Estrelas acima e um pacto através da escuridão

Gênesis 15

O panorama

Gênesis 15 passa das posses de Abrão para a única coisa que sua riqueza não pode fornecer: um herdeiro. Deus promete um filho saído de seu próprio corpo e descendentes tão incontáveis quanto as estrelas, e Abrão crê no SENHOR. Contudo, crer não silencia toda pergunta. Quando Abrão pergunta como saberá que herdará a terra, a resposta vem por meio de uma cerimônia de pacto e de uma revelação que torna o futuro mais duro, e não mais fácil. Seus descendentes serão estrangeiros, servos e sofredores por séculos antes de voltarem, com o juízo caindo sobre a nação opressora. Até a condição moral presente dos amorreus entra no calendário, impedindo que os habitantes atuais desapareçam por trás da promessa de Abrão. À noite, um forno fumegante e uma tocha de fogo passam entre as peças divididas enquanto Abrão não passa. O pacto fica assim centrado no compromisso de Deus. A terra é nomeada com mais precisão, mas o cumprimento continua envolto em escuridão, demora, opressão e uma promessa que sobrevive ao próprio Abrão.

Neste capítulo

Gênesis 15: Estrelas acima e um pacto através da escuridão
Cena do capítuloGênesis 15

A Escritura ao lado do resumo

Gênesis · Bíblia Portuguesa Mundial · 21

Gênesis 15:1-6

Uma recompensa não pode herdar a si mesma

A promessa divina de escudo e recompensa vem logo depois da batalha e da recusa de Abrão de se enriquecer à custa de Sodoma, mas Abrão nomeia de imediato o único problema que nenhuma quantidade de propriedade pode resolver: ele não tem filhos. Uma casa grande, servos, gado e bens recuperados não podem herdar do modo que a promessa anterior exige. Abrão aponta para Eliézer de Damasco e para um herdeiro nascido em casa porque ao futuro ainda falta um filho saído de seu próprio corpo. A resposta de Deus agudiza a promessa em vez de suavizá-la. O herdeiro virá do próprio Abrão, e então o céu noturno se torna medida de descendentes numerosos demais para contar. Gênesis coloca a ausência de um único filho ao lado da promessa de uma multidão incontável sem oferecer uma explicação intermediária de como a distância será fechada. Abrão crê no SENHOR, e essa fé lhe é contada como justiça. A declaração é breve, mas a Escritura posterior retorna a ela repetidamente porque a confiança aparece aqui antes que o resultado prometido seja visível.

Gênesis 15:1-6: Uma recompensa não pode herdar a si mesma
Cena do capítuloGênesis 15

Estudo aprofundado

A promessa de escudo e recompensa vem depois de uma batalha e da recusa de Abrão aos bens de Sodoma. Essa posição liga a provisão divina àquilo que ele acabou de arriscar e recusar. A resposta de Abrão não é um pedido de inventário maior. Identifica o limite de toda posse presente: sem filho, alguém da casa herdará.

A Bíblia Portuguesa Mundial nomeia Eliézer de Damasco como herdeiro da propriedade de Abrão, e Abrão fala de um herdeiro nascido em sua casa, não de um filho próprio. A preocupação é a sucessão dentro da família que ele tem, não apenas aumento de riqueza. A resposta de Deus é clara sobre a questão que importa: o herdeiro virá do próprio corpo de Abrão. As estrelas então transformam a ausência de sequer um herdeiro numa promessa de descendentes além da contagem. O relato mantém esses extremos juntos, em vez de passar por um conjunto de probabilidades que melhore gradualmente.

Abrão crê no SENHOR, e a fé lhe é atribuída por justiça. Romanos 4:1-12 cita explicitamente essa declaração e enfatiza que ela antecede a circuncisão de Gênesis 17. Gálatas 3:6 e Tiago 2:23 também retornam a ela dentro de argumentos diferentes sobre a fé e sua expressão. Aqui a sequência é simples e decisiva: Deus anuncia um futuro que Abrão não pode produzir a partir de suas circunstâncias presentes, e Abrão confia em quem fala. O pedido seguinte de garantia sobre a terra mostrará que essa confiança não elimina toda pergunta posterior.

Percurso versículo por versículo

  1. Gênesis 15:1

    A fórmula segundo a qual a palavra do SENHOR vem a alguém se tornará característica dos profetas, como em Jeremias 1:4, e aparece aqui pela primeira vez. Em Gênesis 20:7, Abraão será chamado profeta. Também é a primeira ocorrência de uma ordem para não temer nas Escrituras. Sakhar, traduzido por “recompensa”, é normalmente a remuneração ou salário de um trabalhador.

  2. Gênesis 15:2

    A forma “Senhor DEUS” representa uma combinação hebraica que aparece aqui pela primeira vez. Quando Abrão diz que continua sem filhos, a ideia é de atravessar o restante da vida e morrer sem descendente. O título aplicado a Eliézer, ben mesheq, é obscuro, e sua sonoridade parece formar um jogo verbal com Dammesek, Damasco.

  3. Gênesis 15:3

    Abrão fala duas vezes seguidas sem que uma resposta divina seja registrada entre as duas declarações. A segunda formula sua dificuldade de modo ainda mais direto. Documentos antigos de Nuzi mostram casais sem filhos adotando um servo como herdeiro, com a adoção podendo ser substituída caso posteriormente nascesse um filho natural. Muitos estudiosos relacionam esse costume ao cenário do versículo.

  4. Gênesis 15:4

    A promessa de alguém que sairia do próprio corpo de Abrão emprega linguagem que volta a aparecer na promessa feita a Davi em 2 Samuel 7:12 sobre um descendente procedente dele. A resposta divina elimina como herdeiro definitivo o homem nascido na casa de Abrão e reafirma precisamente o herdeiro natural que Abrão julgava não possuir.

  5. Gênesis 15:5

    Abrão é levado para fora e recebe a tarefa impossível de contar as estrelas visíveis. Isso parece situar a cena à noite, embora o versículo 12 descreva o sol apenas começando a se pôr. A visão pode abranger uma noite e um dia, ou os acontecimentos podem não estar apresentados em sequência cronológica. Gênesis Rabbah interpreta a saída para fora também como afastamento da consulta aos astros.

  6. Gênesis 15:6

    O verbo he’emin, “creu”, vem da mesma raiz de amen. Chashav, traduzido por “creditou”, é usado em Levítico 7:18 para calcular ou considerar uma oferta aceitável, e Salmos 106:31 emprega formulação semelhante a respeito de Fineias. A construção hebraica permite discussão sobre quem considera o quê, e Nachmânides entendeu Abrão como considerando justa a promessa de Deus.

Gênesis 15:1-6

Bíblia Portuguesa Mundial

1Depois destas coisas, a palavra do SENHOR veio a Abrão em uma visão, dizendo: “Não tenha medo, Abrão. Eu sou o seu escudo, a sua grandíssima recompensa.”

2Abrão disse: “Senhor DEUS, o que você me dará, já que continuo sem filhos, e o herdeiro da minha propriedade é Eliézer de Damasco?”

3Abrão disse: “Eis que você não me deu filhos; e eis que um nascido em minha casa é o meu herdeiro.”

4Eis que a palavra do SENHOR veio a ele, dizendo: “Este homem não será o seu herdeiro, mas aquele que sairá do seu próprio corpo será o seu herdeiro.”

5O SENHOR o levou para fora e disse: “Olhe agora para o céu e conte as estrelas, se é que você pode contá-las.” E disse a Abrão: “Assim será a sua descendência.”

6Ele creu no SENHOR, que lhe creditou isso como justiça.

Gênesis 15:7-11

Fé e pedido de garantia permanecem juntos

O mesmo Abrão que acaba de ser descrito como crente pergunta como saberá que herdará a terra. Gênesis coloca esses dois fatos juntos sem retratar o primeiro. A confiança e um pedido de garantia não são automaticamente tratados como opostos. Deus responde não com uma preleção, mas com instruções para uma cerimônia de pacto: animais determinados, peças divididas e aves não divididas. A cena continua surpreendentemente física. Antes que a escuridão caia e antes que qualquer grande promessa seja falada, aves de rapina descem sobre as carcaças e Abrão precisa enxotá-las. Essa interrupção prática mantém a cerimônia enraizada numa espera real em vez de flutuar para o puro simbolismo. A passagem também resiste à sobreinterpretação. Gênesis não identifica as aves como impérios cifrados nem fornece uma chave alegórica para cada ação. Sua presença não precisa de sentido oculto para importar. Abrão prepara o que lhe é dito, protege isso durante o intervalo, e espera a resposta divina à sua pergunta sobre a terra.

Gênesis 15:7-11: Fé e pedido de garantia permanecem juntos
Cena do capítuloGênesis 15

Estudo aprofundado

Deus se identifica por meio da saída de Abrão de Ur e declara como finalidade dar-lhe esta terra. Abrão então pede um modo de saber que a herdará. Gênesis colocou esse pedido imediatamente depois da declaração de fé sem retirar essa declaração. A distinção é importante: o livro não equipara automaticamente todo pedido de garantia à rejeição da promessa.

Os animais são especificados, os corpos maiores divididos e as partes dispostas umas diante das outras; as aves permanecem sem divisão. Antes da escuridão e das grandes palavras sobre nações futuras, Abrão precisa enxotar aves que se alimentam de carcaças. Esse detalhe simples mantém o encontro no chão. Uma cena solene de pacto ainda pode envolver proteger as carcaças preparadas durante um intervalo de espera. Gênesis não explica as aves como códigos de impérios estrangeiros; portanto, a ação concreta não exige uma alegoria elaborada para justificar seu lugar.

Percurso versículo por versículo

  1. Gênesis 15:7

    A apresentação “Eu sou o SENHOR que o tirou de Ur dos caldeus” possui a mesma estrutura básica da apresentação divina no início dos Dez Mandamentos, em Êxodo 20:2, onde Deus recorda ter tirado Israel do Egito. Antes do êxodo nacional, Abrão já havia experimentado uma saída semelhante, sendo retirado de Ur em direção à terra prometida.

  2. Gênesis 15:8

    A pergunta de Abrão sobre como saberia que herdaria a terra tem paralelo próximo na pergunta feita por Zacarias ao anjo em Lucas 1:18. Zacarias recebe como sinal a perda temporária da fala. Abrão, por sua vez, recebe uma resposta na forma de uma cerimônia de aliança que ocupa os versículos seguintes.

  3. Gênesis 15:9

    Novilha, cabra, carneiro, rolinha e pombinho abrangem todas as principais categorias de animais que Levítico 1 mais tarde aceitará para sacrifício. Esses animais aparecem aqui muito antes da entrega da Lei. A ordem “Traga-me” tem o sentido de trazer para Deus. Cada um dos três animais maiores tem três anos, idade correspondente à plena força física.

  4. Gênesis 15:10

    As aves permanecem inteiras, antecipando a prescrição de Levítico 1:17, onde a ave é aberta sem ser completamente separada em duas partes. Os animais maiores, porém, são divididos ao meio. Suas metades são dispostas frente a frente em duas fileiras, criando entre elas um caminho pelo qual alguém poderia passar.

  5. Gênesis 15:11

    As aves são ayit, termo específico para aves de rapina, usado também em Isaías 46:11 para uma ave predadora vinda do oriente. As carcaças são pegarim, palavra comum para cadáveres. Depois de receber a promessa representada pelas estrelas, Abrão passa parte do período seguinte afastando aves predadoras dos corpos dos animais preparados para a aliança.

Gênesis 15:7-11

Bíblia Portuguesa Mundial

7Ele disse a Abrão: “Eu sou o SENHOR que o tirou de Ur dos caldeus, para lhe dar esta terra para que a herde.”

8Ele disse: “Senhor DEUS, como saberei que a herdarei?”

9Ele lhe disse: “Traga-me uma novilha de três anos, uma cabra de três anos, um carneiro de três anos, uma rolinha e um pombinho.”

10Ele lhe trouxe todos estes, dividiu-os ao meio e colocou cada metade em frente à outra; mas não dividiu as aves.

11As aves de rapina desceram sobre as carcaças, e Abrão as enxotou.

Gênesis 15:12-16

A promessa contém quatro séculos de dificuldades

A garantia que Abrão recebe não encurta o futuro até torná-lo posse imediata. Um sono profundo e "terror e grandes trevas" acompanham uma revelação em que seus descendentes serão estrangeiros, servos e sofredores numa terra que não é deles. A promessa contém portanto séculos de aflição dentro de si. Deus também promete juízo sobre a nação que os aflige e uma saída posterior com grandes bens, enquanto o próprio Abrão morrerá em paz antes que esses fatos cheguem ao cumprimento. Gênesis separa a fidelidade da promessa da duração da vida do homem que a recebe. Nem tudo o que foi prometido a Abrão precisa acontecer antes do seu sepultamento. A explicação para a demora também olha além de seus descendentes. A iniquidade dos amorreus "ainda não está completa", o que significa que a ocupação presente da terra não é tratada como razão suficiente para destruição imediata. A herança prometida tem um cronograma moral que envolve os povos já ali. O futuro de Abrão é importante, mas Gênesis se recusa a tornar moralmente invisíveis todos os demais.

Gênesis 15:12-16: A promessa contém quatro séculos de dificuldades
Cena do capítuloGênesis 15
Panorama do antigo Oriente Próximo
Panorama do antigo Oriente Próximo

Estudo aprofundado

O sono profundo e a grande escuridão afastam esta cena de uma troca comum entre iguais. A resposta à pergunta de Abrão não promete posse imediata. Seus descendentes viverão como estrangeiros numa terra que não é deles e suportarão serviço e aflição. Os quatrocentos anos descrevem um longo futuro de deslocamento; não são convite para fazer desaparecer cada detalhe dos debates cronológicos posteriores.

Êxodo fornecerá o relato central da opressão, do juízo divino sobre a nação opressora e da partida com posses. Gênesis coloca esses acontecimentos dentro da promessa antes mesmo do nascimento do herdeiro. Ao próprio Abrão é prometida morte em paz e boa velhice, separando sua vida das gerações que experimentarão o retorno. O cumprimento não se reduz ao que um destinatário pode testemunhar pessoalmente.

A razão dada para a demora também olha além da família de Abrão: a iniquidade dos amorreus ainda não está completa. Sua ocupação presente não é descrita como suficiente, por si só, para tornar apropriada a destruição imediata. O relato liga a transferência futura da terra ao juízo e ao seu tempo. A promessa diz respeito a Abrão, mas a explicação se recusa a tornar moralmente invisíveis os habitantes existentes.

Percurso versículo por versículo

  1. Gênesis 15:12

    O “sono profundo” é tardemah, o mesmo tipo de sono que o SENHOR Deus faz cair sobre Adão em Gênesis 2:21 antes da formação de Eva. A descrição do medo de Abrão é especialmente intensa no hebraico, acumulando três elementos: terror, trevas e grandeza. A construção transmite uma experiência de escuridão profundamente opressiva.

  2. Gênesis 15:13

    A expressão traduzida por “Saiba com certeza” repete o verbo hebraico para enfatizar a certeza, literalmente algo como conhecendo, conheça. Êxodo 12:40 apresenta 430 anos para a permanência, enquanto Atos 7:6 preserva o número arredondado de 400. Gálatas 3:17 usa 430 anos ao calcular o intervalo entre a promessa e a Lei.

  3. Gênesis 15:14

    O verbo traduzido por “julgarei” é dan, a mesma raiz que Raquel posteriormente incorpora ao nome Dã em Gênesis 30:6. A promessa de saída com grandes riquezas encontra correspondência em Êxodo 12:35–36, quando os israelitas recebem prata e ouro dos egípcios e deixam o país levando grande quantidade de bens.

  4. Gênesis 15:15

    Ir para os próprios pais é dito a Abrão mesmo sendo Terá descrito em Josué 24:2 como alguém que havia servido a outros deuses. Rashi concluiu daí que Terá teria se arrependido posteriormente. A expressão “boa velhice” usada aqui reaparece em Gênesis 25:8 na descrição da morte de Abraão, já idoso e em idade avançada.

  5. Gênesis 15:16

    Neste contexto, uma geração parece representar aproximadamente a duração completa de uma vida, perto de cem anos, o que combina com os quatrocentos anos do versículo 13. Moisés aparece como quarto na linha a partir de Levi, passando por Coate e Anrão em Êxodo 6:16–20. “Para cá” refere-se a Canaã, a própria terra onde Abrão se encontra.

Gênesis 15:12-16

Bíblia Portuguesa Mundial

12Quando o sol estava se pondo, um sono profundo caiu sobre Abrão. E eis que terror e grandes trevas caíram sobre ele.

13Ele disse a Abrão: “Saiba com certeza que a sua descendência viverá como estrangeira em uma terra que não é sua, e os servirá. Eles os afligirão por quatrocentos anos.

14Eu também julgarei aquela nação, a qual eles servirão. Depois disso, eles sairão com grandes riquezas;

15mas você irá para os seus pais em paz. Você será sepultado em uma boa velhice.

16Na quarta geração, eles voltarão para cá, pois a iniquidade dos amorreus ainda não está completa.”

Gênesis 15:17-21

Abrão não caminha entre as partes

A noite cai, os animais divididos permanecem no chão, e um forno fumegante com uma tocha de fogo passa entre as peças. Não se diz que Abrão percorra o caminho com eles. Essa assimetria coloca o peso do pacto sobre o compromisso de Deus, e não sobre um acordo entre partes iguais prometendo desempenho idêntico. A linguagem bíblica posterior sobre passar entre animais divididos ajuda a explicar por que a cena carrega a gravidade de um juramento, mas o próprio Gênesis mantém a imagem enxuta. Depois a promessa da terra se torna geograficamente mais específica. Fronteiras são nomeadas, e dez povos são listados dentro do território prometido. Mesmo aqui a redação não remove toda disputa geográfica moderna, de modo que fronteiras nacionais posteriores não devem ser simplesmente importadas para a cena. O movimento importante é interno a Gênesis: a terra antes descrita apenas como o lugar que Deus mostraria é agora nomeada como herança confirmada por pacto. A escuridão, a demora, a opressão estrangeira e os povos existentes permanecem reais, e ainda assim nenhum deles tem permissão para dissolver a promessa.

Gênesis 15:17-21: Abrão não caminha entre as partes
Cena do capítuloGênesis 15

Estudo aprofundado

A passagem descreve um forno de fumaça e uma lâmpada acesa passando entre as partes depois que cai a escuridão. Não se diz que Abrão faz a passagem com eles. O movimento faz do compromisso de Deus, em vez de uma troca negociada de capacidades iguais, o centro da confirmação do pacto.

Jeremias 34:18-20 liga explicitamente a passagem entre as metades de um bezerro dividido às consequências de quebrar um pacto. Essa passagem posterior ajuda a explicar por que animais divididos comunicam a seriedade de um juramento, em vez de servir apenas como cenário incomum. Gênesis 15 não detalha todos os elementos do ritual nos mesmos termos, mas a ação compartilhada dá à comparação uma base concreta.

A promessa agora nomeia fronteiras e dez povos. O rio do Egito não é identificado aqui com detalhes suficientes para remover toda disputa geográfica, e fronteiras políticas posteriores não devem ser discretamente substituídas pelas palavras desta cena. O movimento dentro de Gênesis vai da terra que Deus mostraria a uma herança especificada e confirmada por pacto. A escuridão não cancelou a promessa; tornou-se o contexto em que seu longo e difícil futuro é revelado.

Percurso versículo por versículo

  1. Gênesis 15:17

    O “forno fumegante” é tannur, um forno de barro ou recipiente usado com fogo, enquanto a “tocha em chamas” é lappid, uma tocha. No Sinai, Êxodo 19:18 compara a fumaça da montanha à de uma fornalha, e Êxodo 20:18 usa a forma plural lappidim para os clarões ou tochas vistos pelo povo.

  2. Gênesis 15:18

    A declaração “Eu dei esta terra” está formulada no passado, apresentando a dádiva como se já estivesse consumada. O rio do Egito provavelmente significa um braço oriental do Nilo, e não o curso d’água chamado rio do Egito em Números 34:5, onde o hebraico emprega outro termo. Somente o reinado de Salomão é descrito em 1 Reis 4:21 como alcançando o Eufrates.

  3. Gênesis 15:19

    Os queneus aparecem posteriormente ligados ao clã de artesãos do sogro de Moisés em Juízes 1:16 e, em geral, mantêm relações amistosas com Israel. Calebe é chamado quenezeu em Números 32:12, enquanto Quenaz também é nome edomita em Gênesis 36:11. Os cadmoneus, cujo nome significa orientais, são mencionados somente neste versículo.

  4. Gênesis 15:20

    A relação completa contém dez povos, a lista mais extensa de habitantes da terra encontrada nas Escrituras. Enumerações mais habituais, como as de Êxodo 3:8 e Deuteronômio 7:1, incluem seis ou sete grupos. Chama atenção a ausência dos heveus, presentes em quase todas as outras listas semelhantes de povos cananeus.

  5. Gênesis 15:21

    A lista termina com os jebuseus, povo cuja principal cidade só seria conquistada muito mais tarde por Davi, conforme 2 Samuel 5:6–7. Dez nações são prometidas a um homem que ainda não possui filho. Imediatamente depois, Gênesis 16:1 volta à dificuldade central da família ao afirmar que Sarai “não lhe dava filhos”.

Gênesis 15:17-21

Bíblia Portuguesa Mundial

17Aconteceu que, quando o sol se pôs e escureceu, eis que um forno fumegante e uma tocha em chamas passaram por entre aqueles pedaços.

18Naquele dia, o SENHOR fez uma aliança com Abrão, dizendo: “Eu dei esta terra à sua descendência, desde o rio do Egito até o grande rio, o rio Eufrates:

19a terra dos queneus, dos quenezeus, dos cadmoneus,

20dos heteus, dos ferezeus, dos refains,

21dos amorreus, dos cananeus, dos girgaseus e dos jebuseus.”

Questões para manter em mente durante a leitura

  1. Acompanhe quem age, quem fala, quem é afetado e o que muda.
  2. Observe promessas, fracassos, livramentos e consequências repetidas.
  3. Não suponha que o relato aprove toda ação que narra.

Primeiro o texto

Onde os leitores divergem

O resumo começa com o que a passagem diz e como suas partes se relacionam. Ele não presume que uma denominação já resolveu todas as questões. A dependência de uma tradição, teoria literária ou reconstrução histórica é claramente identificada.

O texto bíblico aparece primeiro. As conclusões interpretativas são identificadas, e as diferenças surgem quando ajudam a explicar por que comunidades sérias nem sempre chegam à mesma resposta.

As notas interpretativas comparativas deste capítulo estão em preparação. Até que as notas revisadas estejam prontas, esta página separa o texto bíblico do resumo e da aplicação sem afirmar que leitores responsáveis concordam em todas as questões.

Questões sob a superfície

  1. Que parte de Gênesis 15 faz você parar, se sentir desconfortável ou se surpreender, e por quê?
  2. Que detalhe da passagem seria fácil ignorar? Como esse detalhe muda sua compreensão?
  3. Onde você percebe tensão entre o que acontece e este foco: Gênesis 15?
  4. Que pergunta importante a passagem deixa aberta em vez de resolver rapidamente?

Perguntas para uma reflexão pessoal séria

Estas perguntas são intencionalmente abertas. Permaneça com a tensão da passagem, responda com honestidade e volte à Escritura antes de chegar a uma conclusão.

Observe sem pressa

  1. Que parte de Gênesis 15 faz você parar, se sentir desconfortável ou se surpreender, e por quê?

  2. Que detalhe da passagem seria fácil ignorar? Como esse detalhe muda sua compreensão?

  3. Onde você percebe tensão entre o que acontece e este foco: Deus chama Abraão para deixar o conhecido e viver uma história de fé, aliança, fracasso, resgate e um filho prometido por meio de quem as nações seriam abençoadas.?

  4. Que pergunta importante a passagem deixa aberta em vez de resolver rapidamente?

Examine seu interior com honestidade

  1. Com qual pessoa, resposta, medo ou desejo da passagem você mais se identifica neste momento?

  2. Que suposição sua sobre Deus, outras pessoas ou você mesmo este texto desafia?

  3. Que parte você preferiria suavizar, evitar ou explicar depressa demais? O que essa reação pode revelar?

  4. Se esta Escritura pudesse fazer uma pergunta direta a você, qual seria?

Responda com sabedoria e coragem

  1. O que você precisa lembrar, confessar, lamentar, agradecer ou confiar depois de ler esta passagem?

  2. Como outra pessoa fiel poderia ler esta situação de modo diferente sem ignorar o texto?

  3. Que resposta obediente seria difícil, desconfortável ou lenta, mas ainda fiel à Escritura?

  4. Que pergunta você levará à oração nesta semana e quais versículos manterá diante de si?

Ouça e assista junto com a passagem

A mídia relacionada aparece somente quando sua referência bíblica coincide com esta unidade. Use música e vídeo como companhia e depois retorne ao texto.

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Fonte: eBible.org · porbrbsl · obtido 2026-09-20