Uma família lembrada e uma terra que retorna lentamente

Gênesis 8

O panorama

Gênesis 8 é um capítulo de retorno gradual. Deus se lembra de Noé e de todo ser vivo que está com ele, e o lembrar se torna ação de imediato quando as águas começam a recuar. E ainda assim nada acontece de uma vez. A arca repousa antes que apareçam os topos dos montes; um corvo e os voos repetidos de uma pomba testam as condições além da embarcação; uma folha de oliveira dá uma pequena prova de que a terra viva está voltando. Mesmo quando Noé pode ver superfície seca, ele espera a ordem de sair. A saída então ecoa a criação, pois os animais são soltos rumo à fecundidade e à multiplicação. O primeiro ato registrado de Noé sobre a terra restaurada é edificar um altar, e os animais puros preservados em número adicional têm agora um propósito no sacrifício. A promessa final é notável porque não depende de uma declaração de que a humanidade se tornou inocente. O mal humano continua reconhecido, e ainda assim a semeadura, a colheita, as estações e o dia e a noite recebem promessa de continuidade enquanto a terra durar.

Neste capítulo

Gênesis 8: Uma família lembrada e uma terra que retorna lentamente
Cena do capítuloGênesis 8

A Escritura ao lado do resumo

Gênesis · Bíblia Portuguesa Mundial · 22

Gênesis 8:1-5

Lembrar torna-se ação

"Deus se lembrou de Noé" não sugere que Noé ou os animais tivessem escapado da memória divina. A frase define de imediato o lembrar por meio da ação. Um vento passa sobre a terra, as fontes do dilúvio são contidas, e as águas começam sua longa retirada. Os ecos da criação são difíceis de não notar: vento sobre as águas, água recuando, terra começando a reaparecer. E ainda assim Gênesis se recusa a reduzir a recuperação a um único momento dramático. A arca repousa no sétimo mês, mas os topos dos montes não se tornam visíveis até o décimo. Deixar de ser carregado pelo dilúvio não é o mesmo que ter um mundo pronto para habitar. Mesmo "os montes de Ararate" nomeia uma região em vez de identificar um cume moderno com precisão suficiente para justificar certeza sobre um pico específico. O ritmo da seção é parte de seu sentido. A lembrança divina inicia o retorno, mas o retorno se desdobra por etapas, com a terra seca emergindo aos poucos de um mundo ainda quase todo coberto.

Gênesis 8:1-5: Lembrar torna-se ação
Cena do capítuloGênesis 8

Estudo aprofundado

“Deus se lembrou de Noé” não exige um lapso anterior de atenção divina. A frase passa imediatamente à ação em favor de Noé e de toda criatura vivente com ele. O vento, o fechamento das fontes de água e o recuo gradual do dilúvio descrevem o que o lembrar realiza dentro dessa cena.

O movimento recorda a criação: vento passa sobre águas, as águas recuam e a terra começa a emergir. Mas as etapas permanecem distintas. A arca repousa sobre os montes de Ararate no sétimo mês, enquanto os topos dos montes se tornam visíveis no décimo. O plural “montes” não identifica o cume moderno exato em que restos precisem ser encontrados. O texto fixa uma região e uma sequência. Seu ritmo importa tanto quanto o repouso: já não estar flutuando ainda não é o mesmo que ter uma terra pronta para habitação comum.

Percurso versículo por versículo

  1. Gênesis 8:1

    O verbo usado quando Deus "se lembrou" reaparece quando ele se lembra de Abraão e livra Ló em Gênesis 19:29, de Raquel em 30:22 e de sua aliança com Israel em Êxodo 2:24. A diminuição das águas é descrita com shakhakh, verbo usado em Ester 7:10 para o arrefecimento da ira do rei. As águas cedem como uma indignação que se acalma.

  2. Gênesis 8:2

    A ordem deste versículo desfaz a de 7:11: primeiro são fechadas as fontes do abismo, depois as janelas do céu. Comparado com 7:12, surge também uma distinção importante. A chuva caiu durante quarenta dias, mas as fontes e as janelas permanecem apresentadas como abertas até este ponto, muito depois do fim daqueles quarenta dias.

  3. Gênesis 8:3

    A ideia de recuo contínuo é expressa por um idioma hebraico que significa literalmente ir e voltar. As águas retrocedem como se refizessem o caminho de sua chegada. O mesmo par de verbos será usado para os movimentos do corvo em 8:7. O verbo chaser, traduzido pela redução das águas, significa faltar, diminuir ou tornar-se escasso.

  4. Gênesis 8:4

    O verbo hebraico para "repousou" é vattanach, derivado de nuach, raiz que também ressoa no nome Noé. Assim, a arca associada ao homem chamado Noé chega ao repouso. Ararate corresponde à forma hebraica de Urartu, nome assírio do reino situado na região do lago Van. O mesmo nome geográfico aparece novamente em 2 Reis 19:37.

  5. Gênesis 8:5

    A arca já havia repousado no sétimo mês, mas os cumes só ficaram visíveis no primeiro dia do décimo, aproximadamente setenta e quatro dias depois. Isso indica que a embarcação se fixou sobre uma elevação ainda coberta pelas águas. A expressão traduzida por recuo contínuo transmite novamente a ideia hebraica de ir diminuindo gradualmente, numa queda medida ao longo de meses.

Gênesis 8:1-5

Bíblia Portuguesa Mundial

1Deus se lembrou de Noé, de todos os animais e de todo o gado que estavam com ele na arca; e Deus fez passar um vento sobre a terra. As águas baixaram.

2As fontes do abismo e as janelas do céu também foram fechadas, e a chuva do céu foi contida.

3As águas recuaram continuamente da terra. Ao fim de cento e cinquenta dias, as águas haviam baixado.

4A arca repousou no sétimo mês, no décimo sétimo dia do mês, sobre os montes de Ararate.

5As águas recuaram continuamente até o décimo mês. No décimo mês, no primeiro dia do mês, os cumes dos montes se tornaram visíveis.

Gênesis 8:6-12

Uma janela, duas aves e várias esperas

A janela de Noé se torna instrumento para saber como é o mundo lá fora antes que alguém possa caminhar nele. O corvo vai e volta, enquanto os três voos da pomba produzem uma sequência de evidências cada vez mais esperançosas. Primeiro não há lugar de descanso, e Noé estende a mão e recolhe a ave de volta para a arca. Depois de mais sete dias, a pomba retorna ao entardecer com uma folha de oliveira recém-colhida. Depois de outros sete, ela não retorna. A espera importa. Noé não recebe conhecimento instantâneo da condição da terra, e um topo de monte visível não é tratado como prova de que a vida comum possa recomeçar em toda parte. Gênesis também mantém modesta a famosa imagem da oliveira. O texto diz folha, não ramo, e não lhe atribui um simbolismo diplomático posterior. Seu sentido imediato é maravilhosamente prático: há vegetação viva acessível lá fora, as águas baixaram, e um homem encerrado por meses pode enfim deduzir a mudança a partir de algo pequeno o bastante para caber no bico de uma ave.

Gênesis 8:6-12: Uma janela, duas aves e várias esperas
Cena do capítuloGênesis 8

Estudo aprofundado

O corvo vai e volta, enquanto os voos da pomba são descritos por resultados sucessivos. A janela se torna um meio de testar as condições além da arca. Cada retorno ou ausência acrescenta informação sobre um mundo que Noé ainda não pode inspecionar a pé. O reaparecimento da terra não é conhecido de uma só vez; sua condição se esclarece por esses pequenos movimentos repetidos.

A primeira pomba não encontra lugar de repouso e é recolhida pela mão de Noé. A seguinte retorna à tarde com uma folha de oliveira recém-arrancada; o voo final termina sem retorno. Os intervalos de sete dias mantêm a incerteza e a espera dentro do relato. A folha dá evidência de vegetação que retorna, não prova de que todo vale já seja habitável. Gênesis tampouco a chama de ramo de oliveira nem lhe atribui aqui um significado diplomático universal. Seu significado imediato é maravilhosamente específico: algo vivo agora está acessível além da arca, e Noé pode inferir que a água diminuiu.

Percurso versículo por versículo

  1. Gênesis 8:6

    Estes quarenta dias são contados a partir do aparecimento dos primeiros cumes, formando outro período de quarenta além dos quarenta dias de chuva. A palavra hebraica para janela é challon, uma abertura ou caixilho que pode ser aberto e fechado. Pela primeira vez desde o início do dilúvio, Noé abre a janela da arca para observar as condições exteriores.

  2. Gênesis 8:7

    O corvo será classificado como ave impura em Levítico 11:15. Como ave necrófaga, poderia encontrar alimento no que permanecesse flutuando depois do dilúvio. A expressão traduzida por voar de um lado para o outro significa literalmente sair e voltar, indicando movimentos repetidos sem regressar para permanecer na arca. No relato babilônico do dilúvio, o corvo é enviado por último; em Gênesis, ele vai primeiro.

  3. Gênesis 8:8

    Pomba é yonah em hebraico, o mesmo nome do profeta Jonas. Mais tarde, a pomba aparece também entre as aves puras oferecidas no altar, como em Levítico 1:14. O teste de Noé se concentra especificamente na superfície da adamah, o solo cultivável, e não apenas na existência de terra. É esse ponto que a folha de oliveira responderá.

  4. Gênesis 8:9

    A palavra traduzida por lugar para pousar está ligada a manoach, outra forma da raiz que aparece no nome Noé. Assim, a ave do homem cujo nome evoca descanso ainda não encontra descanso para o pé. Deuteronômio 28:65 emprega linguagem semelhante para Israel disperso entre as nações, sem encontrar repouso para a planta do pé.

  5. Gênesis 8:10

    O verbo usado para a espera envolve expectativa, não simples inatividade. A mesma raiz aparece em Jó 13:15 num contexto de continuar aguardando em meio à aflição. A referência a "outros sete dias" pressupõe um período anterior de sete dias, possivelmente entre o envio do corvo e o primeiro envio da pomba, embora o relato não descreva explicitamente essa primeira semana.

  6. Gênesis 8:11

    O retorno ao entardecer combina com o horário em que aves costumam voltar ao lugar de repouso. O verbo hebraico por trás de "recém-arrancada" é taraf, ligado à ideia de rasgar ou arrancar e usado em Gênesis 37:33 no lamento de Jacó por José. Como oliveiras não costumam crescer nas maiores altitudes, uma folha fresca sugere que terrenos mais baixos já estavam expostos, embora essa conclusão seja inferida da árvore.

  7. Gênesis 8:12

    A espera de Noé passa a ser medida em semanas, unidade que Gênesis não destacava dessa maneira desde os sete dias ligados à criação e ao início do dilúvio. A pomba é enviada em três ocasiões separadas por períodos de sete dias. Na última vez, a resposta não vem por um objeto trazido, mas pela ausência da ave, que encontrou onde permanecer.

Gênesis 8:6-12

Bíblia Portuguesa Mundial

6Ao fim de quarenta dias, Noé abriu a janela da arca que ele havia feito,

7e soltou um corvo. Ele voava de um lado para o outro, até que as águas secassem de sobre a terra.

8Ele também soltou uma pomba, para ver se as águas haviam baixado da superfície da terra,

9mas a pomba não encontrou lugar para pousar o pé, e voltou para ele na arca, pois as águas cobriam a superfície de toda a terra. Ele estendeu a mão, pegou-a e a trouxe para junto de si, para dentro da arca.

10Ele esperou ainda outros sete dias; e novamente soltou a pomba fora da arca.

11A pomba voltou para ele ao entardecer e, eis que em seu bico havia uma folha de oliveira recém-arrancada. Assim Noé soube que as águas haviam baixado da terra.

12Ele esperou ainda outros sete dias, e soltou a pomba; e ela não voltou mais para ele.

Gênesis 8:13-19

Ver a terra seca e receber a ordem de sair

Gênesis distingue com cuidado entre ver terra seca e receber permissão para sair. Noé remove a cobertura e observa que a face do solo está seca no primeiro dia de seu ano seiscentos e um. Dá-se então uma data posterior para a terra estar seca, e só depois disso Deus ordena que a família saia. O intervalo não é preenchido com medo inventado, impaciência ou debate privado. As etapas são simplesmente deixadas de pé. A saída também repete a lógica da entrada. Noé, sua mulher, seus filhos, as mulheres deles e as criaturas saem todos, e os animais são dirigidos à procriação, à fecundidade e à multiplicação. A linguagem remonta a Gênesis 1. O dilúvio não produziu um mundo só humano no qual o restante da vida tenha se tornado dispensável. As mesmas categorias preservadas através do juízo são soltas numa abundância renovada. O encerramento que começou por ordem termina por ordem, e a vida volta à terra em companhia ordenada.

Gênesis 8:13-19: Ver a terra seca e receber a ordem de sair
Cena do capítuloGênesis 8

Estudo aprofundado

O primeiro dia do sexcentésimo primeiro ano de Noé traz uma observação da superfície da terra. A data posterior, no segundo mês, marca a terra como seca, seguida pela ordem de partir. Gênesis distingue o que Noé vê do momento da liberação. O intervalo não é explicado por uma luta interior com medo ou relutância; o relato simplesmente registra as etapas e a ordem.

As criaturas que saem são novamente organizadas segundo suas espécies. O dilúvio não terminou num mundo reservado a oito sobreviventes humanos enquanto o resto da criação é descartado. Deus dirige explicitamente os animais à abundância, à fecundidade e à multiplicação. A linguagem retorna a Gênesis 1, mas agora é pronunciada sobre a vida preservada que emerge do juízo. A família também sai junta, correspondendo à entrada familiar anterior. O relato encerra cuidadosamente o confinamento antes de passar ao primeiro ato registrado de Noé na terra restaurada.

Percurso versículo por versículo

  1. Gênesis 8:13

    A data corresponde ao primeiro dia do primeiro mês do ano seiscentos e um da vida de Noé. Assim, o aparecimento da terra seca coincide com o início de um novo ano. A palavra hebraica para a "cobertura" da arca é mikseh, termo que Êxodo 26:14 emprega para uma cobertura colocada sobre o tabernáculo.

  2. Gênesis 8:14

    Contando desde o décimo sétimo dia do segundo mês de 7:11 até o vigésimo sétimo dia do segundo mês seguinte, o período chega a um ano e onze dias. Há muito se observa que um ano lunar de 354 dias mais onze resulta em 365 dias, aproximadamente um ano solar. O verbo yavesh, secar, pertence à mesma família da "terra seca" de Gênesis 1:9.

  3. Gênesis 8:15

    As últimas palavras de Deus registradas para Noé haviam ocorrido antes da chuva, em 7:4. Durante mais de um ano dentro da arca, o Livro de Gênesis não registra nova fala divina dirigida a ele. Noé já tinha visto a superfície seca em 8:13, mas não saiu por iniciativa própria. Agora, o período de silêncio termina com uma nova ordem de Deus.

  4. Gênesis 8:16

    O verbo hebraico traduzido por "saia" é yatsa, palavra importante para saídas decisivas no Pentateuco. Em Gênesis 15:7, Deus a emprega ao lembrar que tirou Abrão de Ur, e depois ela se tornará central para a saída de Israel do Egito. A ordem aqui também organiza a família em pares conjugais, mencionando Noé e sua esposa, seus filhos e as esposas deles.

  5. Gênesis 8:17

    O verbo traduzido por "se reproduzam abundantemente" é sharats, literalmente enxamear ou abundar, usado em Gênesis 1:20 para as águas cheias de seres vivos. Agora a mesma ideia é aplicada aos animais que saem para a terra. A bênção de ser frutífero e multiplicar-se, dada aos animais na criação, é pronunciada novamente depois do dilúvio.

  6. Gênesis 8:18

    Deus havia ordenado a saída mencionando Noé, sua esposa, seus filhos e as esposas deles. Noé, porém, sai na mesma ordem em que entrou segundo 7:7: primeiro ele e seus filhos, depois sua esposa e as mulheres dos filhos. A diferença está apenas na ordem em que os membros da família são listados, e Gênesis registra ambas as formulações.

  7. Gênesis 8:19

    A expressão hebraica aqui não usa o termo habitual traduzido por espécie. O texto diz que os animais saíram segundo suas famílias, mishpachot. Essa palavra será usada em Gênesis 10:5 para organizar os povos e mais tarde para os clãs de Israel. A saída da arca apresenta, portanto, os animais agrupados como unidades familiares.

Gênesis 8:13-19

Bíblia Portuguesa Mundial

13No ano seiscentos e um, no primeiro mês, no primeiro dia do mês, as águas secaram de sobre a terra. Noé removeu a cobertura da arca e olhou. Ele viu que a superfície da terra estava seca.

14No segundo mês, no vigésimo sétimo dia do mês, a terra estava seca.

15Deus falou a Noé, dizendo:

16“Saia da arca, você, sua esposa, seus filhos e as esposas de seus filhos com você.

17Traga para fora com você todo ser vivo que está com você, de toda carne, incluindo aves, gado e todo animal que rasteja sobre a terra, para que se reproduzam abundantemente na terra, sejam frutíferos e se multipliquem sobre a terra.”

18Noé saiu, com seus filhos, sua esposa e as esposas de seus filhos com ele.

19Todo animal, todo animal rastejante e toda ave, tudo o que se move sobre a terra, segundo as suas famílias, saíram da arca.

Gênesis 8:20-22

Um altar ao lado de uma avaliação difícil

A primeira construção registrada de Noé depois do dilúvio é um altar. Os animais puros distinguidos antes da entrada tornam-se agora ofertas, ligando um detalhe logístico anterior à adoração sobre a terra restaurada. A resposta de Deus é descrita pela linguagem de um aroma agradável e depois por uma resolução formada "em seu coração". O marcante é a razão que não aparece. Deus não promete estabilidade porque a humanidade tenha se tornado inocente. A avaliação de que a inclinação do coração do homem é má desde a sua juventude permanece presente depois do dilúvio, parecendo-se muito com o diagnóstico que o precedeu. As águas removeram um mundo de violência, mas não refizeram mecanicamente a natureza humana. A promessa de ritmos terrestres continuados repousa portanto no compromisso divino, e não na alegação de que o problema humano de fundo tenha desaparecido. A semeadura e a colheita, o frio e o calor, o verão e o inverno, o dia e a noite continuarão enquanto a terra durar. A continuidade é prometida em plena consciência da fragilidade humana.

Gênesis 8:20-22: Um altar ao lado de uma avaliação difícil
Cena do capítuloGênesis 8

Estudo aprofundado

Noé constrói um altar antes que Gênesis registre uma casa ou um campo plantado. Os animais limpos distinguidos antes da entrada agora fornecem as ofertas. O texto descreve a aceitação divina pela linguagem de aroma doce, depois apresenta a resolução divina no próprio coração de Deus. Não relata uma negociação humana que force essa resolução.

A continuidade perturbadora é a avaliação do coração humano. Antes do dilúvio, o mal generalizado fazia parte da razão declarada para o juízo. Depois do dilúvio, o mal desde a juventude continua reconhecido dentro do anúncio de que tal destruição não será repetida. O dilúvio não produziu mecanicamente uma humanidade inocente. Portanto, o compromisso com a continuidade do mundo não é recompensa por uma transformação que o capítulo diga já ter sido alcançada.

Semeadura e colheita, frio e calor, verão e inverno, dia e noite fornecem o vocabulário dessa continuidade. A promessa diz respeito à permanência desses ritmos enquanto a terra existir, não à ausência de toda fome, tempestade ou desastre local posterior. Sua escala é a persistência do mundo ordenado. A vida pode voltar a ser plantada e colhida mesmo que o problema do mal humano não tenha desaparecido com as águas que recuam.

Percurso versículo por versículo

  1. Gênesis 8:20

    Até este ponto, as ações principais de Noé haviam seguido ordens expressas, mas a construção do altar não é apresentada como resposta a um mandamento. Este é o primeiro altar mencionado nas Escrituras. Mizbeach significa literalmente lugar de abate. A oferta queimada é olah, aquilo que sobe, porque o animal inteiro é consumido pelo fogo, diferentemente da minchah, oferta mencionada no caso de Abel.

  2. Gênesis 8:21

    A expressão para "aroma agradável" é reach hannichoach, literalmente um cheiro de descanso ou suavização. Nichoach volta a ecoar nuach, a raiz associada ao nome Noé, e essa fórmula se repetirá muitas vezes em Levítico. A afirmação de que o SENHOR falou em seu coração também corresponde a Gênesis 6:6, onde sua tristeza havia sido relacionada ao coração.

  3. Gênesis 8:22

    O versículo apresenta quatro pares de opostos: plantio e colheita, frio e calor, verão e inverno, dia e noite. A combinação de frio e calor não aparece como par em outro lugar das Escrituras. A expressão inicial significa literalmente todos os dias da terra, sugerindo que a terra possui um período determinado. O verbo traduzido por cessar é shavat, o mesmo verbo de descanso usado em Gênesis 2:2.

Gênesis 8:20-22

Bíblia Portuguesa Mundial

20Noé construiu um altar ao SENHOR, e tomou de todo animal puro e de toda ave pura, e ofereceu holocaustos no altar.

21O SENHOR sentiu o aroma agradável. O SENHOR disse em seu coração: “Nunca mais amaldiçoarei a terra por causa do homem, porque a inclinação do coração do homem é má desde a sua juventude. Nunca mais ferirei todo ser vivo, como fiz.

22Enquanto a terra durar, plantio e colheita, frio e calor, verão e inverno, dia e noite não cessarão.”

Questões para manter em mente durante a leitura

  1. Acompanhe quem age, quem fala, quem é afetado e o que muda.
  2. Observe promessas, fracassos, livramentos e consequências repetidas.
  3. Não suponha que o relato aprove toda ação que narra.

Primeiro o texto

Onde os leitores divergem

O resumo começa com o que a passagem diz e como suas partes se relacionam. Ele não presume que uma denominação já resolveu todas as questões. A dependência de uma tradição, teoria literária ou reconstrução histórica é claramente identificada.

O texto bíblico aparece primeiro. As conclusões interpretativas são identificadas, e as diferenças surgem quando ajudam a explicar por que comunidades sérias nem sempre chegam à mesma resposta.

Perspectivas interpretativas

O dilúvio foi global ou regional?

A narrativa usa linguagem abrangente sobre a terra, os seres vivos e as águas sobre os montes. Uma leitura global entende esse alcance como mundial; uma leitura regional afirma que expressões universais podem descrever o mundo conhecido pela narrativa. Ambas precisam explicar os detalhes e as repetições de Gênesis 6 a 9.

Este estudo não apresenta uma afirmação geológica ou arqueológica disputada como prova resolvida. A ênfase teológica é explícita: a violência traz juízo, Deus preserva a vida e depois estabelece uma aliança.

Gênesis 6:11-13 · Gênesis 7:17-24 · Gênesis 8:1-22 · Gênesis 9:8-17 · Gênesis 41:57

Questões sob a superfície

  1. Que parte de Gênesis 8 faz você parar, se sentir desconfortável ou se surpreender, e por quê?
  2. Que detalhe da passagem seria fácil ignorar? Como esse detalhe muda sua compreensão?
  3. Onde você percebe tensão entre o que acontece e este foco: Gênesis 8?
  4. Que pergunta importante a passagem deixa aberta em vez de resolver rapidamente?

Perguntas para uma reflexão pessoal séria

Estas perguntas são intencionalmente abertas. Permaneça com a tensão da passagem, responda com honestidade e volte à Escritura antes de chegar a uma conclusão.

Observe sem pressa

  1. Que parte de Gênesis 8 faz você parar, se sentir desconfortável ou se surpreender, e por quê?

  2. Que detalhe da passagem seria fácil ignorar? Como esse detalhe muda sua compreensão?

  3. Onde você percebe tensão entre o que acontece e este foco: O juízo cai sobre um mundo cheio de violência, mas Noé, sua família e os animais da arca atravessam as águas rumo a uma aliança renovada.?

  4. Que pergunta importante a passagem deixa aberta em vez de resolver rapidamente?

Examine seu interior com honestidade

  1. Com qual pessoa, resposta, medo ou desejo da passagem você mais se identifica neste momento?

  2. Que suposição sua sobre Deus, outras pessoas ou você mesmo este texto desafia?

  3. Que parte você preferiria suavizar, evitar ou explicar depressa demais? O que essa reação pode revelar?

  4. Se esta Escritura pudesse fazer uma pergunta direta a você, qual seria?

Responda com sabedoria e coragem

  1. O que você precisa lembrar, confessar, lamentar, agradecer ou confiar depois de ler esta passagem?

  2. Como outra pessoa fiel poderia ler esta situação de modo diferente sem ignorar o texto?

  3. Que resposta obediente seria difícil, desconfortável ou lenta, mas ainda fiel à Escritura?

  4. Que pergunta você levará à oração nesta semana e quais versículos manterá diante de si?

Ouça e assista junto com a passagem

A mídia relacionada aparece somente quando sua referência bíblica coincide com esta unidade. Use música e vídeo como companhia e depois retorne ao texto.

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Fonte: eBible.org · porbrbsl · obtido 2026-09-20