Ídolos no coração e uma justiça que não pode ser emprestada

Ezequiel 14

O panorama

Alguns anciãos se sentam respeitosamente diante de Ezequiel enquanto carregam ídolos no coração, e o capítulo faz dessa lealdade escondida o verdadeiro assunto de sua consulta. O Livro de Ezequiel se recusa a tratar a consulta exterior como neutra quando quem pergunta já instalou dentro de si um compromisso rival. Ao chamado para se afastar dos ídolos segue uma advertência difícil: tanto o profeta enganoso quanto o consulente idólatra continuam responsáveis quando circula entre eles uma orientação falsa. Depois o capítulo amplia a questão da consulta para a segurança comunitária. Nem Noé, nem Daniel, nem Jó poderiam livrar senão a si mesmos nos juízos hipotéticos descritos. A justiça não pode ser tomada emprestada de uma figura famosa, de um parente ou de uma pequena presença justa dentro de uma terra culpada. Ainda assim, Jerusalém terá sobreviventes. Quando chegarem entre os exilados, seus caminhos e ações mostrarão que a devastação da cidade não foi sem motivo.

Neste capítulo

Ezequiel 14: Ídolos no coração e uma justiça que não pode ser emprestada
Cena do capítuloEzequiel 14

A Escritura ao lado do resumo

Ezequiel · Bíblia Portuguesa Mundial · 23

Ezequiel 14:1-5

O público traz seus ídolos para dentro

Os anciãos parecem consulentes corretos. Vêm a Ezequiel, sentam-se diante dele e ocupam externamente a postura de quem busca uma palavra. O Livro de Ezequiel abre o que a disposição dos assentos não pode mostrar: os ídolos já estão estabelecidos em seus corações, com o tropeço da iniquidade posto diante de seus rostos. A consulta não é, portanto, coleta neutra de informação. A lealdade deles entrou na sala antes da pergunta. A resposta de Deus mira esse centro escondido, prometendo responder conforme a multidão de ídolos para capturar Israel em seu próprio coração: "para que eu possa capturar a casa de Israel em seu próprio coração, porque todos eles se afastaram de mim por causa de seus ídolos." A questão não é que perguntar a um profeta seja errado. É que a indagação religiosa não pode ser usada para esconder um apego que o consulente se recusa a entregar.

Ezequiel 14:1-5: O público traz seus ídolos para dentro
Cena do capítuloEzequiel 14

Estudo aprofundado

A ação visível dos anciãos parece inteiramente correta: eles vêm e se sentam diante de Ezequiel. A palavra seguinte revela o que a disposição dos assentos não pode mostrar. Eles instalaram seus ídolos no coração e colocaram a pedra de tropeço de sua iniquidade diante do rosto. A linguagem leva a idolatria para além da presença de um objeto esculpido no cômodo. Vir a um profeta não substituiu o compromisso que determina como o ouvirão.

A resposta de Deus corresponderá à multidão de seus ídolos, em vez de fornecer uma informação isolada. O propósito anunciado é apanhar a casa de Israel em seu próprio coração, exatamente onde seu afastamento foi estabelecido. Isso não descreve uma pergunta inocente recebendo uma recusa arbitrária. A consulta ocorre através de uma divisão de lealdade à qual os consulentes não renunciaram. Ezequiel não começa relatando o que os anciãos perguntam, porque o problema central do capítulo já está presente antes que a pergunta seja pronunciada.

Percurso versículo por versículo

  1. Ezequiel 14:1

    Em 8:1 eram os anciãos de Judá; aqui são “anciãos de Israel”, e os exilados da Babilônia são tratados como Israel inteiro ao longo do capítulo. Eles vêm e se sentam, a postura de quem espera uma palavra. A pergunta que traziam nunca é registrada.

  2. Ezequiel 14:2

    A palavra vem a Ezequiel, não aos anciãos. A consulta ia do consulente ao profeta e do profeta a Deus, e Deus fala ao profeta sobre os consulentes antes que o profeta lhes tenha dito qualquer coisa.

  3. Ezequiel 14:3

    “Levaram seus ídolos para os seus corações” é literalmente fizeram os ídolos subir sobre o coração, o verbo de erguer algo sobre um pedestal e também de pensamentos que sobem à mente (11:5). “Ser consultado” é darash, o termo técnico para consultar a Deus por meio de um profeta, como os homens de Josias fizeram com Hulda (2 Reis 22:13).

  4. Ezequiel 14:4

    “Qualquer homem da casa de Israel que” é a forma da lei casuística de Levítico 17 e 20, que define uma ofensa e depois a sua pena. Ezequiel fala com a voz da lei sacerdotal, definindo um caso em vez de se dirigir a um ancião em particular.

  5. Ezequiel 14:5

    “Capturar” é literalmente agarrá-los pelo coração, o verbo de segurar alguém com força. “Se afastaram” vem da raiz de estranho ou estrangeiro, a mesma do fogo estranho que Nadabe e Abiú ofereceram (Levítico 10:1). O povo se tornou estrangeiro para o seu próprio Deus.

Ezequiel 14:1-5

Bíblia Portuguesa Mundial

1Então alguns dos anciãos de Israel vieram a mim e se assentaram diante de mim.

2A palavra do SENHOR veio a mim, dizendo:

3“Filho do homem, estes homens levaram seus ídolos para os seus corações, e colocaram o tropeço da sua iniquidade diante dos seus rostos. Acaso deveria eu ser consultado por eles?

4Portanto, fale com eles e diga-lhes: ‘Assim diz o Senhor DEUS: “Qualquer homem da casa de Israel que levar seus ídolos para o seu coração e colocar o tropeço da sua iniquidade diante do seu rosto, e então vier ao profeta, eu, o SENHOR, lhe responderei ali de acordo com a multidão de seus ídolos,

5para que eu possa capturar a casa de Israel em seu próprio coração, porque todos eles se afastaram de mim por causa de seus ídolos.”’

Ezequiel 14:6-11

Uma resposta que nenhuma das partes controla

A resposta à idolatria escondida começa com um chamado aberto a se afastar dela. Essa sequência importa porque o juízo não é apresentado como recusa arbitrária de falar. O Livro de Ezequiel se dirige igualmente ao israelita e ao estrangeiro residente quando qualquer um se separa de Deus, levanta ídolos no coração e busca depois resposta profética. A persistência recebe resposta, mas não a orientação cômoda que tal consulta tenta obter: "Voltarei o meu rosto contra esse homem e farei dele um espanto, um sinal e um provérbio, e o eliminarei do meio do meu povo." O profeta também pode ficar implicado: "Se o profeta for enganado e falar alguma palavra, eu, o SENHOR, terei enganado esse profeta." A declaração é deliberadamente difícil. O que é claro é a responsabilidade compartilhada e a meta declarada: "para que a casa de Israel não se desvie mais de mim... mas para que eles sejam o meu povo, e eu seja o seu Deus."

Estudo aprofundado

A recusa de acomodar a idolatria vem acompanhada de um chamado explícito a abandoná-la. Isso importa na sequência: a resposta não é simplesmente uma porta trancada. Tanto o israelita de nascimento quanto o estrangeiro que vive entre Israel são tratados como responsáveis pela lealdade que levam a um profeta. Deus responderá à pessoa que persiste, mas como juiz, não como fornecedor de informação conveniente. O sinal resultante exporá a separação de Deus que a consulta tentou esconder.

O versículo 9 é deliberadamente difícil. Deus diz: “eu, o SENHOR, terei enganado esse profeta”, e então anuncia juízo contra ele. Alguns intérpretes entendem isso como entregar judicialmente um profeta já falso ao engano que abraça; outros enfatizam a direção ativa de Deus no juízo. Substituir a afirmação por mera observação divina suavizaria sua redação real. Contudo, a passagem não oferece uma explicação filosófica de como a ação divina e a culpa do profeta se relacionam. Ela coloca tanto o profeta quanto quem o consulta sob juízo e então nomeia o fim pretendido: cessam o afastamento e a contaminação de Israel, e a relação do pacto é restaurada.

Percurso versículo por versículo

  1. Ezequiel 14:6

    O “Voltem, e afastem-se” usa o mesmo verbo hebraico duas vezes, voltar e fazer voltar; Ezequiel 18:30 repete a ordem palavra por palavra. O rosto deles estava voltado para o tropeço (versículo 3), e por isso recebem ordem de desviar o rosto. A primeira resposta dada aos idólatras é um convite.

  2. Ezequiel 14:7

    “Se separar de mim” vem de nazar, a raiz de nazireu: o nazireu era quem se separava para o SENHOR (Números 6:2). Aqui um homem se separa do SENHOR. Como as leis de Levítico 17:10 e 20:2, o caso inclui o estrangeiro residente. Responder “por mim mesmo” significa em pessoa, sem profeta no meio.

  3. Ezequiel 14:8

    A fonte é Levítico 20:6, onde Deus volta o rosto contra quem recorre aos médiuns e o elimina do meio do povo. Ezequiel aplica a lei sobre consultar médiuns a israelitas que consultam um profeta verdadeiro com ídolos no coração.

  4. Ezequiel 14:9

    Na visão de Micaías, o SENHOR enviou um espírito mentiroso à boca dos profetas de Acabe (1 Reis 22:19–23). O verbo traduzido por “enganado” significa seduzido ou persuadido, e é o mesmo que Jeremias usou na sua queixa de que Deus o seduzira e ele se deixara seduzir (Jeremias 20:7).

  5. Ezequiel 14:10

    “Eles carregarão a sua iniquidade” é a expressão que Ezequiel encenou deitado de lado por 390 dias (4:4–6), levando a iniquidade de Israel. Deuteronômio 13 tornara responsáveis tanto o profeta que seduz quanto os que o seguem; aqui o profeta e o homem que o procura são sentenciados por igual.

  6. Ezequiel 14:11

    “Não se desvie” é o verbo usado para ovelhas que se extraviam, como no Salmo 119:176 e em Isaías 53:6, onde todos andam desgarrados como ovelhas. Ezequiel desenvolverá a imagem do pastor no capítulo 34. O propósito de todo o juízo se declara como uma volta ao pertencimento.

Ezequiel 14:6-11

Bíblia Portuguesa Mundial

6“Portanto, diga à casa de Israel: ‘Assim diz o Senhor DEUS: “Voltem, e afastem-se dos seus ídolos! Desviem os seus rostos de todas as suas abominações.

7“‘“Pois qualquer um da casa de Israel, ou dos estrangeiros que vivem em Israel, que se separar de mim e levar seus ídolos para o seu coração, e colocar o tropeço da sua iniquidade diante do seu rosto, e vier ao profeta para me consultar em seu favor, eu, o SENHOR, lhe responderei por mim mesmo.

8Voltarei o meu rosto contra esse homem e farei dele um espanto, um sinal e um provérbio, e o eliminarei do meio do meu povo. Então vocês saberão que eu sou o SENHOR.

9“‘“Se o profeta for enganado e falar alguma palavra, eu, o SENHOR, terei enganado esse profeta, e estenderei a minha mão contra ele, e o destruirei do meio do meu povo Israel.

10Eles carregarão a sua iniquidade. A iniquidade do profeta será igual à iniquidade daquele que o consulta,

11para que a casa de Israel não se desvie mais de mim, nem se contamine mais com todas as suas transgressões; mas para que eles sejam o meu povo, e eu seja o seu Deus,” diz o Senhor DEUS.’”

Ezequiel 14:12-20

Três homens justos não podem substituir uma terra

Noé, Daniel e Jó não são introduzidos para classificar homens justos famosos, mas para tornar a hipótese o mais forte possível. Mesmo que figuras desse porte estivessem em uma terra sob juízo, diz o Livro de Ezequiel, sua justiça livraria apenas as próprias almas. Fome, feras perigosas, espada e peste repetem o mesmo argumento por ângulos diferentes. A posição moral não pode ser transferida como grão armazenado de uma pessoa para outra. A menção de filhos e filhas afia ainda mais o ponto, porque nem a relação familiar pode transformar justiça emprestada em proteção. A inclusão de Noé é especialmente marcante dada a preservação de sua casa em Gênesis, mas Ezequiel está definindo os termos deste juízo e não reescrevendo aquele relato. A identidade de "Daniel" tem sido debatida, mas o argumento não depende de resolver esse debate. A justiça exemplar não é uma reserva comunitária que Jerusalém possa gastar enquanto persiste na transgressão.

A palavra de Ezequiel aos anciãos
Cena do capítuloEzequiel 14
Assíria e Babilônia
Assíria e Babilônia

Estudo aprofundado

Os exemplos repetidos constituem um argumento, não uma série de previsões desconexas. Fome, animais perigosos, espada e peste testam, cada um, a mesma alegação: se a presença de pessoas excepcionalmente justas pode preservar uma terra que agiu de maneira traiçoeira. Noé, Daniel e Jó não são introduzidos para classificar suas realizações. São o contraexemplo mais forte imaginável dentro da passagem, e nem sua presença transformaria a conduta de outra pessoa em justiça.

A referência repetida a filhos e filhas elimina uma possível fuga do argumento. O livramento não pode simplesmente passar pelas linhas familiares a partir de um pai justo. Isso é particularmente marcante com Noé na lista, pois Gênesis registra a preservação de sua família na arca. Ezequiel não está reescrevendo esse acontecimento. Está declarando os termos deste juízo, no qual esses homens livrariam apenas a si mesmos. A Bíblia Portuguesa Mundial nomeia Daniel; a identidade da figura também tem sido debatida, com alguns estudiosos propondo a antiga figura justa de Danel em vez do contemporâneo bíblico de Ezequiel. O argumento não depende de resolver essa identificação: a justiça exemplar não é uma reserva comunitária que Jerusalém possa gastar.

Percurso versículo por versículo

  1. Ezequiel 14:12

    O segundo oráculo do capítulo não nomeia público nem dá ocasião. Tem forma de caso jurídico, quando uma terra peca, e estabelece uma regra geral antes que o versículo 21 a aplique a Jerusalém.

  2. Ezequiel 14:13

    “Cometendo uma transgressão” é ma'al, quebra de fidelidade, a palavra para sacrilégio contra coisas santas, usada quando Acã cometeu transgressão com o que era consagrado (Josué 7:1). “Homens e animais”, que volta em cada caso (versículos 17, 19, 21), é o par do dilúvio, quando Deus disse que destruiria homem e animal (Gênesis 6:7).

  3. Ezequiel 14:14

    Jeremias ouviu algo próximo disto: ainda que Moisés e Samuel estivessem diante de Deus, o seu coração não se voltaria para aquele povo (Jeremias 15:1). Jeremias nomeou dois grandes intercessores; Ezequiel nomeia três homens justos. “As suas próprias almas” significa a própria vida.

  4. Ezequiel 14:15

    Quando os assírios repovoaram Samaria com estrangeiros, o SENHOR enviou leões que mataram alguns deles (2 Reis 17:25). Uma terra esvaziada de gente se enche de feras até que “nenhum homem possa passar por causa dos animais”.

  5. Ezequiel 14:16

    Jó oferecia holocaustos por cada filho e filha, para o caso de terem pecado (Jó 1:5), e mesmo assim todos morreram num só dia quando a casa caiu sobre eles (1:18–19). Dos três nomeados, Jó é aquele cuja justiça comprovadamente não salvou os filhos. “Tão certo como eu vivo” transforma a regra em juramento.

  6. Ezequiel 14:17

    Deus se dirige à espada como se ela pudesse ouvir: “Espada, passe pela terra”. Ezequiel 21 lhe dará um cântico inteiro, e Jeremias 47:6 clama a ela perguntando quando a espada do SENHOR vai descansar. A espada é um agente enviado numa missão.

  7. Ezequiel 14:18

    Abraão negociou com Deus até dez: por dez justos, Sodoma teria sido poupada (Gênesis 18:32). Aqui nem três dos homens mais justos de que se tem memória conseguem salvar os próprios filhos e filhas. O caso repete o versículo 16 quase exatamente, e a repetição é o argumento.

  8. Ezequiel 14:19

    “Peste” é deber, a palavra para a praga que atingiu o gado do Egito na quinta praga (Êxodo 9:3), e por isso ela cai naturalmente sobre “homens e animais”. “Em sangue” significa em morte; peste e sangue voltam juntos em 5:17 e 28:23.

  9. Ezequiel 14:20

    O primeiro caso dizia que os três livrariam as próprias almas; os casos do meio falavam de filhos e filhas. Este último reduz o plural ao singular, “nem filho nem filha”: nem uma única criança. Os três nomes voltam no fim para fechar a moldura aberta no versículo 14.

Ezequiel 14:12-20

Bíblia Portuguesa Mundial

12A palavra do SENHOR veio a mim, dizendo:

13“Filho do homem, quando uma terra pecar contra mim, cometendo uma transgressão, e eu estender a minha mão contra ela, e quebrar o cajado do seu pão, e enviar fome sobre ela, e eliminar dela homens e animais—

14ainda que estes três homens, Noé, Daniel e Jó, estivessem nela, eles livrariam apenas as suas próprias almas pela sua justiça,” diz o Senhor DEUS.

15“Se eu fizer com que animais ferozes passem pela terra, e eles a devastem e ela fique desolada, de modo que nenhum homem possa passar por causa dos animais—

16ainda que estes três homens estivessem nela, tão certo como eu vivo,” diz o Senhor DEUS, “eles não livrariam nem filhos nem filhas. Apenas eles seriam livrados, mas a terra ficaria desolada.

17“Ou se eu trouxer a espada sobre aquela terra, e disser: ‘Espada, passe pela terra, para que eu elimine dela homens e animais’—

18ainda que estes três homens estivessem nela, tão certo como eu vivo,” diz o Senhor DEUS, “eles não livrariam nem filhos nem filhas, mas apenas eles mesmos seriam livrados.

19“Ou se eu enviar uma peste sobre aquela terra, e derramar a minha ira sobre ela em sangue, para eliminar dela homens e animais—

20ainda que Noé, Daniel e Jó estivessem nela, tão certo como eu vivo,” diz o Senhor DEUS, “eles não livrariam nem filho nem filha; eles livrariam apenas as suas próprias almas pela sua justiça.”

Ezequiel 14:21-23

Sobreviventes que explicam o juízo

Depois de testar o argumento com um desastre de cada vez, o capítulo reúne os quatro juízos sobre Jerusalém ao mesmo tempo: espada, fome, feras perigosas e peste. Ainda assim, um remanescente de filhos e filhas sai dali. O Livro de Ezequiel dá à sua sobrevivência um propósito interpretativo específico. Eles chegarão entre os exilados, que verão seus caminhos e suas ações e entenderão que a devastação de Jerusalém não foi sem motivo: "Eles os consolarão, quando vocês virem os seus caminhos e as suas ações; então vocês saberão que não foi sem motivo que fiz tudo o que fiz nela, diz o Senhor DEUS." A passagem não descreve inteiramente como será essa conduta, o que deixa espaço para mais de uma leitura de como exatamente ela consola. O que não deixa incerto é a conclusão. A presença deles tornará o juízo inteligível. O remanescente não contradiz a sentença nem prova que a justiça foi emprestada de outros.

Sobreviventes de Jerusalém chegam aos exilados
Cena do capítuloEzequiel 14

Estudo aprofundado

O argumento se intensifica, passando de um desastre de cada vez aos quatro juízos de Deus chegando juntos a Jerusalém. Diante desse acúmulo, a sobrevivência de filhos e filhas é uma ressalva real. Ela não contradiz os exemplos anteriores transferindo discretamente para eles o mérito de uma pessoa justa. Sua preservação tem um propósito declarado: eles virão aos exilados, e aquilo que os exilados virem neles tornará compreensível o juízo sobre Jerusalém.

A passagem enfatiza duas vezes seu “caminho” e seus “feitos”, sem descrever aqui essas ações. Isso deixa uma questão interpretativa. Sua conduta pode expor uma corrupção persistente e assim mostrar por que o juízo foi necessário; por outro lado, intérpretes têm entendido um remanescente transformado cuja conduta revela o efeito do juízo. A conclusão explícita é mais restrita que qualquer reconstrução detalhada: Deus não agiu sem motivo. O consolo prometido, portanto, não é o apagamento das perdas de Jerusalém. É uma compreensão do juízo que aqueles que observavam do exílio ainda não possuíam.

Percurso versículo por versículo

  1. Ezequiel 14:21

    “Quanto mais” é a forma hebraica do argumento do menor para o maior: se um único juízo não podia ser evitado, que dizer de quatro juntos? Apocalipse 6:8 dá ao quarto cavaleiro poder de matar com espada, fome, morte e as feras da terra, os mesmos quatro.

  2. Ezequiel 14:22

    “Será levado para fora” é o passivo do verbo de sair: esses sobreviventes não escapam, são conduzidos para fora, como cativos. Jeremias 52:29 conta 832 pessoas levadas de Jerusalém no ano da queda. Os sobreviventes chegarão à Babilônia, onde os exilados poderão olhar para eles.

  3. Ezequiel 14:23

    “Consolarão” é o verbo de Isaías 40:1, a grande palavra de consolo dirigida mais tarde a esses mesmos exilados. Aqui o consolo é de um tipo estranho: vem pelo olhar, quando os exilados entendem, pelos próprios sobreviventes, por que Jerusalém tinha de cair.

Ezequiel 14:21-23

Bíblia Portuguesa Mundial

21Pois assim diz o Senhor DEUS: “Quanto mais quando eu enviar os meus quatro severos juízos sobre Jerusalém—a espada, a fome, os animais ferozes e a peste—para eliminar dela homens e animais!

22Contudo, eis que restará nela um remanescente que será levado para fora, tanto filhos como filhas. Eis que eles sairão até vocês, e vocês verão os seus caminhos e as suas ações. Então vocês serão consolados a respeito do mal que eu trouxe sobre Jerusalém, sim, a respeito de tudo o que eu trouxe sobre ela.

23Eles os consolarão, quando vocês virem os seus caminhos e as suas ações; então vocês saberão que não foi sem motivo que fiz tudo o que fiz nela,” diz o Senhor DEUS.

Questões para manter em mente durante a leitura

  1. Identifique a crise histórica, a quebra da aliança, a advertência e a esperança.
  2. Distinga o público imediato do profeta de conexões bíblicas posteriores.
  3. Não transforme manchetes atuais em cumprimentos seguros sem evidência textual.

Primeiro o texto

Onde os leitores divergem

O resumo começa com o que a passagem diz e como suas partes se relacionam. Ele não presume que uma denominação já resolveu todas as questões. A dependência de uma tradição, teoria literária ou reconstrução histórica é claramente identificada.

O texto bíblico aparece primeiro. As conclusões interpretativas são identificadas, e as diferenças surgem quando ajudam a explicar por que comunidades sérias nem sempre chegam à mesma resposta.

As notas interpretativas comparativas deste capítulo estão em preparação. Até que as notas revisadas estejam prontas, esta página separa o texto bíblico do resumo e da aplicação sem afirmar que leitores responsáveis concordam em todas as questões.

Questões sob a superfície

  1. Que parte de Ezequiel 14 faz você parar, se sentir desconfortável ou se surpreender, e por quê?
  2. Que detalhe da passagem seria fácil ignorar? Como esse detalhe muda sua compreensão?
  3. Onde você percebe tensão entre o que acontece e este foco: Ezequiel 14?
  4. Que pergunta importante a passagem deixa aberta em vez de resolver rapidamente?

Perguntas para uma reflexão pessoal séria

Estas perguntas são intencionalmente abertas. Permaneça com a tensão da passagem, responda com honestidade e volte à Escritura antes de chegar a uma conclusão.

Observe sem pressa

  1. Que parte de Ezequiel 14 faz você parar, se sentir desconfortável ou se surpreender, e por quê?

  2. Que detalhe da passagem seria fácil ignorar? Como esse detalhe muda sua compreensão?

  3. Onde você percebe tensão entre o que acontece e este foco: Ezequiel 14 se desenvolve por meio de suas próprias vozes, ações, afirmações e consequências?

  4. Que pergunta importante a passagem deixa aberta em vez de resolver rapidamente?

Examine seu interior com honestidade

  1. Com qual pessoa, resposta, medo ou desejo da passagem você mais se identifica neste momento?

  2. Que suposição sua sobre Deus, outras pessoas ou você mesmo este texto desafia?

  3. Que parte você preferiria suavizar, evitar ou explicar depressa demais? O que essa reação pode revelar?

  4. Se esta Escritura pudesse fazer uma pergunta direta a você, qual seria?

Responda com sabedoria e coragem

  1. O que você precisa lembrar, confessar, lamentar, agradecer ou confiar depois de ler esta passagem?

  2. Como outra pessoa fiel poderia ler esta situação de modo diferente sem ignorar o texto?

  3. Que resposta obediente seria difícil, desconfortável ou lenta, mas ainda fiel à Escritura?

  4. Que pergunta você levará à oração nesta semana e quais versículos manterá diante de si?

Ouça e assista junto com a passagem

Ainda não há mídia exata catalogada para esta passagem. O relatório de conciliação conectará novos materiais quando estiverem disponíveis.

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Fonte: eBible.org · porbrbsl · obtido 2026-09-20