O panorama
Paulo passa da confiança no amor de Deus à tristeza por seu próprio povo, Israel, a nação judaica. É mensageiro de Jesus Cristo, que proclama como o Senhor prometido. Muitos de seus irmãos israelitas não receberam essa mensagem. Isso levanta uma pergunta dolorosa sobre as promessas de Deus. Paulo responde por escolhas familiares anteriores e imagens de misericórdia, endurecimento e barro de oleiro. Seu argumento não é especulação distante; começa com amor por aqueles cuja resposta o aflige.
Neste capítulo
- Tristeza por um povo muito presenteado Romanos 9:1-5
Paulo insiste que fala a verdade, com sua consciência e o Espírito Santo, Espírito de Deus, dando testemunho.
- Promessa em vez de descendência apenas Romanos 9:6-13
A palavra de Deus não falhou, diz Paulo, porque a descendência física não define sozinha a família prometida.
- A misericórdia não é direito exigível Romanos 9:14-18
Paulo levanta a objeção de que Deus poderia ser injusto e a rejeita.
- O oleiro e o barro Romanos 9:19-24
Um interlocutor imaginado pergunta como Deus ainda culpa as pessoas se ninguém vence sua vontade.
- Um restante e uma pedra de tropeço Romanos 9:25-33
Paulo cita Oseias, profeta anterior, sobre Deus chamar os de fora de seu povo e filhos.
Verdade central
Paulo lamenta por Israel enquanto argumenta que a promessa de Deus se apoia em seu chamado misericordioso, não na origem familiar nem na conquista humana.

A Escritura ao lado do resumo
Romanos · Bíblia Portuguesa Mundial · 33Romanos 9:1-5
Tristeza por um povo muito presenteado
Paulo insiste que fala a verdade, com sua consciência e o Espírito Santo, Espírito de Deus, dando testemunho. Sua tristeza por seu povo é profunda e constante. Expressa o desejo de ser separado de Cristo se isso pudesse ajudá-lo. São israelitas, que receberam adoção, glória divina, alianças, lei de Deus, culto e promessas. Os antepassados lhes pertencem, e Jesus Cristo vem de sua linhagem humana. Paulo termina louvando aquele que está acima de todos. Suas ricas dádivas tornam a tristeza presente mais dolorosa, em vez de dar a Paulo motivo para desprezá-los.

No dia a dia
Uma mãe lê cartas antigas do filho afastado ao lado dos certificados que ele trazia para casa. Lembra seus dons e o passado comum. Ambos aprofundam sua dor pela distância entre eles. Oferece-se para arcar com o custo na esperança de restaurá-lo. A tristeza de Paulo trata da relação de seu povo com Cristo e é expressa na linguagem extrema de uma maldição.
Repare
Romanos 9:4 Paulo identifica as dádivas de Israel enquanto expressa tristeza, não desprezo. Sua preocupação nasce dentro de uma história que ainda reconhece como honrada pelas promessas de Deus.
Romanos 9:1-5
Bíblia Portuguesa Mundial1Digo a verdade em Cristo. Não minto, minha consciência testifica comigo no Espírito Santo,
2que tenho grande tristeza e dor incessante em meu coração.
3Pois eu mesmo poderia desejar ser amaldiçoado e separado de Cristo por amor a meus irmãos, meus parentes segundo a carne,
4que são israelitas; a eles pertencem a adoção, a glória, as alianças, a entrega da lei, o culto e as promessas;
5deles são os patriarcas, e deles descende Cristo segundo a carne, o qual é sobre todos, Deus bendito para sempre. Amém.
Romanos 9:6-13
Promessa em vez de descendência apenas
A palavra de Deus não falhou, diz Paulo, porque a descendência física não define sozinha a família prometida. Abraão, o antepassado, teve filhos, mas a promessa identificou Isaque, nascido de sua esposa Sara. Depois Rebeca, esposa de Isaque, carregou os gêmeos Jacó e Esaú. Antes do nascimento ou de atos bons ou maus, Deus disse que o mais velho serviria ao mais novo. As Escrituras depois falam de amor por Jacó e ódio por Esaú. Paulo usa essas palavras fortes para colocar o propósito da escolha divina antes de direitos merecidos. Cristãos divergem sobre como essa escolha trata de indivíduos, povos e salvação.
No dia a dia
Uma advogada de família lê um fundo cujo propósito declarado difere da suposição de que o descendente mais velho recebe todos os bens. As conquistas posteriores dos primos não escreveram os termos, e o sobrenome comum não os torna idênticos para cada um. O documento vem antes das reivindicações. A eleição de Deus envolve misericórdia e propósito que um fundo humano não explica por completo.
Repare
Romanos 9:11 O momento anterior a qualquer ação dos gêmeos é central no raciocínio de Paulo. Ele exclui seus atos posteriores como causa da escolha descrita.
Romanos 9:6-13
Bíblia Portuguesa Mundial6Mas não é como se a palavra de Deus tivesse falhado. Pois nem todos os que são de Israel são Israel.
7Nem todos são filhos por serem descendência de Abraão. Mas: “Sua descendência será considerada a partir de Isaque.”
8Isto é, não são os filhos da carne que são filhos de Deus, mas os filhos da promessa são contados como herdeiros.
9Pois a promessa foi esta: “No tempo determinado virei, e Sara terá um filho.”
10Não somente isso, mas Rebeca também concebeu filhos de um só homem, nosso pai Isaque.
11Pois, antes que eles tivessem nascido ou feito qualquer coisa boa ou má, para que o propósito de Deus segundo a eleição permanecesse, não por obras, mas por aquele que chama,
12foi dito a ela: “O mais velho servirá ao mais novo.”
13Como está escrito: “Amei a Jacó, mas odiei a Esaú.”
Romanos 9:14-18
A misericórdia não é direito exigível
Paulo levanta a objeção de que Deus poderia ser injusto e a rejeita. Deus disse a Moisés, líder que recebeu a lei, que misericórdia e compaixão pertencem à própria vontade divina. Não são salários exigidos dele pelo desejo ou esforço humano. Paulo então lembra o Faraó, governante do Egito que resistiu ao povo de Deus. As Escrituras dizem que Deus o levantou para mostrar poder divino e tornar seu nome amplamente conhecido. Paulo conclui que Deus mostra misericórdia e endurece conforme sua vontade. A afirmação é severa: seres humanos não controlam quem concede misericórdia.

No dia a dia
Um candidato a um fundo de socorro chega com uma lista de esforços e exige auxílio como dívida devida a ele. O administrador explica que o fundo é dádiva, não salário por esforço. Suas decisões ainda precisam ser justas. A necessidade não transforma generosidade em direito comprado. A afirmação de Paulo inclui o endurecimento por Deus, algo que essa decisão de auxílio não ilustra.
Repare
Romanos 9:16 Paulo nega que a misericórdia comece na força da vontade ou do esforço humano. A origem decisiva é o Deus que mostra compaixão.
Romanos 9:14-18
Bíblia Portuguesa Mundial14O que diremos então? Há injustiça da parte de Deus? De modo nenhum!
15Pois ele disse a Moisés: “Terei misericórdia de quem eu tiver misericórdia, e terei compaixão de quem eu tiver compaixão.”
16Assim, pois, isso não depende daquele que quer, nem daquele que corre, mas de Deus, que tem misericórdia.
17Pois a Escritura diz ao Faraó: “Foi justamente para este propósito que eu o levantei: para mostrar em você o meu poder e para que o meu nome seja proclamado em toda a terra.”
18Assim, pois, ele tem misericórdia de quem ele quer, e endurece a quem ele quer.
Romanos 9:19-24
O oleiro e o barro
Um interlocutor imaginado pergunta como Deus ainda culpa as pessoas se ninguém vence sua vontade. Paulo responde com a autoridade do criador sobre o que faz. O barro não fica acima do oleiro exigindo explicação de sua forma. Da mesma massa, o oleiro faz recipientes para usos diferentes. Paulo depois fala de Deus suportando com paciência vasos preparados para destruição enquanto torna sua glória conhecida em vasos de misericórdia preparados para glória. Os chamados incluem judeus e gentios, pessoas de outras nações. A imagem coloca exigências humanas sob a autoridade de Deus sem explicar por completo cada mistério.
No dia a dia
Uma oleira forma dois recipientes da mesma massa, um para a mesa e outro para lavar ferramentas sujas de barro. Um visitante considera o segundo inútil por não ter decoração, mas a criadora conhece a tarefa de cada um. O propósito não é decidido pela preferência do visitante. Seres humanos diante de misericórdia e julgamento são mais que objetos numa oficina.
Repare
Romanos 9:22 A paciência aparece junto da ira na pergunta de Paulo. Deus é descrito como suportando o que merece julgamento, não agindo num acesso repentino de raiva.
Romanos 9:19-24
Bíblia Portuguesa Mundial19Você me dirá então: “Por que ele ainda nos culpa? Pois quem resiste à sua vontade?”
20Mas, de fato, ó homem, quem é você para retrucar a Deus? Acaso aquilo que foi moldado dirá a quem o moldou: “Por que você me fez assim?”
21Ou não tem o oleiro direito sobre o barro, para da mesma massa fazer um vaso para honra e outro para desonra?
22E se Deus, querendo mostrar a sua ira e tornar conhecido o seu poder, suportou com muita paciência os vasos de ira preparados para a destruição,
23e a fim de tornar conhecidas as riquezas da sua glória nos vasos de misericórdia, que ele preparou de antemão para a glória—
24a nós, a quem ele também chamou, não apenas dentre os judeus, mas também dentre os gentios?
Romanos 9:25-33
Um restante e uma pedra de tropeço
Paulo cita Oseias, profeta anterior, sobre Deus chamar os de fora de seu povo e filhos. Isaías, outro profeta, fala de um restante de Israel salvo pela misericórdia de Deus. Sem ela, a destruição teria sido completa. Paulo então contrasta gentios que recebem justiça pela fé com a busca de Israel por obras orientadas pela lei. A falha não é falta de esforço, mas recusa da fé como base. As Escrituras retratam uma pedra que faz alguns tropeçarem, mas sustenta a confiança de outros. Paulo aplica essa imagem ao prometido: crer nele não terminará em vergonha.

No dia a dia
Um caminhante recusa a ponte sinalizada porque quer provar que atravessa o desfiladeiro por sua própria rota. Outro aceita a ponte e chega ao outro lado sem a mesma exibição de esforço. A travessia oferecida se torna obstáculo ao orgulho do primeiro. O contraste de Paulo trata da fé naquele que Deus prometeu, não de habilidade para caminhar.
Repare
Romanos 9:32 Paulo identifica a base da busca como problema. O contraste não é entre busca séria e ausência de busca, mas entre obras como reivindicação e fé.
Romanos 9:25-33
Bíblia Portuguesa Mundial25Como ele também diz em Oseias: “Chamarei 'meu povo' àqueles que não eram meu povo; e 'amada' àquela que não era amada.”
26“Acontecerá que no lugar onde lhes foi dito: 'Vocês não são meu povo', ali eles serão chamados 'filhos do Deus vivo'.”
27Isaías clama a respeito de Israel: “Ainda que o número dos filhos de Israel seja como a areia do mar, é o remanescente que será salvo;
28pois ele completará a obra e a abreviará em justiça, porque o Senhor fará uma obra breve sobre a terra.”
29Como Isaías disse antes: “A menos que o Senhor dos Exércitos nos tivesse deixado uma semente, teríamos nos tornado como Sodoma, e teríamos sido feitos como Gomorra.”
30O que diremos então? Que os gentios, que não buscavam a justiça, alcançaram a justiça, a saber, a justiça que vem da fé;
31mas Israel, buscando uma lei de justiça, não chegou à lei de justiça.
32Por quê? Porque não a buscaram pela fé, mas como se fosse pelas obras da lei. Eles tropeçaram na pedra de tropeço,
33como está escrito: “Eis que ponho em Sião uma pedra de tropeço e uma rocha de ofensa; e ninguém que nele crê será decepcionado.”
Detalhes que merecem atenção
A imagem de abertura
Romanos 9:1 começa com “Digo a verdade em Cristo. Não minto, minha consciência testifica comigo no Espírito Santo,”
Onde o capítulo muda
Romanos 9:19 forma uma mudança natural: “Você me dirá então: “Por que ele ainda nos culpa? Pois quem resiste à sua vontade?””
A nota final
Romanos 9:33 deixa o leitor com “como está escrito: “Eis que ponho em Sião uma pedra de tropeço e uma rocha de ofensa; e ninguém que nele crê será decepcionado.””
Um caminho de palavras pelo capítulo
As palavras para, como, Pois, Deus, quem, filhos ajudam a revelar as preocupações repetidas do capítulo.
Palavras do texto bíblico explicadas
- eleição
- Escolha ou chamado feito por Deus de acordo com seu propósito.
- remanescente
- Grupo menor que resta ou é preservado de um povo maior.
- oleiro
- Trabalhador que molda o barro para fazer vasos e outros objetos.
Ouça e assista junto com a passagem
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