O panorama
Mateus 6 faz à prática religiosa uma pergunta recorrente: quem é a plateia pretendida? Dar, orar e jejuar podem ser dirigidos a Deus enquanto se busca silenciosamente o reconhecimento humano, de modo que Jesus contrasta a atuação pública com o Pai que vê em secreto. A oração modelo então une as maiores preocupações, o nome, o Reino e a vontade de Deus, às necessidades comuns de pão, perdão e livramento. Dali o capítulo se volta para posse e ansiedade. O tesouro terreno pode ser comido, corrompido ou roubado; as imagens do olho e do senhor expõem orientação dividida; e o cuidado ansioso não consegue assegurar a vida pela qual se preocupa. Aves, flores, necessidade diária e dificuldade diária permanecem reais. O mandamento final ordena a preocupação em direção ao Reino sem fingir que o amanhã não contenha dificuldade.
Neste capítulo
- Uma trombeta é uma forma cara de ser notado Mateus 6:1-4
O problema da esmola é nomeado no propósito: ela é feita "para serem vistos".
- Oração sem um público secundário Mateus 6:5-8
Jesus identifica duas maneiras distintas pelas quais a oração pode ser desviada de seu propósito.
- Pão diário dentro de uma oração da dimensão do reino Mateus 6:9-15
A oração começa na maior escala com o nome, o Reino e a vontade do Pai, e então coloca o pão diário dentro do mesmo endereço.
- Jejum sem figurino Mateus 6:16-18
O jejum pode virar fantasia.
- Tesouro que não consegue manter a si mesmo seguro Mateus 6:19-24
O tesouro terreno é apresentado por seus inimigos.
- Amanhã não é acrescentado à carga de hoje Mateus 6:25-34
"Não andem ansiosos" soa mais duro ao ouvido moderno do que o argumento que Mateus registra.

A Escritura ao lado do resumo
Mateus · Bíblia Portuguesa Mundial · 34Mateus 6:1-4
Uma trombeta é uma forma cara de ser notado
O problema da esmola é nomeado no propósito: ela é feita "para serem vistos". Mateus já permitiu no capítulo 5 que boas obras sejam visíveis, de modo que a questão não pode ser mera publicidade. Ali, obras visíveis redirecionam a glória para o Pai; aqui, o ato foi arranjado para pagar ao doador em admiração. A frase repetida de Jesus de que tais atores "já receberam a sua recompensa" soa quase como uma transação encerrada. Eles queriam ser notados e foram, mas o pagamento é menor do que a atuação religiosa sugeria. A trombeta torna a ostentação quase cômica, quer se imagine ou não uma banda beneficente literal. Então a imagem gira para o outro lado: a mão esquerda não deve saber o que faz a direita. Dar também não deve virar um desfile privado de autoaprovação. A visão do Pai supre o reconhecimento que o segredo parece remover, deixando o doador livre para ajudar sem se tornar o centro da dádiva.

Estudo aprofundado
A questão é declarada na oração de finalidade: os atos são feitos para ser vistos. O capítulo 5 já permitiu que boas obras sejam visíveis, portanto a publicidade sozinha não é a contradição. Ali as obras dirigem glória ao Pai; aqui asseguram glória para quem dá. O veredicto repetido de que os praticantes já receberam sua recompensa é quase uma declaração contábil. Buscaram admiração e a receberam. A transação está concluída, mas a recompensa é muito menor do que a apresentação religiosa sugeria.
A trombeta pertence à ostentação da imagem. Mateus não precisa estabelecer um costume universal de trombeteiros literais acompanhando a caridade para que o contraste funcione. A ignorância da mão esquerda sobre a direita apresenta o ponto oposto por meio de outra imagem impossível: dar tampouco deve se tornar uma cerimônia particular de autoelogio. O olhar do Pai fornece o reconhecimento que o segredo parece remover. A necessidade do pobre permanece real o tempo todo, mas o parágrafo dirige seu exame a quem dá, cuja reputação pública tentou ocupar o centro de um ato supostamente dirigido a outro lugar.
Percurso versículo por versículo
- Mateus 6:1
Muitos dos manuscritos mais antigos trazem justiça aqui em vez de “atos de caridade”, o que faz do versículo um título sobre as três práticas seguintes: dar, orar e jejuar. “para serem vistos” é theathenai, da mesma raiz da nossa palavra teatro.
- Mateus 6:2
Em grego, “hipócritas” eram primeiro atores de teatro, que falavam por trás de uma máscara. Nenhuma fonte registra alguém tocando trombeta por causa de uma doação; alguns lembram as caixas de ofertas do templo em forma de trombeta, que retiniam quando as moedas caíam, mas isso continua sendo palpite. A frase pode ser simples exagero cômico.
- Mateus 6:3
O discurso se estreita de vocês para você, um doador de cada vez. A imagem é hipérbole deliberada, pois mãos não sabem de nada, e vai além de esconder a oferta dos vizinhos. A mão direita era a que dava, e nem a companheira na ponta do outro braço deve olhar.
- Mateus 6:4
A Mixná descreve no templo uma câmara dos segredos, onde os piedosos deixavam ofertas sem serem vistos e famílias pobres de boa reputação eram sustentadas sem serem envergonhadas. A palavra “publicamente”, aqui e de novo no versículo 6, falta nos manuscritos mais antigos.
Mateus 6:1-4
Bíblia Portuguesa Mundial1“Tenham o cuidado de não praticar os seus atos de caridade diante dos homens para serem vistos por eles; do contrário, vocês não terão recompensa do seu Pai, que está nos céus.
2Portanto, quando você fizer obras de misericórdia, não toque trombeta diante de si mesmo, como fazem os hipócritas nas sinagogas e nas ruas, para serem glorificados pelos homens. Em verdade lhes digo: eles já receberam a sua recompensa.
3Mas, quando você fizer obras de misericórdia, não deixe a sua mão esquerda saber o que faz a sua mão direita,
4para que as suas obras de misericórdia sejam feitas em secreto; então o seu Pai, que vê em secreto, o recompensará publicamente.
Mateus 6:5-8
Oração sem um público secundário
Jesus identifica duas maneiras distintas pelas quais a oração pode ser desviada de seu propósito. Uma oração é dirigida de lado, para espectadores, mesmo que suas palavras se enderecem para cima. O quarto fechado responde a essa distorção removendo a plateia secundária. O segundo problema não é a localização pública, mas a alavancagem verbal, a crença de que "falar muito" pode forçar uma audiência. O conhecimento prévio do Pai responde a esse. Ele não precisa ser desgastado até perceber uma necessidade que de algum modo lhe teria escapado. Isso não transforma toda frase repetida em vã repetição. Mateus registra adiante que Jesus ora novamente com as mesmas palavras, de modo que a persistência em si não é o alvo. A falha está na confiança depositada na quantidade verbal, como se a extensão pudesse comprar atenção. A oração escondida e o Pai que já sabe preparam as petições simples que se seguem. A oração modelo será substancial, mas não precisará do maquinário da atuação ou da manipulação.
Estudo aprofundado
Jesus identifica duas distorções distintas. Uma oração é dirigida lateralmente aos observadores, mesmo quando suas palavras se dirigem a Deus. Outra confia em um acúmulo de palavras como se o volume pudesse comprar uma audiência. O quarto particular e a porta fechada respondem à primeira. O conhecimento do Pai sobre a necessidade antes do pedido responde à segunda. Nenhuma correção depende da afirmação de que Deus só ouve oração em ambientes internos ou de que toda frase repetida é automaticamente vazia.
Mateus 26:44 descreverá Jesus orando novamente com as mesmas palavras. Essa cena posterior impede que "vãs repetições" se torne uma proibição da persistência ou da linguagem repetida em si. A falha aqui é a confiança depositada no muito falar. O Pai não é uma autoridade desinformada que precisa receber explicações até se preocupar, e a oração não é uma apresentação que exige uma multidão apreciativa. O movimento de um quarto fechado para um Deus que já sabe prepara os pedidos notavelmente diretos do próximo parágrafo. A oração modelo tem substância sem o aparato verbal que estes versículos criticam.
Percurso versículo por versículo
- Mateus 6:5
Ficar de pé era a postura normal da oração judaica (1 Samuel 1:26; Marcos 11:25), então a postura não é o defeito. As “esquinas das ruas” são os cruzamentos de ruas largas, onde o movimento diminuía. “eles já receberam a sua recompensa” usa um termo escrito em recibos comerciais: pago por inteiro, nada mais a dever.
- Mateus 6:6
O “quarto” é uma despensa, muitas vezes o único cômodo interno de uma casa pequena com uma porta que fechava. Isaías 26:20 usa quase as mesmas palavras, mandando entrar nos aposentos e fechar as portas. A despensa era onde se guardavam os bens da casa, apropriado para um capítulo sobre tesouros.
- Mateus 6:7
“vãs repetições” traduz um verbo raro, battalogeo, que talvez imite o som de um balbucio. Os profetas de Baal no Carmelo clamaram o nome do seu deus da manhã ao meio-dia e se cortaram quando não veio resposta (1 Reis 18:26–28).
- Mateus 6:8
Em Isaías 65:24 o SENHOR diz que responderá antes que chamem. A lógica chama atenção: o conhecimento do Pai é dado como razão para orar com simplicidade, não como razão para não orar. A oração que vem a seguir é curta o bastante para ser decorada numa manhã.
Mateus 6:5-8
Bíblia Portuguesa Mundial5“Quando vocês orarem, não sejam como os hipócritas, pois eles amam orar em pé nas sinagogas e nas esquinas das ruas, para serem vistos pelos homens. Em verdade lhes digo: eles já receberam a sua recompensa.
6Mas você, quando orar, entre no seu quarto e, tendo fechado a porta, ore ao seu Pai, que está em secreto; e o seu Pai, que vê em secreto, o recompensará publicamente.
7Ao orar, não usem vãs repetições como fazem os gentios; pois eles pensam que serão ouvidos por falarem muito.
8Portanto, não sejam como eles, pois o seu Pai sabe do que vocês precisam antes mesmo de lhe pedirem.
Mateus 6:9-15
Pão diário dentro de uma oração da dimensão do reino
A oração começa na maior escala com o nome, o Reino e a vontade do Pai, e então coloca o pão diário dentro do mesmo endereço. A necessidade corporal não é uma interrupção constrangedora da linguagem espiritual. Ela recebe sua própria petição ao lado do perdão e do livramento. Igualmente marcante é a gramática compartilhada: "nosso", "nos" e "nós" fazem com que até quem ora atrás de uma porta fechada fale como parte de uma comunidade dependente, e não como colecionador solitário de vantagens. As “dívidas” da Bíblia Portuguesa Mundial tornam-se “ofensas” quando Jesus comenta o perdão, esclarecendo o peso moral da imagem. O perdão recebido e o perdão estendido são deliberadamente ligados, conexão que Mateus tornará mais aguda outra vez por imagens de dívida no capítulo 18. A oração também pede livramento da tentação em vez de parabenizar quem ora por sua força sob pressão. Sua linguagem final de Reino, poder e glória retorna à escala da abertura, mas o pão necessário hoje permanece firmemente dentro desse quadro do tamanho do Reino.

Estudo aprofundado
A oração começa com o nome, o reino e a vontade do Pai antes de chegar ao pão. Essa ordem não torna a necessidade física um constrangimento. O pão recebe sua própria petição, ao lado do perdão e do livramento, dentro da mesma invocação. A linguagem possessiva é consistentemente compartilhada: a oração não foi elaborada como um catálogo solitário de vantagens sobre outras pessoas. Até a pessoa atrás da porta fechada fala como parte de um conjunto de pessoas que dependem do mesmo Pai.
As “dívidas” da Bíblia Portuguesa Mundial se tornam “ofensas” quando Jesus comenta o perdão nos versículos 14–15. O movimento esclarece a força moral da imagem sem apagar seu sentido de obrigação real. O perdão recebido e o perdão estendido estão deliberadamente ligados. Mateus não permite que um seja tratado como importante enquanto o outro permanece uma demonstração opcional de generosidade. O capítulo 18 voltará à conexão com uma dívida cancelada e um servo que recusa misericórdia.
O pedido relativo à tentação solicita livramento em vez de expressar confiança na capacidade de quem ora de lidar com toda prova. A Bíblia Portuguesa Mundial encerra a oração com Reino, poder e glória, retornando da necessidade diária ao governo divino nomeado perto do começo. A escala da oração é grande, mas ela nunca se distancia do pão necessário naquele dia.
Percurso versículo por versículo
- Mateus 6:9
“Orem desta maneira” indica um modelo, não só um roteiro. Lucas traz uma forma mais curta, numa ocasião diferente (Lucas 11:2–4). Em “santificado seja o teu nome” a oração pede que o nome de Deus seja tratado como santo, como o SENHOR prometeu santificar seu nome em Ezequiel 36:23.
- Mateus 6:10
“assim na terra como no céu” pode reger os três primeiros pedidos juntos: nome, Reino e vontade. No Getsêmani Jesus faz estas mesmas palavras suas, pedindo que se faça a vontade do Pai (26:42). O primeiro pedido que ele ensinou tornou-se o mais difícil que ele orou.
- Mateus 6:11
A palavra grega por trás de “de cada dia”, epiousios, quase não aparece fora desta oração. Orígenes achava que os evangelistas a tinham cunhado. Pode significar o pão necessário para existir, ou o pão para o dia que vem; Jerônimo relatou um Evangelho hebraico que dizia pão de amanhã. De um jeito ou de outro, o pedido basta para um dia.
- Mateus 6:12
Em aramaico uma só palavra, hoba, cobre dívida e pecado, o que talvez explique por que a oração usa linguagem de dinheiro para o erro. A versão de Lucas diz pecados e depois todo aquele que nos deve (Lucas 11:4). O tempo grego de “perdoamos” é passado: como já perdoamos.
- Mateus 6:13
“tentação” é a mesma palavra grega das provas do capítulo 4, e pode significar provação tanto quanto sedução. A doxologia final não está nos manuscritos mais antigos. Um antigo manual cristão, a Didaquê, traz uma forma dela, e suas palavras se apoiam na oração de Davi em 1 Crônicas 29:11.
- Mateus 6:14
De todos os pedidos da oração, só este recebe um comentário depois. “ofensas” é outra palavra que não a das “dívidas” do versículo 12: paraptoma, um passo em falso, um tropeço fora do caminho. A troca explica a imagem da dívida em termos morais simples.
- Mateus 6:15
A forma negativa não deixa terceira categoria entre perdoar e não perdoar. Um mestre judeu, uns dois séculos antes, escreveu que quem perdoa ao próximo o mal recebido terá os próprios pecados perdoados quando orar (Eclesiástico 28:2).
Mateus 6:9-15
Bíblia Portuguesa Mundial9Orem desta maneira: “‘Pai nosso, que estás nos céus, santificado seja o teu nome.
10Venha o teu Reino. Seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu.
11Dá-nos hoje o nosso pão de cada dia.
12Perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós também perdoamos aos nossos devedores.
13E não nos deixes cair em tentação, mas livra-nos do maligno. Pois teu é o Reino, o poder e a glória para sempre. Amém.’
14“Pois, se vocês perdoarem aos homens as suas ofensas, o seu Pai celestial também os perdoará.
15Mas, se vocês não perdoarem aos homens as suas ofensas, o seu Pai também não perdoará as ofensas de vocês.
Mateus 6:16-18
Jejum sem figurino
O jejum pode virar fantasia. A crítica de Jesus gira em torno da aparência deliberada: rostos são alterados para que a privação seja notada e corretamente interpretada por observadores. Sua resposta é maravilhosamente comum. Lave o rosto. Unja a cabeça. Torne o jejum menos legível para a multidão que passa, em vez de mais dramático. O contraste não é entre pessoas que sentem fome e pessoas que de algum modo flutuam acima dela. É entre um ato dirigido ao Pai e um ato que silenciosamente quer testemunhas para certificar sua seriedade. Esta é a terceira vez que Mateus repete a mesma estrutura no capítulo. Dar, orar e jejuar têm cada um uma versão executada para reconhecimento público e uma versão libertada dessa transação porque o Pai vê em secreto. A repetição mantém a falha comum em foco. Jesus pressupõe o jejum em vez de aboli-lo, mas remove a necessidade de um distintivo visível que informe a todos por perto quão devota deve ser a pessoa que jejua.


Estudo aprofundado
A aparência sombria é proposital: os hipócritas alteram o rosto para que o jejum seja notado. O contraste, portanto, não é entre pessoas que sentem fome e pessoas que de algum modo não a sentem. É entre fome dirigida a Deus e aparência organizada para anunciar essa fome. Jesus responde com cuidados pessoais comuns. O rosto lavado e a cabeça ungida tornam o jejum menos perceptível aos transeuntes, em vez de mais dramático.
Esta é a terceira ocorrência do mesmo padrão no capítulo. Dar, orar e jejuar têm, cada um, uma versão de apresentação pública e uma versão escondida vista pelo Pai. A repetição treina a atenção para a falha comum em vez de tratar três práticas diferentes como três problemas desconectados. A redação pressupõe que o jejum ocorrerá; não substitui a prática por uma recomendação geral de parecer alegre. O jejum oculto tampouco se torna uma realização que Deus poderia deixar passar. O olhar do Pai é a constante repetida, precisamente por isso um distintivo visível de privação é desnecessário.
Percurso versículo por versículo
- Mateus 6:16
Há um trocadilho no grego: eles “desfiguram”, literalmente fazem desaparecer, o rosto para aparecer jejuando. A Lei mandava só um jejum por ano, no Dia da Expiação (Levítico 16:29), de modo que o jejum aqui é piedade voluntária.
- Mateus 6:17
Lavar o rosto e ungir a cabeça com azeite eram cuidados diários comuns, e quem estava de luto os deixava de lado. Quando o filho de Davi morreu, ele se levantou, lavou-se e ungiu-se (2 Samuel 12:20). A ordem é parecer um dia qualquer, não montar uma cena festiva no sentido oposto.
- Mateus 6:18
Nos manuscritos mais antigos, “em secreto” aqui é uma palavra grega um pouco diferente da dos versículos 4 e 6. A Didaquê mandaria depois os cristãos não jejuarem com os hipócritas às segundas e quintas, mas às quartas e sextas; a prática continuou nas igrejas antigas com outro calendário.
Mateus 6:16-18
Bíblia Portuguesa Mundial16“Além disso, quando vocês jejuarem, não fiquem com o rosto triste como os hipócritas. Pois eles desfiguram o rosto para que os homens vejam que estão jejuando. Em verdade lhes digo: eles já receberam a sua recompensa.
17Mas você, quando jejuar, unja a cabeça e lave o rosto,
18para que os outros não vejam que você está jejuando, mas apenas o seu Pai, que está em secreto; e o seu Pai, que vê em secreto, o recompensará.
Mateus 6:19-24
Tesouro que não consegue manter a si mesmo seguro
O tesouro terreno é apresentado por seus inimigos. A traça, a ferrugem ou a corrosão, e os ladrões tornam o problema do armazenamento quase completo: o que é guardado pode ser atacado por dentro do armário ou por fora do muro. Jesus não contrasta armazenamento descuidado com melhor segurança terrena. Ele contrasta dois lugares de tesouro com futuros diferentes, e então diz que o coração segue aquilo que trata como tesouro. As posses, portanto, não são objetos inertes sentados educadamente fora da lealdade. A imagem do olho fica exatamente entre tesouro e senhores, o que a torna parte do mesmo argumento sobre orientação. Um olho "simples" sugere visão sadia ou indivisa, enquanto o olho mau, em outros pontos de Mateus, é ligado a uma generosidade rancorosa. Por fim, a riqueza, ou mamom, é retratada como um senhor. A questão não é se alguém pode ter dois empregos ou possuir bens materiais. É se o serviço último pode permanecer indiviso enquanto pretendentes rivais o exigem. A conclusão de Jesus não permite nenhum arranjo confortável em que os dois senhores dividam silenciosamente o trono.

Estudo aprofundado
O tesouro terreno é descrito por meio das coisas que o atacam. Traças, corrosão ou consumo e ladrões tornam o problema do armazenamento quase comicamente abrangente: os objetos de valor são ameaçados de dentro do armário e de fora do muro. O contraste não é entre armazenamento terreno cuidadoso e descuidado. É entre dois lugares de tesouro com futuros diferentes. O versículo 21 então coloca o coração em movimento em direção ao seu tesouro, em vez de apresentar as posses como objetos irrelevantes que deixam intacta a lealdade.
A imagem do olho fica entre tesouro e senhores, portanto pertence a este argumento sobre orientação. O termo para um olho íntegro ou não dividido, que a Bíblia Portuguesa Mundial traduz como “bom”, sugere uma perspectiva sadia. O olho "mau" tem outra conexão com a generosidade ressentida em Mateus 20:15. A imagem não é uma aula de anatomia. Ela retrata a pessoa inteira sendo afetada pelo que governa percepção e desejo. Mamom significa riqueza, e o contraste final a personifica como senhor. A questão não é se alguém consegue exercer dois empregos. É se o serviço último pode permanecer indiviso enquanto dois pretendentes rivais o comandam.
Percurso versículo por versículo
- Mateus 6:19
Roupas finas eram reserva de riqueza, e por isso Acã escondeu uma capa babilônica (Josué 7:21). “ferrugem” é literalmente comer, qualquer coisa que rói: verme, mofo ou corrosão. “arrombam” é cavar através, já que as paredes das casas eram muitas vezes de tijolo de barro e o ladrão podia abrir um túnel.
- Mateus 6:20
Jesus usa a mesma expressão com o jovem rico: vender, dar aos pobres e ter um tesouro no céu (19:21). A ideia tinha raízes judaicas; Tobias ouve do pai que dar esmolas guarda um bom tesouro para o dia da necessidade (Tobias 4:9).
- Mateus 6:21
No pensamento hebraico o coração é a sede do pensar e do decidir, não só do sentir. A frase corre numa direção inesperada: não diz que o coração decide para onde vai o tesouro, mas que o coração vai atrás dele. Lucas põe o mesmo dito depois de uma ordem para vender os bens (Lucas 12:33–34).
- Mateus 6:22
Muitos escritores antigos achavam que o olho funcionava como uma candeia, lançando luz para fora em vez de só recebê-la. O olho “bom” traduz haplous, cujo substantivo aparentado Paulo usa para generosidade em 2 Coríntios 8:2. Um olho são e uma mão aberta podem ser aqui uma só ideia.
- Mateus 6:23
O olho “mau”, na expressão hebraica, é o olho mesquinho: Deuteronômio 15:9 adverte contra olhar com maldade o irmão pobre, e Provérbios 28:22 diz que quem tem pressa de enriquecer tem olho mau. A exclamação gira em torno de um paradoxo: uma candeia que espalha trevas.
- Mateus 6:24
“servir” é o verbo do serviço de escravo. Um escravo podia ter dois donos em sociedade, mas uma casa de senhores dividida produz trabalho dividido. “Mamom” é a palavra aramaica para riqueza ou bens, deixada sem tradução, de modo que fica na frase quase como o nome de um deus rival.
Mateus 6:19-24
Bíblia Portuguesa Mundial19“Não acumulem para vocês tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem destroem, e onde os ladrões arrombam e roubam;
20mas acumulem para vocês tesouros no céu, onde nem a traça nem a ferrugem destroem, e onde os ladrões não arrombam nem roubam;
21pois onde estiver o seu tesouro, aí também estará o seu coração.
22“O olho é a candeia do corpo. Portanto, se o seu olho for bom, todo o seu corpo será cheio de luz.
23Mas, se o seu olho for mau, todo o seu corpo será cheio de trevas. Portanto, se a luz que está em você for trevas, quão grandes serão essas trevas!
24“Ninguém pode servir a dois senhores, pois ou odiará um e amará o outro, ou se dedicará a um e desprezará o outro. Vocês não podem servir a Deus e a Mamom.
Mateus 6:25-34
Amanhã não é acrescentado à carga de hoje
"Não andem ansiosos" soa mais duro ao ouvido moderno do que o argumento que Mateus registra. A preocupação em causa é o cuidado ansioso, não uma proibição de planejar ou de reconhecer necessidade. Comida e roupa são necessidades reais, e Jesus diz expressamente que o Pai sabe que elas são necessárias. Aves e flores são usadas como comparações dentro dessa confiança, não como um sistema econômico que manda os seres humanos pararem de trabalhar. O guarda-roupa de Salomão então perde sua disputa com uma flor do campo, o que dá à comparação uma mordida suave: o esplendor real não consegue fabricar o que cresce sem fiar. Ainda assim, a própria relva pode ser queimada amanhã, de modo que o cuidado divino não é equiparado a uma duração terrena interminável. Jesus também diz que a ansiedade não consegue acrescentar à vida a medida desejada. Buscar primeiro o Reino ordena preocupações concorrentes em vez de fingir que o corpo não importa. A frase final recusa fechamento sentimental. O amanhã não deve ser carregado antecipadamente, mas o hoje já tem aflição suficiente. Mateus deixa essa dificuldade permanecer plenamente real.

Estudo aprofundado
Uma expressão antiga sobre não se inquietar, presente em traduções mais antigas, pode soar ao leitor moderno como proibição de pensar ou de prover. O verbo grego merimnao aqui trata de preocupação ansiosa; a Bíblia Portuguesa Mundial explicita “não andem ansiosos”. Alimento e roupa são necessidades reais, que o Pai conhece segundo o texto; não são descartadas como evidência de interesses superficiais. As aves e os lírios argumentam a partir do cuidado com criaturas menores para o valor dos ouvintes. Sua existência é evidência dentro da comparação, e não um plano econômico completo em que seres humanos recebem a ordem de parar de trabalhar.
O esplendor de Salomão perde a comparação de vestuário para uma flor do campo. O contraste tem uma leve ironia: um guarda-roupa real inteiro não consegue fabricar o que cresce sem fiar. Contudo, a erva pode ser queimada amanhã. O cuidado divino, portanto, não é igualado à duração interminável ou a uma vida intocada pela perda. O capítulo termina reconhecendo explicitamente a dificuldade do dia.
O mandamento de buscar primeiro o reino ordena as preocupações concorrentes em vez de negar a dependência do corpo. A ansiedade não consegue assegurar o acréscimo desejado à vida, e a dificuldade de amanhã não se torna mais administrável por ser carregada antecipadamente. A frase final é vigorosamente livre de sentimentalismo. Hoje já tem dificuldade própria suficiente; Mateus não apresentou Jesus como alguém alheio a esse fato.
Percurso versículo por versículo
- Mateus 6:25
O grego merimnao, por trás de “não andem ansiosos”, significa estar aflito ou inquieto. Comida e roupa são justamente as duas coisas que Jesus acabou de mandar não acumular. A pergunta final sobe do pequeno ao grande: quem deu a vida e o corpo não negará o alimento e as roupas.
- Mateus 6:26
A versão de Lucas nomeia corvos (Lucas 12:24), aves que a Lei considerava impuras. Semear, colher e armazenar em celeiros são os trabalhos masculinos do ano agrícola, e as aves pulam os três. “muito mais valor” é literalmente diferir muito, ser de valor bem maior.
- Mateus 6:27
O grego fala de um côvado, o comprimento de um antebraço, uns quarenta e cinco centímetros. A palavra que acompanha pode significar estatura ou idade, duração da vida, e muitos leem a linha como acrescentar um pouco de tempo à vida, daí “um só momento”. Acrescentar quarenta e cinco centímetros à altura seria enorme; o dito funciona como piada de qualquer modo.
- Mateus 6:28
“Considerem” é um verbo forte: estudar de perto, aprender a fundo. Os lírios são provavelmente qualquer das flores silvestres da primavera galileia, talvez a anêmona vermelha; a flor exata não se pode fixar. Trabalhar e fiar eram o serviço feminino de fazer tecido, posto ao lado do trabalho masculino no campo do versículo 26.
- Mateus 6:29
Quando a rainha de Sabá viu a casa de Salomão, sua mesa, os servos e as roupas deles, o Livro de Reis diz que ela ficou sem fôlego (1 Reis 10:4–5). Toda aquela glória foi tecida e tingida por mãos humanas; a flor veste o que não fez.
- Mateus 6:30
Capim seco e mato eram queimados para aquecer o forno de barro do pão, pois a lenha era escassa. “homens de pouca fé” é uma só palavra grega, típica de Mateus, e ela volta num barco na tempestade (8:26), para Pedro afundando (14:31) e diante do pão esquecido (16:8).
- Mateus 6:31
As ansiedades agora ganham voz, como se fossem ouvidas à mesa de uma casa. “O que vamos beber?” é exatamente o que Israel murmurou contra Moisés diante da água amarga de Mara (Êxodo 15:24). As três perguntas cobrem comida, bebida e roupa.
- Mateus 6:32
Os “gentios” aqui são as nações que não conhecem Deus como Pai, e “buscam” é intensivo: procurar com avidez. A segunda frase repete quase exatamente o versículo 8, agora com o acréscimo de “celestial”.
- Mateus 6:33
Mateus costuma escrever Reino dos Céus; “Reino de Deus” aparece só em poucos lugares deste Evangelho, e alguns manuscritos aqui trazem apenas o Reino. “acrescentadas” lembra Salomão, há pouco mencionado: ele pediu sabedoria e recebeu também riquezas e honra (1 Reis 3:11–13).
- Mateus 6:34
“males” aqui quer dizer dificuldades ou aflições, não maldade. O amanhã ganha personalidade, uma criatura ansiosa que pode se preocupar consigo mesma. Um dito do Talmude fica perto disto, ao dizer que basta à hora a sua própria aflição, o que sugere que o provérbio era moeda corrente.
Mateus 6:25-34
Bíblia Portuguesa Mundial25Portanto, eu lhes digo: não andem ansiosos com a sua vida, quanto ao que vão comer ou beber; nem com o seu corpo, quanto ao que vão vestir. Não é a vida mais do que o alimento, e o corpo mais do que as roupas?
26Observem as aves do céu, que não semeiam, não colhem, nem ajuntam em celeiros. O seu Pai celestial as alimenta. Vocês não têm muito mais valor do que elas?
27“Quem de vocês, por estar ansioso, pode acrescentar um só momento à sua vida?
28E por que andam ansiosos quanto às roupas? Considerem os lírios do campo, como eles crescem. Eles não trabalham, nem fiam,
29contudo, eu lhes digo que nem mesmo Salomão, em toda a sua glória, vestiu-se como um deles.
30Mas, se Deus veste assim a erva do campo, que hoje existe e amanhã é lançada no forno, não vestirá muito mais vocês, homens de pouca fé?
31“Portanto, não andem ansiosos, dizendo: ‘O que vamos comer?’, ‘O que vamos beber?’ ou ‘Com que vamos nos vestir?’
32Pois os gentios buscam todas essas coisas; mas o seu Pai celestial sabe que vocês precisam de todas elas.
33Mas busquem primeiro o Reino de Deus e a sua justiça, e todas essas coisas lhes serão acrescentadas.
34Portanto, não andem ansiosos com o dia de amanhã, pois o amanhã terá suas próprias preocupações. Cada dia já tem os seus próprios males.”
Questões para manter em mente durante a leitura
- Observe o que Jesus diz e faz e como as pessoas respondem.
- Acompanhe reino, discipulado, oposição, cruz e ressurreição na sequência do evangelista.
- Deixe a doutrina posterior esclarecer a cena sem apagar seu contexto imediato.
Primeiro o texto
Onde os leitores divergem
O resumo começa com o que a passagem diz e como suas partes se relacionam. Ele não presume que uma denominação já resolveu todas as questões. A dependência de uma tradição, teoria literária ou reconstrução histórica é claramente identificada.
O texto bíblico aparece primeiro. As conclusões interpretativas são identificadas, e as diferenças surgem quando ajudam a explicar por que comunidades sérias nem sempre chegam à mesma resposta.
A doxologia final do Pai Nosso
Mateus 6:13. A KJV encerra a oração com as palavras sobre o reino, o poder e a glória para sempre. Essa doxologia está ausente de vários manuscritos gregos antigos e da forma paralela em Lucas. Formas manuscritas posteriores a preservam com alguma variação.
A redação reflete um costume cristão muito antigo de encerrar a oração com louvor, e uma linguagem relacionada aparece na Didaquê. Muitas igrejas continuam a recitá-la, enquanto algumas traduções bíblicas a colocam em nota ou a marcam como adição litúrgica posterior.
A questão textual é se o texto mais antigo de Mateus continha a doxologia. Isso não torna o louvor anticristão, e omiti-lo do versículo impresso não diminui a oração que Jesus ensina em Mateus 6:9-13.
Ver fonte: Bible.org, Matthew 6 commentary and manuscript note ↗
Questões sob a superfície
- Que parte de Mateus 6 faz você parar, se sentir desconfortável ou se surpreender, e por quê?
- Que detalhe da passagem seria fácil ignorar? Como esse detalhe muda sua compreensão?
- Onde você percebe tensão entre o que acontece e este foco: Mateus 6?
- Que pergunta importante a passagem deixa aberta em vez de resolver rapidamente?
Perguntas para uma reflexão pessoal séria
Estas perguntas são intencionalmente abertas. Permaneça com a tensão da passagem, responda com honestidade e volte à Escritura antes de chegar a uma conclusão.
Observe sem pressa
Que parte de Mateus 6 faz você parar, se sentir desconfortável ou se surpreender, e por quê?
Que detalhe da passagem seria fácil ignorar? Como esse detalhe muda sua compreensão?
Onde você percebe tensão entre o que acontece e este foco: Mateus 6 se desenvolve por meio de suas próprias vozes, ações, afirmações e consequências?
Que pergunta importante a passagem deixa aberta em vez de resolver rapidamente?
Examine seu interior com honestidade
Com qual pessoa, resposta, medo ou desejo da passagem você mais se identifica neste momento?
Que suposição sua sobre Deus, outras pessoas ou você mesmo este texto desafia?
Que parte você preferiria suavizar, evitar ou explicar depressa demais? O que essa reação pode revelar?
Se esta Escritura pudesse fazer uma pergunta direta a você, qual seria?
Responda com sabedoria e coragem
O que você precisa lembrar, confessar, lamentar, agradecer ou confiar depois de ler esta passagem?
Como outra pessoa fiel poderia ler esta situação de modo diferente sem ignorar o texto?
Que resposta obediente seria difícil, desconfortável ou lenta, mas ainda fiel à Escritura?
Que pergunta você levará à oração nesta semana e quais versículos manterá diante de si?
Ouça e assista junto com a passagem
Ainda não há mídia exata catalogada para esta passagem. O relatório de conciliação conectará novos materiais quando estiverem disponíveis.


