O dia alcança os aliados e as cidades do Egito

Ezequiel 30

O panorama

O colapso do Egito é anunciado como um dia cujo alcance excede o próprio Egito. Aliados, povos vizinhos, cidades, cursos de água, centros religiosos e apoios reais entram todos no juízo, de modo que a aparente rede de força do país se torna rede pela qual o medo viaja. Nabucodonosor é nomeado como instrumento humano, mas as declarações divinas repetidas impedem que o rei da Babilônia se torne a explicação última de seu sucesso. O oráculo percorre depois um mapa de centros egípcios, nomeando lugares associados a ídolos, autoridade política, defesas, população e prestígio. Uma segunda palavra datada comprime a luta em uma imagem corpórea. O braço de Faraó está quebrado e não pode ser enfaixado com força suficiente para segurar a espada, enquanto os braços do rei da Babilônia são fortalecidos e a espada do SENHOR é posta em sua mão. A dispersão do Egito segue essa transferência.

Neste capítulo

Ezequiel 30: O dia alcança os aliados e as cidades do Egito
Cena do capítuloEzequiel 30

A Escritura ao lado do resumo

Ezequiel · Bíblia Portuguesa Mundial · 26

Ezequiel 30:1-9

Um dia grande demais para um só país

O dia do SENHOR se estende para além de um só país. O Egito é central, mas a Etiópia, a Líbia, a Lídia, os povos aliados e os que sustentam o Egito entram no anúncio: "Pois o dia está próximo, sim, o dia do SENHOR está próximo. Será um dia de nuvens, um tempo das nações." A rede que fazia a força egípcia parecer ampla e apoiada se torna parte da vulnerabilidade dessa força. Quando o centro cai, os povos ligados não permanecem intocados. Os mensageiros em navios são uma imagem especialmente eficaz: "Naquele dia, mensageiros sairão de diante de mim em navios para amedrontar os etíopes despreocupados." As vias que normalmente movem comércio agora levam o alarme aos que se sentiam seguros à distância. O dia de Ezequiel se expande, portanto, por relação. A força do Egito não pode ser isolada de seus auxiliares.

Ezequiel 30:1-9: Um dia grande demais para um só país
Cena do capítuloEzequiel 30

Estudo aprofundado

A convocação inicial ao lamento é seguida por um dia descrito por nuvens e proximidade. A expressão "um tempo das nações" inclui os povos ao redor no acontecimento, em vez de deixar o Egito isolado sob o juízo. Suas relações de apoio fazem parte de sua força aparente e são incluídas na queda prometida.

O movimento dos mensageiros em navios é um detalhe especialmente incisivo. Os cursos de água que conectam essa região não transportam apenas comércio, tropas ou ajuda. Também levam a notícia do desastre a pessoas descritas como sossegadas, isto é, seguras ou desprevenidas nesse contexto. A distância estimulou a confiança, mas o acontecimento que se aproxima viaja pela mesma rede que tornava a distância administrável. Por isso, o anúncio avança para fora: o Egito cai, seus ajudadores fracassam e os efeitos alcançam lugares cujos habitantes não imaginavam estar no ponto imediato do perigo.

Percurso versículo por versículo

  1. Ezequiel 30:1

    Este é o único dos sete oráculos sobre o Egito sem data. Fica entre uma palavra de 571 a.C. (29:17) e outra de 587 (30:20), o que confirma que o livro agrupa estes capítulos por assunto. O seu tema é o dia do SENHOR, levado para o sul, até o Nilo.

  2. Ezequiel 30:2

    O grito em hebraico são duas palavras curtas, hah layyom, ai do dia! O lamento ordenado ao profeta abre o oráculo com um som de dor antes de qualquer explicação.

  3. Ezequiel 30:3

    Joel 1:15 levanta quase o mesmo grito, ai daquele dia, porque o dia do SENHOR está perto. Sofonias 1:15 o chama dia de nuvens e escuridão densa. No capítulo 7 o dia chegou para a terra de Israel; agora chegou “um tempo das nações”, a vez delas.

  4. Ezequiel 30:4

    A Etiópia é Cuxe, o reino núbio no Nilo ao sul do Egito, cujos reis tinham governado o próprio Egito como faraós no século anterior; Tiraca, rei da Etiópia, marchou contra Senaqueribe (2 Reis 19:9). “Os seus fundamentos” são os alicerces do Estado, puxados de debaixo dele.

  5. Ezequiel 30:5

    Jeremias 46:9 lista os mesmos contingentes no exército do faraó Neco: etíopes e líbios, que manejam o escudo, e lídios. A “mistura de povos” são mercenários estrangeiros. A última expressão, “a terra que é aliada”, é literalmente os filhos da terra da aliança, e alguns suspeitam que se trate de judeus assentados no Egito.

  6. Ezequiel 30:6

    Em 591 a.C., mercenários gregos, cários e fenícios de Psamético II gravaram os seus nomes nas estátuas colossais de Abu Simbel durante uma campanha na Núbia. Os que “apoiam o Egito” eram em parte soldados estrangeiros, e também eles são incluídos na queda ao longo de toda a extensão da terra.

  7. Ezequiel 30:7

    O versículo repete 29:12 quase palavra por palavra, mas o sujeito se ampliou: “eles” agora inclui os aliados e ajudantes dos versículos 5 e 6. As cidades devastadas do Egito ficam entre outras cidades devastadas, uma ruína numa paisagem de ruínas.

  8. Ezequiel 30:8

    Isaías 31:3 já juntara ajudante e ajudado numa só queda: tropeçará o que ajuda e cairá o ajudado. Jeremias, levado ao Egito pelos refugiados, anunciou o fogo nos mesmos termos, dizendo que Deus acenderia fogo nas casas dos deuses do Egito (Jeremias 43:12).

  9. Ezequiel 30:9

    Isaías 18:1–2 descreve a terra além dos rios da Etiópia que envia mensageiros pelo mar em barcos de junco sobre as águas, os barcos de papiro do Nilo. Aqui o movimento vai em sentido contrário: mensageiros enviados “de diante de mim” levam o medo rio acima, para o sul.

Ezequiel 30:1-9

Bíblia Portuguesa Mundial

1A palavra do SENHOR veio a mim novamente, dizendo:

2“Filho do homem, profetize e diga: ‘Assim diz o Senhor DEUS: “Lamentem: ‘Ai daquele dia!’

3Pois o dia está próximo, sim, o dia do SENHOR está próximo. Será um dia de nuvens, um tempo das nações.

4Uma espada virá sobre o Egito, e haverá angústia na Etiópia, quando os mortos caírem no Egito. Levarão embora a sua multidão, e os seus fundamentos serão derrubados.

5“‘“A Etiópia, Pute, Lude, toda a mistura de povos, Cube e os filhos da terra que é aliada a eles, cairão com eles pela espada.”

6“‘Assim diz o SENHOR: “Aqueles que apoiam o Egito também cairão. O orgulho do seu poder será abatido. Eles cairão pela espada desde a torre de Sevene,” diz o Senhor DEUS.

7“Eles ficarão desolados no meio dos países que estão desolados. Suas cidades estarão entre as cidades que estão devastadas.

8Eles saberão que eu sou o SENHOR quando eu puser fogo no Egito, e todos os seus ajudantes forem destruídos.

9“‘“Naquele dia, mensageiros sairão de diante de mim em navios para amedrontar os etíopes despreocupados. Haverá angústia sobre eles, como no dia do Egito; pois, eis que isso vem.”

Ezequiel 30:10-12

O instrumento é nomeado sem ser entronizado

Nabucodonosor é nomeado como a mão humana que fará cessar a multidão do Egito, e Ezequiel não suaviza o que isso significa: "Eu também farei cessar a multidão do Egito, pela mão de Nabucodonosor, rei da Babilônia." O exército desembainha espadas, enche a terra de mortos e deixa devastação atrás de si. Contudo, a gramática continua elevando a explicação acima da Babilônia. Deus diz que ele acabará com a multidão, secará os rios e venderá a terra em outras mãos: "Eu secarei os rios, e venderei a terra para as mãos de homens maus. Eu farei a terra desolada, e tudo o que nela há, pela mão de estrangeiros. Eu, o SENHOR, falei." O rei da Babilônia é, portanto, instrumento na sentença e não seu sujeito último. Os rios voltam ao argumento com a jactância anterior de Faraó. O fecho não deixa espaço para que a Babilônia seja autora final de seu sucesso.

Estudo aprofundado

O oráculo menciona o rei da Babilônia, em vez de deixar o juízo como um desastre não especificado. Seu exército é descrito em termos severos, e sua atividade é violenta: espadas desembainhadas, habitantes mortos e uma terra devastada. Não há tentativa de fazer os meios do juízo parecerem brandos apenas porque o SENHOR reivindica autoridade sobre o acontecimento.

Ao mesmo tempo, as frases começam repetidamente com o que Deus fará. Ele põe fim à multidão, seca os rios e entrega o país nas mãos de outros. Nabucodonosor é, portanto, um instrumento dentro da declaração, não um poder independente que tomou o lugar de quem fala. O ressecamento dos cursos de água também responde à afirmação do capítulo anterior de que o rio pertencia a Faraó por ter sido feito por ele. A fonte essencial da confiança do Egito agora é incluída na lista das coisas que seu governante não pode garantir. A afirmação final de que o SENHOR falou torna sua palavra, e não a descrição que o exército faz de si mesmo, a autoridade que governa a passagem.

Percurso versículo por versículo

  1. Ezequiel 30:10

    “Multidão” é hamon, a palavra-chave destes capítulos sobre o Egito, usada para as multidões, os exércitos e a pompa do faraó (31:2, 18; 32:12, 16). O versículo nomeia quem fará cessar essa multidão: Nabucodonosor, a primeira vez nestes oráculos em que o atacante do Egito é nomeado.

  2. Ezequiel 30:11

    “Serão trazidos” está na voz passiva: o rei da Babilônia e o seu exército chegam porque outro os conduz. “Ele e o seu povo com ele” é o rei à frente das próprias tropas. A espada, desembainhada no capítulo 21 sobre Jerusalém, agora sai contra o Egito.

  3. Ezequiel 30:12

    Os “rios” são os braços do Nilo e os canais de irrigação. Isaías 19:5–6 previra o mesmo: o rio se esgotaria e secaria, e os canais se esvaziariam. “Venderei a terra” é o verbo de Juízes 2:14, onde Deus vendeu o povo nas mãos dos inimigos.

Ezequiel 30:10-12

Bíblia Portuguesa Mundial

10“‘Assim diz o Senhor DEUS: “Eu também farei cessar a multidão do Egito, pela mão de Nabucodonosor, rei da Babilônia.

11Ele e o seu povo com ele, os mais terríveis das nações, serão trazidos para destruir a terra. Eles desembainharão as suas espadas contra o Egito, e encherão a terra de mortos.

12Eu secarei os rios, e venderei a terra para as mãos de homens maus. Eu farei a terra desolada, e tudo o que nela há, pela mão de estrangeiros. Eu, o SENHOR, falei.”

Ezequiel 30:13-19

Um mapa da confiança desmantelada

O oráculo se torna mapa e depois se recusa a deixar que um só ponto do mapa se sinta excepcional. Nofe, Patros, Zoã, Nô, Sim, Áven, Pi-Besete e Tafnes aparecem em sucessão, associados a ídolos, governantes, fortificações, população, fogo, trevas ou cativeiro. Ezequiel não atribui um sentido simbólico particular a cada cidade. Ele espalha o desmantelamento pelos centros reconhecíveis do Egito para que o juízo seja institucional além de territorial. Caem as imagens religiosas, desaparece o poder principesco, sofrem os lugares fortes, morrem os jovens e as filhas vão para o cativeiro. Fogo e temor percorrem a lista até que a própria geografia pareça incapaz de oferecer um canto seguro. Ainda assim, o reconhecimento final pertence ao SENHOR e não aos invasores. As cidades caem dentro de um discurso em que um só falante divino continua agindo de lugar em lugar, desmontando os apoios pelos quais o Egito aprendera a pensar sua força como permanente.

As cidades do Egito ardem
Cena do capítuloEzequiel 30
Assíria e Babilônia
Assíria e Babilônia

Estudo aprofundado

Os nomes dos lugares fazem o juízo percorrer o território. Nofe, Patros, Zoã, Nô, Sim, Áven, Pi-Besete e Tafnes não são oito convites para inventar oito significados espirituais sem relação entre si. Eles distribuem o anúncio pelos centros reconhecíveis do Egito. Alguns são associados aqui a imagens religiosas; outros, à força, à população ou ao poder real. Juntos, tornam o colapso prometido institucional, além de territorial.

O acúmulo de fogo, angústia, trevas e cativeiro dá força à seção. Uma cidade não pode escapar do padrão apenas porque o versículo anterior mencionou outra. As filhas que vão para o cativeiro estendem as consequências além de um governante derrotado. Contudo, o encerramento retorna ao conhecimento do SENHOR, não à admiração pelos invasores. Os ídolos e os apoios reais do país falham numa passagem cujo autor da declaração continua agindo em cada lugar mencionado. Ezequiel desmantela toda uma geografia da confiança, um lugar de cada vez.

Percurso versículo por versículo

  1. Ezequiel 30:13

    Mênfis, Nofe no hebraico, é a antiga capital perto do Cairo moderno, sede do deus Ptá e do touro Ápis. As “imagens” são elilim, literalmente nadas, a palavra de Isaías 19:1, onde os ídolos do Egito tremem diante de Deus. Duas palavras para ídolos ficam lado a lado, ambas de desprezo.

  2. Ezequiel 30:14

    Zoã é Tânis, no nordeste do Delta; o Salmo 78:12 situa as pragas no campo de Zoã. Nô é Tebas, Nô-Amom, a grande capital do sul dos templos de Karnak, cujo saque pela Assíria em 663 a.C. é lembrado por Naum 3:8–10. Patros se junta a elas, o extremo sul emoldurado por duas cidades reais.

  3. Ezequiel 30:15

    Sim é Pelúsio, a fortaleza que guardava a borda oriental do Delta, com razão chamada “a fortaleza do Egito”; ali o persa Cambises derrotou o último faraó saíta em 525 a.C. “A multidão de Nô” é um trocadilho: hamon soa como Amom, o deus de Tebas, e Jeremias 46:25 faz o mesmo jogo.

  4. Ezequiel 30:16

    Sim, Nô e Mênfis voltam numa ordem nova, como um mapa refeito. A “grande angústia” é o contorcer-se do parto. “Adversários em pleno dia” traduz um hebraico obscuro, talvez inimigos às portas de Mênfis em plena luz do dia.

  5. Ezequiel 30:17

    Áven é Om, Heliópolis, a cidade do deus sol, onde José se casou com a filha de Potífera, sacerdote de Om (Gênesis 41:45). Ezequiel a escreve Áven, maldade, uma pronúncia deturpada de propósito, como o Bete-Áven de Oseias para Betel. Pibesete é Bubástis, cidade da deusa gata Bastet.

  6. Ezequiel 30:18

    Tafnes é a cidade de fronteira para onde os refugiados judeus levaram Jeremias. Ali ele enterrou pedras na argamassa da entrada da casa do faraó e disse que Nabucodonosor poria o seu trono sobre elas (Jeremias 43:8–10). Os “jugos” podem ser lidos como cetros, como na versão grega.

  7. Ezequiel 30:19

    Oito cidades foram nomeadas, de Tebas, no extremo sul, a Pelúsio e Tafnes, na fronteira nordeste, com Tebas citada três vezes e Mênfis e Pelúsio duas. Este versículo fecha o percurso, resumindo o mapa inteiro numa só frase de juízo.

Ezequiel 30:13-19

Bíblia Portuguesa Mundial

13“‘Assim diz o Senhor DEUS: “Eu também destruirei os ídolos, e farei cessar as imagens de Mênfis. Não haverá mais príncipe da terra do Egito. Eu porei o medo na terra do Egito.

14Eu farei Patros desolada, e porei fogo em Zoã, e executarei juízos sobre Nô.

15Eu derramarei a minha ira sobre Sim, a fortaleza do Egito. Eu eliminarei a multidão de Nô.

16Eu porei fogo no Egito; Sim estará em grande angústia. Nô será despedaçada. Mênfis terá adversários em pleno dia.

17Os jovens de Áven e de Pibesete cairão pela espada. Eles irão para o cativeiro.

18Em Tafnes também o dia escurecerá, quando eu quebrar os jugos do Egito ali. O orgulho do seu poder cessará nela. Quanto a ela, uma nuvem a cobrirá, e as suas filhas irão para o cativeiro.

19Assim eu executarei juízos sobre o Egito. Então eles saberão que eu sou o SENHOR.”’”

Ezequiel 30:20-26

Dois braços e uma espada transferida

O poder de Faraó se torna um braço que não pode segurar uma espada. Um braço já está quebrado, e Ezequiel enfatiza que não foi enfaixado nem curado com força suficiente para a batalha. Depois Deus diz que quebrará tanto o braço forte restante quanto o ferido, fechando a esperança de que a força de reserva compense a primeira perda. A Babilônia recebe o tratamento oposto. Os braços de seu rei são fortalecidos, e a espada do SENHOR é posta em sua mão. O paralelo mantém a ênfase na própria transferência. Um governante perde a capacidade de empunhar a arma enquanto outro recebe força e espada ao mesmo tempo. Ezequiel não precisa identificar cada traço da imagem corpórea com uma campanha à parte. O resultado é declarado claramente como a dispersão do Egito entre nações e países. O reconhecimento do SENHOR chega quando o poder efetivo sai da mão de Faraó.

Os braços de Faraó quebrados, a espada dada à Babilônia
Cena do capítuloEzequiel 30

Estudo aprofundado

O braço quebrado torna o poder imperial dolorosamente corporal. A lesão de Faraó não foi enfaixada nem tratada para que ele possa voltar a segurar uma espada. O SENHOR então anuncia uma nova quebra, incluindo o braço que permanecera forte. A imagem exclui a suposição de que uma reserva sobrevivente de força reparará automaticamente uma derrota anterior.

A Babilônia recebe o tratamento oposto. Os braços de seu rei são fortalecidos, e a espada do SENHOR é colocada em sua mão. O paralelo é exato o suficiente para manter a ênfase naquele que dá a força: um governante perde a capacidade de segurar a arma, enquanto outro recebe tanto a força quanto a arma. A passagem não fornece uma identificação médica ou militar detalhada para cada parte da metáfora. Sua conclusão é a mesma dispersão nacional anunciada antes. A aparente solidez do Egito cede, e o reconhecimento do SENHOR é ligado ao que acontece quando a espada deixa o controle de Faraó.

Percurso versículo por versículo

  1. Ezequiel 30:20

    A data é abril de 587 a.C., uns três meses depois de 29:1. O exército de socorro do faraó Hofra subira do Egito, os babilônios se afastaram para enfrentá-lo e depois voltaram ao cerco (Jeremias 37:5–8). O braço quebrado do versículo seguinte acabara de acontecer.

  2. Ezequiel 30:21

    A “atadura” é chittul, faixa, palavra que só aparece aqui. O Egito era famoso pela sua medicina, e o papiro cirúrgico Edwin Smith descreve como imobilizar braços quebrados com talas e faixas de linho. Os próprios médicos do Egito não conseguiriam consertar esta fratura.

  3. Ezequiel 30:22

    O braço estendido de Deus tirou Israel do Egito (Deuteronômio 26:8; Êxodo 6:6), e as inscrições reais egípcias se gabam regularmente do braço forte do faraó. A velha disputa se repete: Deus quebra os dois braços do faraó, o são e o que já estava quebrado.

  4. Ezequiel 30:23

    As mesmas tabuinhas de rações babilônicas que registram óleo para Joaquim também registram egípcios entre os trabalhadores estrangeiros e cativos alimentados na corte de Nabucodonosor. A sentença de dispersão, já ouvida em 29:12, é dita aqui e será dita mais uma vez no versículo 26.

  5. Ezequiel 30:24

    “Porei a minha espada na sua mão” retoma a espada do capítulo 21, afiada e entregue ao matador. A arma que caiu sobre Jerusalém passa agora ao rei da Babilônia contra o Egito. “Os gemidos de um homem mortalmente ferido” são o som de quem foi traspassado, o estertor antes da morte.

  6. Ezequiel 30:25

    “Ele a estender” é o verbo das pragas, quando Moisés recebeu ordem de estender a vara e a mão sobre o Egito (Êxodo 7:19; 10:21). Agora o rei da Babilônia estende a espada de Deus sobre a mesma terra. Os braços do faraó “cairão”, pendurados inúteis ao lado do corpo.

  7. Ezequiel 30:26

    No mar Vermelho Deus disse que os egípcios saberiam que ele é o SENHOR quando fosse glorificado no faraó (Êxodo 14:18). O mesmo reconhecimento fecha este capítulo, alcançado não pela fuga de Israel, mas pela dispersão do Egito. O versículo repete o versículo 23, emoldurando a imagem dos braços.

Ezequiel 30:20-26

Bíblia Portuguesa Mundial

20No décimo primeiro ano, no primeiro mês, no sétimo dia do mês, a palavra do SENHOR veio a mim, dizendo:

21“Filho do homem, eu quebrei o braço do Faraó, rei do Egito. Eis que não foi enfaixado para aplicar remédios, nem foi colocada uma atadura para ligá-lo, para que se torne forte para segurar a espada.

22Portanto, assim diz o Senhor DEUS: ‘Eis que eu sou contra o Faraó, rei do Egito, e quebrarei os seus braços, o braço forte e o que já estava quebrado. Eu farei a espada cair da sua mão.

23Eu espalharei os egípcios entre as nações, e os dispersarei pelos países.

24Eu fortalecerei os braços do rei da Babilônia, e porei a minha espada na sua mão; mas eu quebrarei os braços do Faraó, e ele gemerá diante do rei da Babilônia com os gemidos de um homem mortalmente ferido.

25Eu sustentarei os braços do rei da Babilônia, mas os braços do Faraó cairão. Então eles saberão que eu sou o SENHOR, quando eu puser a minha espada na mão do rei da Babilônia, e ele a estender sobre a terra do Egito.

26Eu espalharei os egípcios entre as nações e os dispersarei pelos países. Então eles saberão que eu sou o SENHOR.’”

Questões para manter em mente durante a leitura

  1. Identifique a crise histórica, a quebra da aliança, a advertência e a esperança.
  2. Distinga o público imediato do profeta de conexões bíblicas posteriores.
  3. Não transforme manchetes atuais em cumprimentos seguros sem evidência textual.

Primeiro o texto

Onde os leitores divergem

O resumo começa com o que a passagem diz e como suas partes se relacionam. Ele não presume que uma denominação já resolveu todas as questões. A dependência de uma tradição, teoria literária ou reconstrução histórica é claramente identificada.

O texto bíblico aparece primeiro. As conclusões interpretativas são identificadas, e as diferenças surgem quando ajudam a explicar por que comunidades sérias nem sempre chegam à mesma resposta.

As notas interpretativas comparativas deste capítulo estão em preparação. Até que as notas revisadas estejam prontas, esta página separa o texto bíblico do resumo e da aplicação sem afirmar que leitores responsáveis concordam em todas as questões.

Questões sob a superfície

  1. Que parte de Ezequiel 30 faz você parar, se sentir desconfortável ou se surpreender, e por quê?
  2. Que detalhe da passagem seria fácil ignorar? Como esse detalhe muda sua compreensão?
  3. Onde você percebe tensão entre o que acontece e este foco: Ezequiel 30?
  4. Que pergunta importante a passagem deixa aberta em vez de resolver rapidamente?

Perguntas para uma reflexão pessoal séria

Estas perguntas são intencionalmente abertas. Permaneça com a tensão da passagem, responda com honestidade e volte à Escritura antes de chegar a uma conclusão.

Observe sem pressa

  1. Que parte de Ezequiel 30 faz você parar, se sentir desconfortável ou se surpreender, e por quê?

  2. Que detalhe da passagem seria fácil ignorar? Como esse detalhe muda sua compreensão?

  3. Onde você percebe tensão entre o que acontece e este foco: Ezequiel 30 se desenvolve por meio de suas próprias vozes, ações, afirmações e consequências?

  4. Que pergunta importante a passagem deixa aberta em vez de resolver rapidamente?

Examine seu interior com honestidade

  1. Com qual pessoa, resposta, medo ou desejo da passagem você mais se identifica neste momento?

  2. Que suposição sua sobre Deus, outras pessoas ou você mesmo este texto desafia?

  3. Que parte você preferiria suavizar, evitar ou explicar depressa demais? O que essa reação pode revelar?

  4. Se esta Escritura pudesse fazer uma pergunta direta a você, qual seria?

Responda com sabedoria e coragem

  1. O que você precisa lembrar, confessar, lamentar, agradecer ou confiar depois de ler esta passagem?

  2. Como outra pessoa fiel poderia ler esta situação de modo diferente sem ignorar o texto?

  3. Que resposta obediente seria difícil, desconfortável ou lenta, mas ainda fiel à Escritura?

  4. Que pergunta você levará à oração nesta semana e quais versículos manterá diante de si?

Ouça e assista junto com a passagem

Ainda não há mídia exata catalogada para esta passagem. O relatório de conciliação conectará novos materiais quando estiverem disponíveis.

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Fonte: eBible.org · porbrbsl · obtido 2026-09-20