Uma ferida incurável não é a última palavra

Jeremias 30

O panorama

O Livro de Jeremias se volta do cerco e da ruína rumo a um futuro que não finge que nenhum dos dois foi pequeno. O capítulo começa ordenando que a promessa em si seja escrita, e depois coloca a restauração ao lado de um dia de terror tão severo que homens fortes são retratados dobrados de dor. A mesma voz que nomeia a angústia de Jacó também promete que Jacó será salvo dela. Os jugos estrangeiros se quebrarão, mas o livramento não é descrito como vida sem governo nem correção. O povo servirá ao SENHOR, e o governante davídico prometido está além dos reis imediatos que lhes falharam. A ferida de Sião é chamada incurável sem suavizar o diagnóstico, mas o Senhor então empreende a cura que nenhum remédio humano pode dar. Casas, filhos, culto, governo e celebração comum voltam juntos. O redemoinho final mantém o juízo no capítulo, de modo que a esperança nunca depende de esquecer por que a ferida veio.

Neste capítulo

Jeremias 30: Uma ferida incurável não é a última palavra
Cena do capítuloJeremias 30

A Escritura ao lado do resumo

Jeremias · Bíblia Portuguesa Mundial · 24

Jeremias 30:1-7

Escreva o retorno e a aflição

O primeiro movimento não é fuga, mas preservação da promessa. Ao Livro de Jeremias se diz que ponha as palavras por escrito antes que o capítulo descreva o pânico, o que significa que o retorno prometido já está na página quando o terror chega. Israel e Judá são nomeados juntos, e o destino é a terra dada aos seus pais, não uma melhoria vaga de circunstâncias. Depois a cena se estreita até que homens adultos são retratados segurando-se como mulheres em trabalho de parto, com os rostos sem cor diante de um dia diferente de qualquer outro. A imagem não deixa lugar para um resgate heroico de si mesmo. Contudo, a frase que nomeia o "tempo de angústia para Jacó" recusa parar na angústia. O livramento está embutido no mesmo anúncio. A passagem não permite que o medo cancele a promessa, e não permite que a promessa torne decorativo o medo. Os dois são escritos juntos de modo deliberado.

Jeremias 30:1-7: Escreva o retorno e a aflição
Cena do capítuloJeremias 30

Estudo aprofundado

A instrução de escrever dá à promessa uma vida que ultrapassa uma única escuta. Israel e Judá são mencionados juntos duas vezes, de modo que o alcance não se limita à crise imediata do reino do sul. O retorno diz respeito à terra dada a seus pais e à recuperação da posse. Antes de começar a descrição do terror, a palavra escrita já declarou aonde a passagem está indo.

Essa abertura não torna o terror ornamental. Homens seguram o corpo como mulheres em trabalho de parto, e os rostos perdem a cor. A imagem retira qualquer aparência de que a comunidade ameaçada possa dominar a crise pela força. A "aflição de Jacó" identifica uma aflição excepcional, mas a mesma frase também anuncia o livramento dela. A passagem fornece os dois elementos. Ler o terror sem o socorro, ou o socorro sem o terror, rompe a maneira como a promessa foi formulada.

Percurso versículo por versículo

  1. Jeremias 30:1

    O cabeçalho abre os capítulos 30 a 33, muitas vezes chamados de Livro da Consolação, o trecho mais longo de promessa do livro. Diferente do capítulo 29 antes dele e do capítulo 32 depois, esta palavra não traz data, e assim fica à parte das crises particulares ao seu redor.

  2. Jeremias 30:2

    “Em um livro” quer dizer num rolo. Pôr uma profecia por escrito era um modo de falar a um auditório futuro; Isaías recebeu ordem de registrá-la “num livro, para que sirva para o tempo vindouro” (Isaías 30:8). É a primeira ordem a Jeremias para escrever, antes do rolo do capítulo 36.

  3. Jeremias 30:3

    “Tomarão posse” é yarash, o verbo da conquista, usado em Josué 1:11 quando o povo foi mandado se preparar “para entrar e tomar posse da terra”. A volta é descrita como uma segunda tomada da terra, dada de novo aos herdeiros dos pais.

  4. Jeremias 30:4

    Um segundo cabeçalho introduz o poema que vem a seguir. O Livro da Consolação alterna de forma: os capítulos 30 e 31 são em grande parte poesia, os capítulos 32 e 33 em grande parte prosa. A preposição “a respeito de” é repetida, mantendo os dois reinos distintos mesmo quando reunidos.

  5. Jeremias 30:5

    “Ouvimos” põe na boca de Deus a voz do próprio povo, citando o seu pânico. “Tremor” é charadah, o estremecimento violento que tomou Isaque quando percebeu que Jacó levara a bênção de Esaú: “Isaque tremeu violentamente” (Gênesis 27:33). A paz que falta é a paz que os falsos profetas viviam prometendo (6:14).

  6. Jeremias 30:6

    A pergunta é um solavanco: homens não dão à luz, e no entanto cada homem segura os flancos como uma parturiente. “Pálidos” traduz yeraqon, a palavra do mofo que deixa o trigo em pé de um amarelo-esverdeado doentio (Deuteronômio 28:22; Amós 4:9). Os rostos ficaram da cor de uma lavoura perdida.

  7. Jeremias 30:7

    “Aquele dia é grande” é linguagem do Dia do SENHOR: “o dia do SENHOR é grande e muito terrível” (Joel 2:11). “Angústia” é tsarah, a palavra do próprio Jacó ao falar do Deus “que me respondeu no dia da minha angústia” quando fugia de Esaú (Gênesis 35:3). O livramento do patriarca é o molde para os seus descendentes.

Jeremias 30:1-7

Bíblia Portuguesa Mundial

1A palavra que veio a Jeremias da parte do SENHOR, dizendo:

2“Assim diz o SENHOR, o Deus de Israel: 'Escreva em um livro todas as palavras que eu tenho falado a você.

3Pois, eis que vêm os dias', diz o SENHOR, 'em que reverterei o cativeiro do meu povo, Israel e Judá', diz o SENHOR. 'Eu farei com que retornem à terra que dei aos seus pais, e eles tomarão posse dela.'”

4Estas são as palavras que o SENHOR falou a respeito de Israel e a respeito de Judá.

5Pois assim diz o SENHOR: “Ouvimos uma voz de tremor; uma voz de medo, e não de paz.

6Perguntem agora, e vejam se um homem sente dores de parto. Por que, então, vejo cada homem com as mãos na cintura, como uma mulher em trabalho de parto, e todos os rostos se tornaram pálidos?

7Ah! Porque aquele dia é grande, de modo que não há nenhum outro semelhante a ele! É mesmo o tempo de angústia para Jacó; mas ele será salvo dela.

Jeremias 30:8-11

O jugo se quebra no tempo determinado

Ao jugo que a falsa confiança não pôde quebrar é agora prometido um fim real, mas o tempo pertence ao Senhor e não à atuação de um profeta. O Livro de Jeremias já havia rejeitado a alegação de que o domínio da Babilônia desapareceria sob demanda. Aqui o mesmo domínio é declarado temporário sem fingir que o juízo anterior fosse um erro. O livramento também tem um destino. O povo deixa de servir senhores estrangeiros para servir ao SENHOR e a "Davi, seu rei", um governante que o Senhor diz que levantará. Essa linguagem davídica alcança além do trono danificado diante de Jeremias sem detalhar cada etapa do seu cumprimento. A garantia dada a Jacó é igualmente cuidadosa. As nações da dispersão podem chegar ao seu fim completo, mas Jacó não. A preservação, contudo, não é absolvição. A correção permanece "com justa medida", de modo que sobrevivência e disciplina estão na mesma promessa sem que nenhuma seja apagada.

Jeremias 30:8-11: O jugo se quebra no tempo determinado
Cena do capítuloJeremias 30

Estudo aprofundado

A quebra do jugo agora é uma promessa divina, não a demonstração não autorizada de Hananias. Jeremias 27-28 negou uma libertação imediata da Babilônia; esta passagem promete que o domínio estrangeiro não durará para sempre. O contraste diz respeito à palavra que estabelece o acontecimento e ao momento que lhe cabe, não a uma incoerência entre juízo e esperança.

A libertação tampouco é descrita como ausência de toda autoridade. O povo servirá ao Senhor e a "Davi, seu rei", que o Senhor levanta para eles. A formulação alcança além do rei presente um futuro davídico, sem nomear um sucessor ou explicar precisamente como esse futuro se realiza. A garantia seguinte conserva a correção "em medida". Ser preservado da destruição total não é ser declarado inocente. A promessa mantém sobrevivência e disciplina juntas, em vez de permitir que uma engula a outra.

Percurso versículo por versículo

  1. Jeremias 30:8

    “Quebrarei o jugo dele de sobre o seu pescoço” é quase a promessa de Isaque a Esaú: “sacudirá o jugo dele do seu pescoço” (Gênesis 27:40). A bênção dada outrora ao irmão preterido agora é dada a Jacó. O hebraico alterna entre o dele e o seu, o jugo do opressor no pescoço de Jacó.

  2. Jeremias 30:9

    Oseias já prometera que Israel buscaria “o SENHOR, seu Deus, e a Davi, seu rei” (Oseias 3:5), e Ezequiel nomeia “o meu servo Davi” como o pastor-rei que virá (Ezequiel 34:23–24). “Servirão” é o verbo do capítulo 27, redirecionado: do serviço da Babilônia para o serviço do SENHOR.

  3. Jeremias 30:10

    Os versículos 10 e 11 voltam quase literalmente em 46:27–28, onde encerram o oráculo contra o Egito. “Não tenha medo, ó Jacó, meu servo” tem a forma do consolo de Isaías: “Não tenha medo, Jacó, meu servo” (Isaías 44:2). “Tranquilo e em paz” descreve a calma de uma terra sem perturbação.

  4. Jeremias 30:11

    “Não darei fim a você” repete uma linha que Jeremias usou até nos seus capítulos mais duros (4:27; 5:10; 5:18). “Com justa medida” traduz lamishpat, com juízo, a mesma palavra da súplica de 10:24, que a Bíblia Portuguesa Mundial verte ali por “Corrige-me, SENHOR, mas com brandura”.

Jeremias 30:8-11

Bíblia Portuguesa Mundial

8Acontecerá naquele dia, diz o SENHOR dos Exércitos, que quebrarei o jugo dele de sobre o seu pescoço, e romperei as suas correntes. Estrangeiros não mais os farão seus escravos;

9mas eles servirão ao SENHOR, seu Deus, e a Davi, seu rei, a quem eu levantarei para eles.

10Portanto, não tenha medo, ó Jacó, meu servo, diz o SENHOR. Não fique apavorado, ó Israel. Pois, eis que eu o salvarei de longe, e salvarei a sua descendência da terra do seu cativeiro. Jacó retornará, e ficará tranquilo e em paz. Ninguém o fará ter medo.

11Pois eu estou com você, diz o SENHOR, para salvá-lo; pois darei fim a todas as nações por onde o espalhei, mas não darei fim a você; contudo, eu o corrigirei com justa medida, e de forma alguma o deixarei impune.”

Jeremias 30:12-17

O diagnóstico continua severo

A ferida é chamada incurável duas vezes, e o Livro de Jeremias não passa depressa por esse diagnóstico para chegar à linha consoladora. Os antigos amantes desapareceram, nenhum defensor aparece, e nenhum remédio é adequado. Mais agudamente ainda, o Senhor se identifica como aquele que feriu Sião porque a iniquidade dela se multiplicou. A cura vindoura, portanto, não pode ser confundida com uma retirada silenciosa da acusação. Depois os verbos se voltam. Os devoradores serão devorados, os captores capturados, os saqueadores saqueados. A culpa de Sião não concede aos seus inimigos um direito interminável de consumi-la. É aí que a cura prometida se torna surpreendente. "Eu restaurarei a sua saúde" responde a uma lesão que nenhum tratamento disponível podia tocar, porque quem pronunciou a ferida agora empreende o que a medicina não podia fazer. Os que chamaram Sião de rejeitada haviam lido o abandono como final. A promessa diz que o diagnóstico deles sobre o futuro dela estava errado.

Jeremias 30:12-17: O diagnóstico continua severo
Cena do capítuloJeremias 30
Assíria e Babilônia
Assíria e Babilônia

Estudo aprofundado

A passagem percorre lesão corporal, tratamento fracassado e abandono por antigos amantes. O diagnóstico não é que Sião apenas escolheu o remédio errado. Não há remédio adequado disponível, e a causa é explicitamente ligada à iniquidade acumulada. O Senhor fala como aquele que infligiu a ferida. Essa admissão impede que a cura prometida se torne uma mudança de assunto que silenciosamente esqueça o juízo.

Então a direção dos verbos se inverte. Devoradores serão devorados, captores levados cativos e saqueadores tornados despojo. A palavra "Portanto" introduz essa virada sem retirar a acusação anterior. A culpa de Sião não deu a seus inimigos um direito ilimitado de consumi-la. A promessa de restaurar a saúde responde à declaração anterior de que a ferida é incurável: nenhum remédio humano era adequado, mas quem fala agora assume a cura. A referência final a Sião como rejeitada expõe o desprezo que a restauração reverterá.

Percurso versículo por versículo

  1. Jeremias 30:12

    “Sua ferida é grave” retoma 10:19, “Minha chaga é grave”, onde o lamento era dito pela cidade ou pelo próprio profeta. Agora é Deus quem pronuncia o diagnóstico sobre Sião, e ele é o mesmo.

  2. Jeremias 30:13

    “Enfaixado” vem de mazor, o curativo apertado sobre uma ferida. Oseias 5:13 dissera que Judá foi buscar socorro na Assíria para a sua ferida, mas o rei “não é capaz de curar vocês, nem os curará da sua ferida”, com a mesma palavra. Os “remédios que curem” são a carne nova que se forma sobre um corte, e não há nenhuma.

  3. Jeremias 30:14

    Os amantes são os aliados que Judá cortejou, o Egito acima de todos, agora esquecidos dela. Deus chama os próprios golpes de “ferida de um inimigo” e a disciplina de “castigo de alguém cruel”. Lamentações 2:5 diz depois o mesmo: “O Senhor tornou-se como um inimigo”.

  4. Jeremias 30:15

    A última parte do versículo 14 é repetida quase palavra por palavra, a grandeza da iniquidade e os pecados multiplicados, como um médico que reafirma o diagnóstico a um paciente que não quer ouvi-lo. A pergunta “Por que você clama” não admite recurso contra o veredito.

  5. Jeremias 30:16

    “Adversários” é tsarim, da mesma raiz da “angústia”, tsarah, do versículo 7: os que angustiaram Jacó serão levados como ele foi. Isaías 33:1 traz a mesma inversão: “Quando você terminar de destruir, será destruído”.

  6. Jeremias 30:17

    “Restaurarei a sua saúde” traduz arukhah, a carne nova que cresce sobre uma ferida que sara. É a palavra da pergunta de Jeremias em 8:22: “Por que, então, a saúde da filha do meu povo não foi restaurada?” A pergunta finalmente recebe resposta. Isaías 62:12 dá a Sião o contrário do seu apelido: “Procurada, Uma Cidade Não Desamparada”.

Jeremias 30:12-17

Bíblia Portuguesa Mundial

12Pois assim diz o SENHOR: “Sua lesão é incurável. Sua ferida é grave.

13Não há ninguém para defender a sua causa, para que você seja enfaixado. Você não tem remédios que curem.

14Todos os seus amantes se esqueceram de você. Eles não procuram por você. Pois eu o feri com a ferida de um inimigo, com o castigo de alguém cruel, por causa da grandeza da sua iniquidade, porque os seus pecados se multiplicaram.

15Por que você clama por causa da sua lesão? Sua dor é incurável. Por causa da grandeza da sua iniquidade, porque os seus pecados se multiplicaram, eu fiz estas coisas a você.

16Portanto, todos os que o devoram serão devorados. Todos os seus adversários, cada um deles, irão para o cativeiro. Aqueles que o saqueiam serão saqueados. Farei com que todos os que o despojam se tornem despojo.

17Pois eu restaurarei a sua saúde, e o curarei das suas feridas”, diz o SENHOR, “porque eles o chamaram de rejeitado, dizendo: 'Esta é Sião, a quem ninguém procura.'”

Jeremias 30:18-24

A reconstrução inclui as pessoas que habitam a cidade

À restauração são dados muros, vozes, filhos, liderança e um lugar onde estar. O Livro de Jeremias não reduz a reconstrução a arquitetura, embora a própria cidade se levante de novo sobre o seu próprio monte. A ação de graças e a alegria vêm de dentro do lugar reconstruído porque uma população voltou, se multiplicou e foi estabelecida. Há crianças, há congregação, e o governante sai do meio do povo em vez de chegar como outro senhor estrangeiro. A aproximação dele ao Senhor é tornada possível pelo próprio Senhor, colocando a renovação política ao lado do acesso renovado e da declaração da aliança: "Vocês serão o meu povo, e eu serei o seu Deus." Depois o capítulo recusa um pouso suave. Um redemoinho contínuo ainda cai sobre a maldade, e a ira divina cumpre o propósito pelo qual saiu. A cidade futura, portanto, não é construída sobre a amnésia. O juízo termina a sua obra, e a restauração segue sem negar o que essa obra exigiu.

Jeremias 30:18-24: A reconstrução inclui as pessoas que habitam a cidade
Cena do capítuloJeremias 30

Estudo aprofundado

O retorno é descrito por meio de tendas, moradias, cidade, palácio, filhos e congregação. Reconstruir significa mais do que substituir alvenaria. Ação de graças e festa ressoam de uma população que aumenta, em vez de diminuir. A cidade se ergue em seu próprio lugar, associando uma habitação futura ao local que havia sido devastado.

Seu governante vem do meio do povo, e sua aproximação do Senhor é possibilitada pelo próprio Senhor. A restauração política e o acesso restaurado são colocados ao lado da relação de aliança entre Deus e o povo. Contudo, o capítulo termina com uma tempestade de ira, não com uma cena de tranquilidade sem esforço. O propósito divino não foi dividido entre uma seriedade anterior e uma indulgência posterior. O encerramento insiste que o juízo realizará sua obra. A compreensão é situada nos últimos dias, não apresentada como posse completa do cronograma em meio à crise.

Percurso versículo por versículo

  1. Jeremias 30:18

    A “colina” é o tel, o monte de entulho sobre o qual as cidades antigas eram reconstruídas camada após camada; Ai foi deixada como “um monte de ruínas para sempre” (Josué 8:28). Jerusalém vai se levantar sobre o próprio escombro. “Em seu próprio lugar” quer dizer no seu sítio legítimo.

  2. Jeremias 30:19

    “Ações de graças” é todah, a oferta de gratidão cantada no templo; 33:11 volta a ouvi-la. “Eu os multiplicarei, e eles não serão poucos” inverte a maldição da aliança em Deuteronômio 28:62: “Vocês ficarão em pequeno número, embora fossem como as estrelas do céu em multidão”.

  3. Jeremias 30:20

    “Como antes” é como nos dias antigos, a súplica de Lamentações 5:21: “Renova os nossos dias como nos tempos antigos”. “Congregação” é edah, a palavra para toda a assembleia de Israel no deserto (Números 1:2). Os filhos são contados primeiro.

  4. Jeremias 30:21

    Deuteronômio 17:15 exigia um rei “dentre os seus irmãos”, não um estrangeiro. “Teve ousadia” é, literalmente, empenhou o próprio coração, deu a vida como garantia, porque aproximar-se de Deus sem convite podia ser fatal: o rei Uzias foi ferido de lepra por queimar incenso no templo (2 Crônicas 26:16–21). Este governante é convidado a chegar perto.

  5. Jeremias 30:22

    A fórmula da aliança, dada primeiro em Êxodo 6:7 e Levítico 26:12, atravessa o livro (7:23; 11:4; 24:7) e volta em 31:33 e 32:38. Aqui ela está sozinha, como um versículo inteiro, sem nada acrescentado.

  6. Jeremias 30:23

    As palavras repetem 23:19 com uma mudança: aqui a tempestade é mitgorer, “avassaladora”, uma tormenta que varre e se demora. No capítulo 23 ela caía sobre os falsos profetas; aqui, depois das promessas a Jacó, “os ímpios” são mais naturalmente os seus opressores.

  7. Jeremias 30:24

    “Ira ardente” é, literalmente, o ardor do nariz. “Os propósitos do seu coração” são os seus desígnios firmados. O capítulo 23 fechou o mesmo dito com “entenderão isso perfeitamente”; aqui é só “vocês entenderão isso”, apontando para as promessas do capítulo seguinte.

Jeremias 30:18-24

Bíblia Portuguesa Mundial

18Assim diz o SENHOR: “Eis que reverterei o cativeiro das tendas de Jacó, e terei compaixão das suas moradas. A cidade será reconstruída sobre a sua própria colina, e o palácio será habitado em seu próprio lugar.

19Deles procederão ações de graças e a voz dos que se alegram. Eu os multiplicarei, e eles não serão poucos; também os glorificarei, e eles não serão insignificantes.

20Seus filhos também serão como antes, e a sua congregação será estabelecida diante de mim. Eu castigarei todos os que os oprimem.

21Seu príncipe será um deles, e o seu governante procederá do meio deles. Eu farei com que ele se aproxime, e ele chegará perto de mim; pois quem é aquele que teve ousadia para se aproximar de mim?”, diz o SENHOR.

22“Vocês serão o meu povo, e eu serei o seu Deus.

23Eis que a tempestade do SENHOR, a sua ira, saiu, uma tempestade avassaladora; ela desabará sobre a cabeça dos ímpios.

24A ira ardente do SENHOR não retrocederá até que ele tenha realizado, e até que tenha cumprido os propósitos do seu coração. Nos últimos dias vocês entenderão isso.”

Questões para manter em mente durante a leitura

  1. Identifique a crise histórica, a quebra da aliança, a advertência e a esperança.
  2. Distinga o público imediato do profeta de conexões bíblicas posteriores.
  3. Não transforme manchetes atuais em cumprimentos seguros sem evidência textual.

Primeiro o texto

Onde os leitores divergem

O resumo começa com o que a passagem diz e como suas partes se relacionam. Ele não presume que uma denominação já resolveu todas as questões. A dependência de uma tradição, teoria literária ou reconstrução histórica é claramente identificada.

O texto bíblico aparece primeiro. As conclusões interpretativas são identificadas, e as diferenças surgem quando ajudam a explicar por que comunidades sérias nem sempre chegam à mesma resposta.

As notas interpretativas comparativas deste capítulo estão em preparação. Até que as notas revisadas estejam prontas, esta página separa o texto bíblico do resumo e da aplicação sem afirmar que leitores responsáveis concordam em todas as questões.

Questões sob a superfície

  1. Que parte de Jeremias 30 faz você parar, se sentir desconfortável ou se surpreender, e por quê?
  2. Que detalhe da passagem seria fácil ignorar? Como esse detalhe muda sua compreensão?
  3. Onde você percebe tensão entre o que acontece e este foco: Jeremias 30?
  4. Que pergunta importante a passagem deixa aberta em vez de resolver rapidamente?

Perguntas para uma reflexão pessoal séria

Estas perguntas são intencionalmente abertas. Permaneça com a tensão da passagem, responda com honestidade e volte à Escritura antes de chegar a uma conclusão.

Observe sem pressa

  1. Que parte de Jeremias 30 faz você parar, se sentir desconfortável ou se surpreender, e por quê?

  2. Que detalhe da passagem seria fácil ignorar? Como esse detalhe muda sua compreensão?

  3. Onde você percebe tensão entre o que acontece e este foco: Jeremias 30 se desenvolve por meio de suas próprias vozes, ações, afirmações e consequências?

  4. Que pergunta importante a passagem deixa aberta em vez de resolver rapidamente?

Examine seu interior com honestidade

  1. Com qual pessoa, resposta, medo ou desejo da passagem você mais se identifica neste momento?

  2. Que suposição sua sobre Deus, outras pessoas ou você mesmo este texto desafia?

  3. Que parte você preferiria suavizar, evitar ou explicar depressa demais? O que essa reação pode revelar?

  4. Se esta Escritura pudesse fazer uma pergunta direta a você, qual seria?

Responda com sabedoria e coragem

  1. O que você precisa lembrar, confessar, lamentar, agradecer ou confiar depois de ler esta passagem?

  2. Como outra pessoa fiel poderia ler esta situação de modo diferente sem ignorar o texto?

  3. Que resposta obediente seria difícil, desconfortável ou lenta, mas ainda fiel à Escritura?

  4. Que pergunta você levará à oração nesta semana e quais versículos manterá diante de si?

Ouça e assista junto com a passagem

A mídia relacionada aparece somente quando sua referência bíblica coincide com esta unidade. Use música e vídeo como companhia e depois retorne ao texto.

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Fonte: eBible.org · porbrbsl · obtido 2026-09-20