O panorama
Naum 3 nomeia o que as imagens anteriores vinham expondo. Nínive é uma cidade sanguinária marcada por mentiras, roubo e uma presa que não se afasta, e o ataque sobre ela termina entre corpos numerosos demais para serem ignorados. A capacidade da cidade de atrair e manipular é tratada como outra face da dominação, e então o seu encanto é substituído pela exposição pública e pela fuga dos que antes olhavam. A queda da egípcia Nô remove o consolo do excepcionalismo: água, aliados e posição forte não salvaram outra cidade formidável. Dali, cada apoio restante é reduzido. As fortalezas viram figos maduros, o trabalho defensivo não detém o fogo, mercadores e oficiais se multiplicam apenas para desaparecer como insetos, e os líderes já não reúnem o povo. A ferida final não tem cura, e a notícia produz palmas porque o mal da Assíria havia viajado muito longe.
Neste capítulo
- Tesouros incontáveis se tornam corpos incontáveis Naum 3:1-4
Naum 3 começa recusando que a destruição apareça sem uma acusação.
- A atração é substituída pela exposição Naum 3:5-7
«Eu sou contra você» retorna, mas a forma do juízo muda.
- Uma cidade cercada de água já havia caído Naum 3:8-11
Naum sai de Nínive para uma comparação devastadora: a egípcia Nô-Amom já parecera segura por excelentes razões.
- Fortalezas se tornam figos, e oficiais se tornam gafanhotos Naum 3:12-17
Naum desmonta o inventário restante de Nínive categoria por categoria.
- Os pastores dormem, e a notícia se espalha Naum 3:18-19
O Livro de Naum termina pedindo à liderança a tarefa mais simples de pastoreio e mostrando que ela não consegue cumpri-la: «Os seus pastores dormitam, ó rei da Assíria.

A Escritura ao lado do resumo
Naum · Bíblia Portuguesa Mundial · 19Naum 3:1-4
Tesouros incontáveis se tornam corpos incontáveis
Naum 3 começa recusando que a destruição apareça sem uma acusação. «Sangue», «mentiras», «roubo» e uma presa que nunca se afasta são os termos sob os quais Nínive é interpelada. O Livro de Naum então torna o ataque audível antes de torná-lo visível: chicote, rodas, cavalos e carros irrompem no ouvido, seguidos de espada brilhante e lança reluzente. Ainda assim, a polida imagética militar dura apenas um momento. O chão se enche de corpos até que o próprio movimento é obstruído por eles. Essa abundância terrível responde ao tesouro aparentemente interminável do capítulo 2 com outro tipo de contagem que não pode ser concluída. O versículo 4 muda a figura sem mudar a acusação. A atratividade de Nínive é personificada como «a prostituta sedutora, a mestra das feitiçarias, que vende nações». A imagem expõe a sedução como outro instrumento de sujeição. A cidade pode atrair povos além de golpeá-los, mas o resultado continua sendo a perda da liberdade deles.

Estudo aprofundado
O capítulo começa com uma acusação, não com um prazer inexplicado na destruição de uma cidade. Sangue, mentiras, roubo e presas contínuas identificam o que Naum apresenta contra Nínive. As linhas seguintes tornam o ataque audível antes de mostrar seu resultado: açoite, rodas, cavalos e carros de guerra chegam em uma sequência acelerada. Espadas e lanças reluzem, mas a descrição não permanece como uma exposição elegante de equipamento militar. Ela termina entre corpos numerosos o bastante para impedir o movimento. A ausência de limites para o tesouro em 2:9 agora tem uma correspondência terrível na aparente ausência de limites para os mortos.
O versículo 4 passa da força militar à figura de uma prostituta atraente e senhora de feitiçarias. O poder da cidade é representado como capaz tanto de seduzir quanto de atacar, enquanto o verbo vender, aplicado às nações, faz do resultado uma sujeição, não um benefício mútuo. Trata-se de uma personificação das práticas de Nínive, não da biografia de uma mulher específica. Os mecanismos exatos de cada engano não são enumerados. A função da imagem é expor a atração como parte do mesmo sistema já descrito por meio de roubo e presas. O que parece desejável de um ângulo é identificado como meio pelo qual povos inteiros perdem sua liberdade.
Percurso versículo por versículo
- Naum 3:1
O trecho “cidade sanguinária” é literalmente cidade de sangues, expressão que Ezequiel 22:2 e 24:6 depois voltam contra Jerusalém. Os reis assírios registravam nos seus anais as próprias táticas de terror: esfolar, empalar, pilhas de cabeças às portas das cidades. A presa é tereph, a carne despedaçada da toca do leão em 2:12.
- Naum 3:2
O hebraico não tem nenhum verbo principal, só uma sequência de ruídos: estalo do chicote, estrondo das rodas, cavalo a galope, carro saltando. A palavra rara para o galope é a mesma que o cântico de Débora usa para o tropel dos corcéis valentes (Juízes 5:22).
- Naum 3:3
A “espada reluzente” é literalmente a chama da espada, e a “lança cintilante”, o relâmpago da lança. A palavra para “cadáveres” é a mesma de quando o exército de Senaqueribe amanheceu morto diante de Jerusalém (2 Reis 19:35). O que a Assíria sofreu uma vez junto a Sião agora enche as suas próprias ruas.
- Naum 3:4
O termo “sedutora” é literalmente boa de graça, encantadora. Nínive era um centro do culto a Ishtar, deusa do amor e da guerra, o que talvez dê cor à figura. Apocalipse 17 toma emprestada a imagem de uma grande cidade como prostituta que seduz reis. O verbo “vende” mostra nações negociadas como escravos.
Naum 3:1-4
Bíblia Portuguesa Mundial1Ai da cidade sanguinária! Ela está toda cheia de mentiras e roubo — não há fim para a presa.
2O estalo do chicote, o estrondo das rodas, cavalos a galope e carros de guerra saltando,
3cavaleiros em investida, a espada reluzente, a lança cintilante, uma multidão de mortos, um grande monte de cadáveres, e não há fim para os corpos. Eles tropeçam em seus próprios corpos
4por causa da multidão das prostituições da prostituta sedutora, a mestra das feitiçarias, que vende nações por meio de sua prostituição, e famílias por meio de suas feitiçarias.
Naum 3:5-7
A atração é substituída pela exposição
«Eu sou contra você» retorna, mas a forma do juízo muda. No capítulo 2 a declaração levava a carros queimados e ao fim da predação. Aqui o Livro de Naum transforma o atraente rosto público da cidade em exposição, imundície e vergonha diante de nações e reinos. A linguagem é severa e deliberadamente humilhante. Ela toma a figura introduzida no versículo 4 e arranca a aparência por meio da qual a influência era exercida. O que atraía um público torna-se um espetáculo que o público se recusa a assistir. Os observadores fogem. Esse movimento importa porque Nínive está perdendo mais do que segurança militar. Está perdendo a simpatia que normalmente se reuniria em torno de uma cidade arruinada. A pergunta «Quem lamentará por ela?» não recebe aqui resposta consoladora. Em vez disso, o texto começa a preparar a resposta final do livro, onde a notícia da ferida da Assíria produz palmas em vez de lamento. Atenção não é a mesma coisa que afeto.

Estudo aprofundado
“Estou contra ti” repete a declaração de 2:13. Ali ela introduziu a destruição dos carros de guerra e o fim da predação; aqui introduz uma imagem deliberadamente humilhante de exposição pública. A figura atraente do versículo 4 é despida da aparência pela qual exercia influência. Nações e reinos se tornam testemunhas. A linguagem é severa e marcada pelo gênero, retratando a cidade derrotada como uma mulher submetida à desonra. Ela funciona como figura da perda de posição e poder de Nínive, não como relato das ações de uma mulher cativa identificada pelo nome.
A sequência que vai da nudez à imundície e ao espetáculo remove todo vestígio do encanto anterior. Entretanto, os observadores não permanecem como admiradores fascinados. Eles fogem. A busca seguinte por pessoas que lamentem e consolem não recebe resposta dentro da passagem. Essa ausência prepara o final do livro, onde a notícia da ferida de Nínive produz aplausos, em vez de consolo comunitário. Naum mudou duas vezes o público da cidade: os atraídos por seus encantos se tornam testemunhas de sua humilhação, e essas testemunhas se tornam pessoas que não querem ficar. À perda da segurança militar se soma a perda de solidariedade.
Percurso versículo por versículo
- Naum 3:5
As palavras são quase as de Jeremias 13:26, ditas a Jerusalém, sobre levantar as saias até o rosto para que apareça a vergonha. Era a desonra pública da adúltera (Ezequiel 16:37). As saias são erguidas por cima do rosto, diante das nações e dos reinos.
- Naum 3:6
Um “espetáculo” é uma exibição pública, palavra que reaparece em Hebreus 10:33. Os reis assírios faziam isso aos outros: os anais de Assurbanipal se gabam de ter acorrentado um rei árabe capturado num canil à porta de Nínive para que os passantes o vissem. A cidade será exposta da mesma forma.
- Naum 3:7
O verbo de “lamentará” é o de balançar ou acenar a cabeça em compaixão, o que os amigos de Jó vieram fazer (Jó 2:11). A palavra “consoladores” é menachamim, da mesma raiz do nome de Naum: no livro chamado Consolo não há consolo para Nínive. Isaías 51:19 faz a mesma pergunta a Jerusalém.
Naum 3:5-7
Bíblia Portuguesa Mundial5“Eis que eu sou contra você”, diz o SENHOR dos Exércitos, “e levantarei as suas saias até o seu rosto. Mostrarei às nações a sua nudez, e aos reinos a sua vergonha.
6Lançarei sobre você imundície abominável, a tornarei desprezível e farei de você um espetáculo.
7Acontecerá que todos os que olharem para você fugirão de você, e dirão: ‘Nínive está devastada! Quem lamentará por ela?’ Onde buscarei consoladores para você?”
Naum 3:8-11
Uma cidade cercada de água já havia caído
Naum sai de Nínive para uma comparação devastadora: a egípcia Nô-Amom já parecera segura por excelentes razões. As águas a cercavam, sua posição fazia parte da sua defesa, e Etiópia, Egito, Pute e Líbia forneciam força e apoio. O Livro de Naum não compara Nínive com uma cidade tola ou obviamente fraca. Isso provaria muito pouco. Ele escolhe um lugar com o tipo de vantagens em que uma grande potência poderia confiar razoavelmente e pergunta: «Você é melhor do que Nô-Amom?». A resposta é dada pelo que aconteceu. Nô foi levada ao cativeiro, seus homens importantes foram acorrentados, e até as crianças foram apanhadas na violência da queda. Esses detalhes impedem que a comparação vire uma lição limpa de teoria militar. O colapso tem custo humano. «Você também» então traz o exemplo diretamente sobre Nínive. Embriaguez, ocultação e a busca de fortaleza substituem a confiança. A comparação não exige geografia idêntica, apenas o fato incômodo de que proteções formidáveis já haviam falhado.

Estudo aprofundado
A Nô-Amom da Bíblia Portuguesa Mundial é a Tebas egípcia, também chamada simplesmente Nô. Naum a apresenta como uma cidade cujas aparentes vantagens não podem ser desprezadas: águas ao redor, uma localização protetora e a força de Cuxe, do Egito, de Pute e da Líbia. A pergunta dirigida a Nínive desafia sua pretensão de estar mais protegida do que esse exemplo. Não é uma afirmação abstrata de que toda cidade acaba entrando em declínio. Um colapso conhecido se contrapõe às formas específicas de segurança com as quais Nínive poderia contar.
A descrição então explicita o custo desse colapso. Crianças são mortas nas ruas, homens importantes se tornam objetos de sorteio, e os poderosos são acorrentados. A distinção social não impede o cativeiro, e a infância não garante segurança. A força da passagem seria enfraquecida se esses detalhes fossem transformados em uma comparação organizada entre duas derrotas militares. Naum menciona a devastação humana. “Tu também” aplica a advertência diretamente a Nínive: desorientação, esconderijo e busca de proteção substituem a confiança em seus próprios recursos. O capítulo não precisa afirmar que as duas cidades têm geografia idêntica. A comparação se apoia na incapacidade de vantagens formidáveis garantirem a sobrevivência.
Percurso versículo por versículo
- Naum 3:8
Nô-Amom é Tebas, no Alto Egito, a grande cidade do deus Amom (Jeremias 46:25). O “mar” é o Nilo, largo o bastante para receber esse nome (Isaías 19:5). A própria Assíria saqueou Tebas sob Assurbanipal em 663 a.C., o que situa Naum entre esse fato e a queda de Nínive em 612.
- Naum 3:9
Cuxe é a Etiópia, cujos reis núbios governavam então o Egito; um deles, Tiraca, marchou contra Senaqueribe (2 Reis 19:9). Pute e os líbios são povos africanos, e os líbios marcharam com Sisaque (2 Crônicas 12:3). A força “ilimitada” é literalmente sem fim, a expressão de 2:9 e de 3:3.
- Naum 3:10
Cada atrocidade da lista é uma que a Assíria cometeu em Tebas, e os anais de Assurbanipal se gabam do despojo e dos cativos tomados ali. Lançar sortes sobre os nobres é o que Joel 3:3 e Obadias 11 condenaram. As “esquinas de todas as ruas” são cada canto da cidade. Nínive vê a sua própria obra.
- Naum 3:11
A embriaguez é o cambalear de quem bebe o cálice de Deus (Jeremias 25:27), e retoma os bêbados de 1:10. A “fortaleza” é ma’oz, um reduto, a palavra de 1:7, onde o SENHOR é bom e é fortaleza no dia da angústia. Nínive vai procurar refúgio e não vai encontrar.
Naum 3:8-11
Bíblia Portuguesa Mundial8Você é melhor do que Nô-Amom, que estava situada entre os rios, que tinha as águas ao seu redor, cujo baluarte era o mar, e cuja muralha era o mar?
9Cuxe e o Egito eram a sua força ilimitada. Pute e a Líbia eram os seus ajudadores.
10Contudo, ela foi levada. Ela foi para o cativeiro. Seus filhos pequenos também foram despedaçados nas esquinas de todas as ruas, e lançaram sortes sobre os seus homens honrados, e todos os seus grandes homens foram presos com correntes.
11Você também ficará embriagada. Você se esconderá. Você também buscará uma fortaleza por causa do inimigo.
Naum 3:12-17
Fortalezas se tornam figos, e oficiais se tornam gafanhotos
Naum desmonta o inventário restante de Nínive categoria por categoria. As fortalezas viram figueiras com fruto maduro, e uma fortaleza destinada a resistir à força é de repente algo que cai na boca de quem come quando sacudida. O escárnio marcial do versículo 13 usa as convenções de gênero do seu mundo para zombar da resistência fracassada, e então portas abertas e ferrolhos queimados convertem o insulto em perda real de defesas. O Livro de Naum ordena até mais preparação: tire água, reforce as fortalezas, pise o barro, trabalhe na olaria. As ordens não criam esperança porque fogo e espada já são nomeados como desfecho. Os números não se saem melhor. Os mercadores podem exceder as estrelas, oficiais e capitães podem cobrir a cidade como gafanhotos, e ainda assim a imagem do inseto se recusa a permanecer como multidão impressionante. O enxame despoja e voa. Nínive pode contar muros, trabalhadores, mercadores, capitães e oficiais. Não consegue tornar nenhum deles permanente.

Estudo aprofundado
As fortalezas se tornam figueiras com frutos maduros. Um lugar destinado a resistir à força é comparado a um alimento que cai quase diretamente na boca de quem come. A imagem faz a conquista parecer absurdamente fácil. A descrição seguinte dos defensores como mulheres usa as convenções de gênero da provocação militar para retratar uma resistência fracassada; é um insulto à confiança militar da cidade, não uma análise das capacidades das mulheres. Portas abertas e trancas em chamas então traduzem a provocação na perda de barreiras protetoras reais.
As ordens de recolher água, reforçar fortificações e trabalhar o barro retomam a linguagem de preparação de 2:1. Elas não revertem o resultado anunciado. Fogo e espada alcançam a cidade no próprio lugar onde seu trabalho defensivo se concentra. A multiplicação dos números é então desafiada pela imagem do gafanhoto. Um enxame pode parecer imensamente numeroso, mas essa imagem não permanecerá uma promessa de força.
Mercadores mais numerosos do que as estrelas são seguidos por insetos que despojam e partem. Oficiais e capitães se acomodam como gafanhotos no frio e então desaparecem quando o sol nasce. A ênfase passa de sua quantidade impressionante para sua falta de confiabilidade como apoio permanente. Naum passa por muralhas, trabalho, comércio e administração sem permitir que qualquer um deles ofereça um desfecho estável. A cidade pode contar seus recursos; não pode fazê-los permanecer.
Percurso versículo por versículo
- Naum 3:12
Os primeiros figos amadurecem em junho e caem a um toque. Isaías 28:4 usa a mesma imagem para o orgulho de Samaria, o figo precoce que quem vê já come assim que o tem na mão. Nem é preciso escalar as fortalezas.
- Naum 3:13
A zombaria era comum naquele mundo: maldições de tratados assírios desejavam que os soldados de um rebelde virassem mulheres, e Jeremias 51:30 diz que os valentes da Babilônia se tornaram como mulheres. As “trancas” eram as vigas que fechavam o portão, como o ferrolho de Damasco em Amós 1:5.
- Naum 3:14
As muralhas da Mesopotâmia eram de tijolo de barro: o barro era pisado com palha, moldado e cozido em fornos. As ordens são sarcásticas, como as de 2:1. Escavações na Porta de Halzi, em Nínive, mostraram que a passagem foi estreitada às pressas com tijolos novos durante o cerco final, e havia corpos nela.
- Naum 3:15
“Lá” quer dizer no próprio local dos preparativos que acabaram de ser ordenados: fogo junto aos fornos de tijolo. O “gafanhoto” aqui é o lambedor de Joel 1:4, que deixa o campo nu. Depois a zombaria vira: multiplique-se como gafanhotos, se quiser; o número não vai salvar você.
- Naum 3:16
Nínive ficava nas rotas comerciais do Tigre, e os seus mercadores eram tantos quanto as estrelas que Deus prometeu como descendência a Abraão (Gênesis 15:5). O verbo traduzido por “devasta” pode significar trocar de pele: o gafanhoto jovem faz a muda, abre asas novas e some, levando consigo o comércio da cidade.
- Naum 3:17
Os “oficiais” são tiphsar, empréstimo do acádio para escritor de tabuinhas, escriba, usado também em Jeremias 51:27. Gafanhotos têm sangue frio e ficam rígidos nos muros durante uma noite fria, sem conseguir voar, até que o sol os aqueça. Então o enxame inteiro levanta de uma vez e desaparece.
Naum 3:12-17
Bíblia Portuguesa Mundial12Todas as suas fortalezas serão como figueiras com os primeiros figos maduros. Se forem sacudidas, eles caem na boca de quem os come.
13Eis que as suas tropas no meio de você são mulheres. As portas da sua terra estão escancaradas para os seus inimigos. O fogo devorou as suas trancas.
14Busque água para o cerco. Reforce as suas fortalezas. Entre no barro e pise a argamassa. Fortaleça o forno de tijolos.
15Lá o fogo a devorará. A espada a exterminará. Ela a devorará como o gafanhoto. Multiplique-se como os gafanhotos. Multiplique-se como a locusta.
16Você multiplicou os seus mercadores mais do que as estrelas dos céus. O gafanhoto devasta e voa para longe.
17Os seus guardas são como os gafanhotos, e os seus oficiais como os enxames de gafanhotos, que pousam nos muros num dia frio, mas quando o sol aparece, eles fogem, e não se sabe o lugar onde estão.
Naum 3:18-19
Os pastores dormem, e a notícia se espalha
O Livro de Naum termina pedindo à liderança a tarefa mais simples de pastoreio e mostrando que ela não consegue cumpri-la: «Os seus pastores dormitam, ó rei da Assíria. Os seus nobres repousam. O seu povo está espalhado pelos montes, e não há ninguém para reuni-los». Depois de ruas apinhadas, armas reluzentes, depósitos transbordantes, mercadores incontáveis e oficiais comparados a enxames, a imagem final da população é a dispersão. Depois a própria ferida recebe um veredicto: «Não há cura para a sua ferida». A Bíblia Portuguesa Mundial fala de "as notícias a seu respeito", e essa notícia viaja mais longe do que a autoridade quebrada do rei consegue agora. A reação é bater palmas, não lamentar. A pergunta final explica por quê, sem inventar uma acusação separada no fim: «quem não sentiu a sua crueldade sem fim?». A violência da Assíria já havia viajado amplamente. O livro se fecha sem círculo de consoladores, sem reagrupamento do povo disperso e sem voz imperial restaurada.

Estudo aprofundado
A fala finalmente menciona diretamente o rei da Assíria. Pastores e nobres já não realizam o trabalho de reunir e governar; dormir e habitar no pó os colocam fora de uma atuação eficaz. O povo está disperso pelos montes, sem ninguém que o reúna. A imagem do pastor avalia a liderança por aquilo que ela já não consegue fazer pelo rebanho. Depois do equipamento reluzente, das ruas cheias e dos depósitos aparentemente inesgotáveis dos capítulos anteriores, a última visão da população é de dispersão.
A ferida é declarada incurável. As "notícias" de que fala a Bíblia Portuguesa Mundial correspondem aqui ao relato do que aconteceu, o que leva o livro de volta à circulação de mensagens. A notícia chega a outros, e sua resposta são aplausos, não lamento. Naum explica essa reação pelo alcance contínuo da crueldade do rei: a pergunta final trata o mundo afetado como amplo demais para que se encontre facilmente uma exceção. O livro não apresenta uma cena final de reconstrução de Nínive. Termina com a ausência de um futuro de cura para o poder ameaçado e com a ausência de enlutados entre aqueles que ele prejudicou. O anúncio inicial de vingança chegou à sua explicação final na amplitude e na persistência da violência à qual se responde.
Percurso versículo por versículo
- Naum 3:18
O rei da Assíria é interpelado diretamente pela primeira vez. O último rei a governar Nínive, Sin-shar-ishkun, morreu na queda da cidade. O verbo “dormitam” indica o sono da morte, como em Salmos 76:5. Micaías viu Israel espalhado pelos montes como ovelhas sem pastor (1 Reis 22:17); agora são os assírios.
- Naum 3:19
A “lesão” é shever, uma fratura que não se consolida. Lamentações 2:15 mostra os passantes batendo palmas sobre Jerusalém caída; aqui o mundo bate palmas sobre Nínive. Os dois livros sobre Nínive, Jonas e Naum, terminam com uma pergunta.
Naum 3:18-19
Bíblia Portuguesa Mundial18Os seus pastores dormitam, ó rei da Assíria. Os seus nobres repousam. O seu povo está espalhado pelos montes, e não há ninguém para reuni-los.
19Não há cura para a sua ferida, pois a sua lesão é fatal. Todos os que ouvem as notícias a seu respeito batem palmas por sua causa, pois quem não sentiu a sua crueldade sem fim?
Questões para manter em mente durante a leitura
- Identifique a crise histórica, a quebra da aliança, a advertência e a esperança.
- Distinga o público imediato do profeta de conexões bíblicas posteriores.
- Não transforme manchetes atuais em cumprimentos seguros sem evidência textual.
Primeiro o texto
Onde os leitores divergem
O resumo começa com o que a passagem diz e como suas partes se relacionam. Ele não presume que uma denominação já resolveu todas as questões. A dependência de uma tradição, teoria literária ou reconstrução histórica é claramente identificada.
O texto bíblico aparece primeiro. As conclusões interpretativas são identificadas, e as diferenças surgem quando ajudam a explicar por que comunidades sérias nem sempre chegam à mesma resposta.
As notas interpretativas comparativas deste capítulo estão em preparação. Até que as notas revisadas estejam prontas, esta página separa o texto bíblico do resumo e da aplicação sem afirmar que leitores responsáveis concordam em todas as questões.
Questões sob a superfície
- Que parte de Naum 3 faz você parar, se sentir desconfortável ou se surpreender, e por quê?
- Que detalhe da passagem seria fácil ignorar? Como esse detalhe muda sua compreensão?
- Onde você percebe tensão entre o que acontece e este foco: Naum 3?
- Que pergunta importante a passagem deixa aberta em vez de resolver rapidamente?
Perguntas para uma reflexão pessoal séria
Estas perguntas são intencionalmente abertas. Permaneça com a tensão da passagem, responda com honestidade e volte à Escritura antes de chegar a uma conclusão.
Observe sem pressa
Que parte de Naum 3 faz você parar, se sentir desconfortável ou se surpreender, e por quê?
Que detalhe da passagem seria fácil ignorar? Como esse detalhe muda sua compreensão?
Onde você percebe tensão entre o que acontece e este foco: A acusação não é que Nínive fosse forte, e sim o que ela fez com isso: cidade cheia de mentira e de rapina, que vendia nações. Ele pergunta se ela é melhor do que Nô-Amom, a cidade egípcia que a própria Assíria saqueou, cujas crianças foram despedaçadas nas esquinas de todas as ruas. Ela foi levada ao cativeiro, e tu também irás.; As tuas fortalezas são figueiras com frutos maduros que caem na boca de quem as sacode. Tira a água para o cerco, reforça o forno de tijolos, e nada disso adiantará. Os teus mercadores se multiplicaram como gafanhotos e voaram quando o sol nasceu. O livro termina notando que todo o que ouvir a notícia baterá palmas, porque não houve ninguém a quem a tua crueldade não alcançasse.?
Que pergunta importante a passagem deixa aberta em vez de resolver rapidamente?
Examine seu interior com honestidade
Com qual pessoa, resposta, medo ou desejo da passagem você mais se identifica neste momento?
Que suposição sua sobre Deus, outras pessoas ou você mesmo este texto desafia?
Que parte você preferiria suavizar, evitar ou explicar depressa demais? O que essa reação pode revelar?
Se esta Escritura pudesse fazer uma pergunta direta a você, qual seria?
Responda com sabedoria e coragem
O que você precisa lembrar, confessar, lamentar, agradecer ou confiar depois de ler esta passagem?
Como outra pessoa fiel poderia ler esta situação de modo diferente sem ignorar o texto?
Que resposta obediente seria difícil, desconfortável ou lenta, mas ainda fiel à Escritura?
Que pergunta você levará à oração nesta semana e quais versículos manterá diante de si?
Ouça e assista junto com a passagem
A mídia relacionada aparece somente quando sua referência bíblica coincide com esta unidade. Use música e vídeo como companhia e depois retorne ao texto.



