa não é um evento para homens adultos enquanto as famílias permanecem sob controle egípcio. Faraó rejeita esse alcance e oferece apenas os homens. A restrição deixaria o grupo que parte atado a todos e a tudo que continua retido, mesmo que Êxodo não use a linguagem formal de reféns. O desacordo não é portanto uma discussão menor sobre comparecimento. Ele expõe a questão continuada da propriedade. Faraó está disposto a afrouxar sua mão apenas se ainda decidir quais partes de Israel permanecem dentro dela.

Estudo aprofundado
O protesto dos servos marca outra fratura na corte. Eles descrevem Moisés como uma armadilha e perguntam se Faraó já reconheceu a ruína do Egito. Não são porta-vozes israelitas apresentando outra acusação. São os próprios homens do rei confrontando o custo de sua recusa persistente. A intervenção deles traz Moisés e Arão de volta, mas a aparente permissão do rei imediatamente se transforma em uma pergunta sobre quem irá.
Moisés responde com uma lista inclusiva: jovens e velhos, filhos e filhas, ovelhas e bois. A festa pertence à comunidade, e não apenas a homens adultos que a representem. Faraó rejeita esse alcance e ordena que somente os homens partam. Manter as famílias para trás deixaria os homens que partissem vinculados a dependentes ainda sob controle egípcio, embora Êxodo não use a linguagem de reféns. Portanto, a discordância não é um pequeno ajuste em uma lista de passageiros. Diz respeito à possibilidade de Israel partir como povo. Os irmãos são expulsos da presença do rei sem aceitar a permissão restrita.
Percurso versículo por versículo
- Êxodo 10:7
A palavra hebraica moqesh designa uma armadilha ou o mecanismo de uma arapuca para aves. Os servos de Faraó já chamam o SENHOR de Deus de Israel e reconhecem que o Egito está arruinado. Ao sugerirem que os homens sejam libertados, usam anashim, termo que pode indicar homens adultos e talvez influencie a proposta restritiva de Faraó no versículo 11.
- Êxodo 10:8
A construção passiva indica que Moisés e Arão foram buscados e trazidos novamente, provavelmente por iniciativa dos servos. Faraó começa concedendo que vão servir ao SENHOR, mas imediatamente limita a concessão perguntando exatamente quem irá. No hebraico, a pergunta é enfática, algo como quem e quem irá, como se exigisse uma lista específica.
- Êxodo 10:9
A resposta de Moisés inclui todos em pares: jovens e velhos, filhos e filhas, rebanhos e gado. Nada pertencente a Israel fica excluído. A festa ao SENHOR é chamada chag, termo usado para uma celebração de peregrinação e já empregado na exigência inicial de Êxodo 5:1.
- Êxodo 10:10
A referência de Faraó ao SENHOR é sarcástica: sua fala transmite a ideia de que o SENHOR teria de estar realmente com eles para que ele algum dia permitisse a saída das crianças. A frase sobre o mal diante deles pode significar que Faraó os acusa de más intenções; também já foi entendida como possível jogo de palavras com Rá, o deus-sol egípcio.
- Êxodo 10:11
Faraó restringe a permissão aos homens adultos. Aqui aparece gevarim, palavra diferente de anashim no versículo 7. Ele afirma que isso seria o que Moisés e Arão pediram, embora não fosse. A audiência termina abruptamente: eles são expulsos, usando o verbo garash, também empregado para a expulsão de Adão do jardim em Gênesis.
Êxodo 10:7-11
Bíblia Portuguesa Mundial7Os servos do Faraó lhe disseram: “Até quando este homem será uma armadilha para nós? Deixe os homens irem, para que sirvam ao SENHOR, o Deus deles. Você ainda não sabe que o Egito está destruído?”
8Moisés e Arão foram trazidos novamente ao Faraó, e ele lhes disse: “Vão, sirvam ao SENHOR, seu Deus; mas quem são os que irão?”
9Moisés disse: “Iremos com os nossos jovens e com os nossos velhos. Iremos com os nossos filhos e com as nossas filhas, com os nossos rebanhos e com o nosso gado; pois devemos celebrar uma festa ao SENHOR.”
10Ele lhes disse: “Que o SENHOR esteja com vocês se eu os deixar ir com as suas crianças! Vejam, o mal está claramente diante dos seus rostos.
11Nada disso! Vão agora vocês que são homens, e sirvam ao SENHOR; pois é isso que vocês desejam!” Então eles foram expulsos da presença do Faraó.
Êxodo 10:12-20
O que sobreviveu ao granizo não sobrevive aos gafanhotos
O vento oriental sopra durante o dia e a noite antes de trazer gafanhotos pelo Egito na manhã. Sua chegada é sincronizada, comandada e devastadora. Eles consomem a vegetação e os frutos deixados pelo granizo até que não reste coisa verde nos campos. A terra escurece sob seu número antes que a praga seguinte traga trevas por outro meio. Faraó reage com urgência, confessa pecado contra o SENHOR e contra Moisés e Arão, pede perdão, e implora que "esta morte" seja removida. Moisés intercede, e um forte vento ocidental leva cada gafanhoto ao mar Vermelho. Os insetos desaparecem completamente, mas as colheitas comidas não voltam com eles. O alívio da praga ativa não desfaz a perda acumulada. Faraó ainda recusa a libertação, de modo que o Egito entra no juízo seguinte com menos recursos do que tinha antes de os gafanhotos chegarem.

Estudo aprofundado
Os gafanhotos chegam por meio de um vento oriental que sopra durante o dia e a noite antes que apareçam pela manhã. O detalhe dá ao acontecimento um processo sem reduzir o relato a uma sequência natural sem controle. Moisés age conforme a ordem, o momento corresponde à advertência, e os insetos consomem precisamente a vegetação restante. Sua quantidade escurece a terra antes que a próxima praga traga outro tipo de escuridão.
A pressa de Faraó agora contrasta com sua resistência anterior à advertência. Ele confessa ter pecado contra o SENHOR e contra Moisés e Arão, pede perdão e chama a praga de uma morte a ser removida. A linguagem reconhece uma culpa pessoal, mas seu pedido imediato continua sendo o alívio desse juízo específico. Moisés intercede, e a direção do vento muda, levando os gafanhotos para o mar Vermelho até que nenhum permaneça no Egito.
Essa remoção completa não restaura as plantações já devoradas nem garante a libertação. O SENHOR endurece o coração de Faraó, e o povo continua retido. A sequência impede a impressão equivocada de que cada praga simplesmente desaparece e devolve o Egito à condição inicial. Os insetos se foram; o alimento perdido continua perdido. O custo acumulado da recusa permanece depois que a crise imediata termina.
Percurso versículo por versículo
- Êxodo 10:12
A ordem de estender a mão repete Êxodo 9:22, embora o SENHOR não mencione a vara nesse comando. O versículo seguinte mostra que Moisés a utiliza. O alvo também é definido com precisão: os gafanhotos comerão tudo o que o granizo deixou, mostrando que as duas pragas funcionam em sequência.
- Êxodo 10:13
O vento leste sopra durante todo o dia e toda a noite antes de trazer os gafanhotos. Essa direção poderia transportar enxames vindos da região da Arábia e através da área do Mar Vermelho em direção ao Egito, movimento compatível com rotas naturais de gafanhotos. Êxodo 14:21 também apresenta um forte vento leste soprando durante toda a noite.
- Êxodo 10:14
O verbo nuach descreve os gafanhotos pousando ou assentando-se sobre o Egito e é o mesmo usado em Gênesis 8:4 quando a arca repousa sobre Ararate. Joel 2:2 também descreve uma invasão de gafanhotos como sem precedente. Em ambos os textos, a linguagem de singularidade pertence ao contexto específico de cada juízo.
- Êxodo 10:15
A densidade do enxame é tão grande que a terra escurece, uma descrição física que também antecipa a próxima praga. Toda a vegetação e os frutos que sobreviveram ao granizo são consumidos. A ausência completa de algo verde recorda a linguagem de Gênesis 1:30 sobre a erva verde dada como alimento. O Egito fica despido de vegetação.
- Êxodo 10:16
Pela primeira vez, Faraó age com verdadeira pressa. O verbo mihar destaca sua urgência ao chamar Moisés e Arão. Sua confissão também se amplia: reconhece pecado contra o SENHOR e contra os dois homens. Mesmo assim, ainda fala do SENHOR como Deus deles, e não como seu próprio Deus.
- Êxodo 10:17
A expressão desta vez somente indica um pedido excepcional de perdão e também aparece em Gênesis 18:32 durante a intercessão de Abraão. Faraó chama a praga de esta morte, descrição adequada para uma devastação capaz de produzir fome numa sociedade dependente da colheita. Curiosamente, ele pede a Moisés que perdoe seu pecado e que interceda ao SENHOR.
- Êxodo 10:18
O relato é muito breve: Moisés simplesmente deixa a presença de Faraó e ora ao SENHOR. Nenhuma palavra da oração é registrada. Nas ocasiões em que Moisés intercede durante essas pragas, a resposta do SENHOR vem de modo imediato.
- Êxodo 10:19
O vento oeste é literalmente um vento do mar, pois yam significa mar e, para Israel, o Mediterrâneo ficava a oeste. Os gafanhotos são lançados no Mar Vermelho, yam suf, o mesmo corpo de água associado à futura travessia de Israel. Os insetos desaparecem no mar que mais tarde engolirá o exército egípcio.
- Êxodo 10:20
O verbo é novamente chazaq, com o SENHOR como sujeito do endurecimento. A formulação é curta e direta. Depois da confissão apressada de Faraó no versículo 16 e da remoção completa dos gafanhotos, a praga termina sem outra fala dele: seu coração endurecido simplesmente resulta em nova recusa.
Êxodo 10:12-20
Bíblia Portuguesa Mundial12O SENHOR disse a Moisés: “Estenda a sua mão sobre a terra do Egito para que venham os gafanhotos, para que subam sobre a terra do Egito e comam toda a erva da terra, tudo o que o granizo deixou.”
13Moisés estendeu a sua vara sobre a terra do Egito, e o SENHOR trouxe um vento leste sobre a terra durante todo aquele dia e toda aquela noite; e quando amanheceu, o vento leste trouxe os gafanhotos.
14Os gafanhotos subiram sobre toda a terra do Egito, e pousaram em todo o território do Egito. Eles foram muito severos. Antes deles não houve gafanhotos como eles, nem jamais haverá.
15Pois eles cobriram a superfície de toda a terra, de modo que a terra escureceu, e comeram toda a erva da terra, e todo o fruto das árvores que o granizo havia deixado. Não restou nada verde, nem árvore nem erva do campo, em toda a terra do Egito.
16Então o Faraó chamou Moisés e Arão apressadamente, e disse: “Pequei contra o SENHOR, seu Deus, e contra vocês.
17Agora, portanto, por favor, perdoem o meu pecado mais uma vez, e orem ao SENHOR, seu Deus, para que ele também afaste de mim esta morte.”
18Moisés saiu da presença do Faraó e orou ao SENHOR.
19O SENHOR enviou um vento oeste extremamente forte, que levantou os gafanhotos e os lançou no Mar Vermelho. Não restou um só gafanhoto em todo o território do Egito.
20Mas o SENHOR endureceu o coração do Faraó, e ele não deixou os filhos de Israel irem.
Êxodo 10:21-23
Uma escuridão medida pela separação e pela imobilidade
As trevas chegam sem negociação registrada e são medidas menos por espetáculo do que pelo que as pessoas não conseguem fazer. Os egípcios não conseguem ver uns aos outros e não se levantam de seus lugares por três dias. Movimento, contato e atividade comuns param. Êxodo descreve as trevas como densas o bastante para serem apalpadas, mas não identifica um mecanismo físico nem atribui a praga a uma divindade egípcia nomeada. O contraste que a própria passagem fornece é mais simples e mais forte: Israel tem luz em suas moradas. A mesma terra agora abriga duas condições radicalmente diferentes. Faraó, que certa vez aumentou o trabalho de Israel porque temia que tivessem descanso demais, não consegue assegurar movimento comum para seu próprio povo. Nenhum discurso adicional é necessário para anunciar a inversão. As próprias condições exibem uma fronteira que o rei não pode atravessar e uma escuridão que ele não pode dispensar recolhendo-se ao palácio.

Estudo aprofundado
Essa praga chega sem uma negociação prévia registrada. Moisés estende a mão, e as trevas são descritas como tão densas que podem ser sentidas. Êxodo então as mede pelos efeitos: as pessoas não conseguem ver umas às outras e não se levantam de seus lugares durante três dias. O relato passa dos recursos danificados à interrupção do contato e do movimento humanos. Mesmo sem uma nova lesão descrita separadamente, a vida cotidiana fica paralisada.
A luz de Israel é declarada como um contraste deliberado. A passagem não identifica um sistema meteorológico, não explica as propriedades físicas das trevas nem nomeia uma divindade egípcia como seu alvo individual. Essas reconstruções devem permanecer distintas do texto. Sua própria afirmação é que as trevas do Egito e a luz de Israel coexistem sob a mesma ação divina. Faraó, que ordenou a ampliação do trabalho de Israel no capítulo 5, agora não consegue garantir o movimento cotidiano de seu próprio povo. A inversão se realiza pelas condições descritas, sem necessidade de acrescentar um discurso que a anuncie.
Percurso versículo por versículo
- Êxodo 10:21
A nona praga começa sem advertência, seguindo o padrão da terceira e da sexta. A expressão trevas que se possam apalpar usa o verbo hebraico mashash, relacionado a tatear ou procurar o caminho pelo toque. Deuteronômio 28:29 emprega o mesmo verbo para a pessoa cega que tateia na escuridão.
- Êxodo 10:22
O hebraico reúne duas palavras para escuridão, choshekh afelah, criando uma ideia de trevas profundas, como escuridão sobre escuridão. Elas permanecem por três dias em uma terra cuja religião atribuía enorme importância ao sol. Rá era a principal divindade solar egípcia, tornando sua aparente impotência especialmente pública.
- Êxodo 10:23
A escuridão impede os egípcios até de se deslocarem normalmente, pois ninguém se levanta do seu lugar durante três dias. Israel, porém, possui luz em suas habitações, expressão que pode indicar seus assentamentos em geral, e não simplesmente o uso de lâmpadas. Sabedoria 17 desenvolve posteriormente esse episódio com pesadelos, mas esses detalhes pertencem à interpretação posterior e não ao texto de Êxodo.
Êxodo 10:21-23
Bíblia Portuguesa Mundial21O SENHOR disse a Moisés: “Estenda a sua mão para o céu, para que haja trevas sobre a terra do Egito, trevas que se possam apalpar.”
22Moisés estendeu a sua mão para o céu, e houve densas trevas em toda a terra do Egito por três dias.
23Eles não viam uns aos outros, e ninguém se levantou do seu lugar por três dias; mas todos os filhos de Israel tinham luz em suas habitações.
Êxodo 10:24-29
Nem mesmo um casco se torna moeda de negociação
A última barganha de Faraó soa generosa apenas até que a condição aparece. As famílias podem ir, mas os rebanhos e o gado devem ficar. Moisés recusa porque esses animais não são propriedade acessória. Israel precisará deles para o sacrifício, e as exigências precisas do culto não serão conhecidas até que o povo chegue ao lugar determinado. Deixar o gado para trás manteria o culto permitido dependente de recursos que Faraó ainda controla. "Nem um casco ficará para trás" declara portanto a completude da partida em vez de meramente fornecer uma frase memorável. A resposta do rei já não é outro compromisso prático. Ele ordena que Moisés saia e ameaça matá-lo se voltarem a se ver. Moisés aceita o fim da audiência. O processo de barganha chegou ao seu limite: Faraó prefere ameaçar o mensageiro a libertar Israel em termos que ele não possa definir.

Estudo aprofundado
A oferta mais recente do rei concede a partida das famílias, mas retém os animais. Moisés responde em termos do próprio propósito que Faraó afirma permitir: Israel precisará de animais para os sacrifícios, e todas as exigências só serão conhecidas quando chegarem. Deixar os rebanhos no Egito faria a adoração permitida depender de recursos ainda controlados pelo rei. Portanto, a memorável insistência de que nenhum casco fique não é uma bravata ornamental. Expressa a integralidade prática da partida exigida.
A recusa de Faraó termina em uma ameaça de que Moisés morrerá se voltar a ver sua face. Moisés aceita o fim desses encontros. A divisão dos capítulos pode obscurecer a sequência, pois o capítulo 11 continua com um anúncio final e somente então registra explicitamente a saída de Moisés da presença de Faraó. A convocação noturna em Êxodo 12:31 levanta outra questão: houve um encontro pessoal ou o envio de uma mensagem? A redação não descreve detalhadamente como a convocação foi transmitida. O desenvolvimento claro aqui é o colapso da negociação. Faraó passou de estabelecer condições para a adoração a ameaçar o mensageiro que se recusa a aceitá-las.
Percurso versículo por versículo
- Êxodo 10:24
Faraó apresenta sua terceira condição: agora permite que todos, inclusive as crianças, saiam, mas exige que rebanhos e gado permaneçam. O verbo yatsag pode significar colocar ou deixar algo em determinado lugar. Os animais funcionariam como uma espécie de garantia de que Israel teria de voltar. Essa concessão já é maior que a do versículo 10.
- Êxodo 10:25
Moisés inverte a tentativa de negociação: em vez de Israel deixar seus animais, Faraó deverá fornecer ainda mais para os sacrifícios. Os zevachim eram sacrifícios associados a refeições, enquanto olot eram ofertas totalmente queimadas. Mais tarde, em Êxodo 12:32–36, os egípcios de fato mandarão Israel embora levando muitos bens.
- Êxodo 10:26
A palavra parsah designa o casco fendido, uma parte do animal tão pequena que normalmente nem seria contada separadamente. Moisés afirma que nem isso ficará para trás. A declaração de que ainda não sabem com que servirão ao SENHOR é literal: a Lei ainda não foi dada, e os requisitos detalhados dos sacrifícios só serão revelados posteriormente no Sinai.
- Êxodo 10:27
A formulação repete de perto o versículo 20: o SENHOR endurece o coração de Faraó, e ele se recusa a deixar Israel partir. Aqui, porém, o endurecimento aparece diretamente depois da negociação sobre os animais, sem um novo período de alívio. A resistência de Faraó agora segue cada praga quase imediatamente.
- Êxodo 10:28
Ver o rosto de um rei era linguagem de corte para ser admitido à sua presença. Faraó expulsa Moisés do palácio e proíbe que volte a comparecer diante dele, sob ameaça direta de morte. É a primeira vez que Faraó ameaça pessoalmente tirar a vida de Moisés.
- Êxodo 10:29
A resposta de Moisés significa, de forma incisiva, que Faraó falou corretamente: ele não voltará a ver seu rosto. Em Êxodo 12:31, Faraó manda chamar Moisés e Arão, mas o livro não afirma que houve outro encontro face a face. As últimas palavras de Moisés dirigidas a Faraó continuam no capítulo seguinte.
Êxodo 10:24-29
Bíblia Portuguesa Mundial24O Faraó chamou a Moisés e disse: “Vão, sirvam ao SENHOR. Apenas deixem para trás os seus rebanhos e o seu gado. Deixem que as suas crianças também vão com vocês.”
25Moisés disse: “Você também deve entregar em nossas mãos sacrifícios e holocaustos, para que possamos oferecer sacrifícios ao SENHOR, nosso Deus.
26O nosso gado também irá conosco. Nem um casco ficará para trás, pois dele devemos tirar para servir ao SENHOR, nosso Deus; e não sabemos com o que devemos servir ao SENHOR, até chegarmos lá.”
27Mas o SENHOR endureceu o coração do Faraó, e ele não quis deixá-los ir.
28O Faraó lhe disse: “Afaste-se de mim! Tenha o cuidado de não ver mais o meu rosto; pois no dia em que você vir o meu rosto, você morrerá!”
29Moisés disse: “Você falou bem. Eu não verei mais o seu rosto.”
Questões para manter em mente durante a leitura
- Identifique o povo a quem se fala e o contexto da aliança.
- Distinga resgate, adoração, santidade, justiça e responsabilidade comunitária.
- Leia os mandamentos em seu contexto literário e da aliança antes de aplicá-los hoje.
Primeiro o texto
Onde os leitores divergem
O resumo começa com o que a passagem diz e como suas partes se relacionam. Ele não presume que uma denominação já resolveu todas as questões. A dependência de uma tradição, teoria literária ou reconstrução histórica é claramente identificada.
O texto bíblico aparece primeiro. As conclusões interpretativas são identificadas, e as diferenças surgem quando ajudam a explicar por que comunidades sérias nem sempre chegam à mesma resposta.
As notas interpretativas comparativas deste capítulo estão em preparação. Até que as notas revisadas estejam prontas, esta página separa o texto bíblico do resumo e da aplicação sem afirmar que leitores responsáveis concordam em todas as questões.
Questões sob a superfície
- Que parte de Êxodo 10 faz você parar, se sentir desconfortável ou se surpreender, e por quê?
- Que detalhe da passagem seria fácil ignorar? Como esse detalhe muda sua compreensão?
- Onde você percebe tensão entre o que acontece e este foco: Êxodo 10?
- Que pergunta importante a passagem deixa aberta em vez de resolver rapidamente?
Perguntas para uma reflexão pessoal séria
Estas perguntas são intencionalmente abertas. Permaneça com a tensão da passagem, responda com honestidade e volte à Escritura antes de chegar a uma conclusão.
Observe sem pressa
Que parte de Êxodo 10 faz você parar, se sentir desconfortável ou se surpreender, e por quê?
Que detalhe da passagem seria fácil ignorar? Como esse detalhe muda sua compreensão?
Onde você percebe tensão entre o que acontece e este foco: Êxodo 10 se desenvolve por meio de suas próprias vozes, ações, afirmações e consequências?
Que pergunta importante a passagem deixa aberta em vez de resolver rapidamente?
Examine seu interior com honestidade
Com qual pessoa, resposta, medo ou desejo da passagem você mais se identifica neste momento?
Que suposição sua sobre Deus, outras pessoas ou você mesmo este texto desafia?
Que parte você preferiria suavizar, evitar ou explicar depressa demais? O que essa reação pode revelar?
Se esta Escritura pudesse fazer uma pergunta direta a você, qual seria?
Responda com sabedoria e coragem
O que você precisa lembrar, confessar, lamentar, agradecer ou confiar depois de ler esta passagem?
Como outra pessoa fiel poderia ler esta situação de modo diferente sem ignorar o texto?
Que resposta obediente seria difícil, desconfortável ou lenta, mas ainda fiel à Escritura?
Que pergunta você levará à oração nesta semana e quais versículos manterá diante de si?
Ouça e assista junto com a passagem
A mídia relacionada aparece somente quando sua referência bíblica coincide com esta unidade. Use música e vídeo como companhia e depois retorne ao texto.



