O panorama
O Livro de 1 Reis se amplia do templo para o complexo de edifícios reais de Salomão e então retorna ao santuário pelas mãos de Hirão, o artesão. Os prédios do palácio levam treze anos e incluem espaços para exibição, julgamento, residência e a filha de Faraó, colocando a arquitetura real ao lado do projeto do templo de sete anos sem oferecer um veredicto simplista sobre a comparação. Hirão então demonstra outra forma de sabedoria por meio do trabalho em metal. Ele faz as duas colunas nomeadas, o grande mar de bronze sobre doze bois, dez bases com rodas e suas bacias, e uma longa série de utensílios cujas medidas e ornamentos recebem atenção paciente. O relato preserva detalhes práticos porque o serviço sagrado depende de objetos práticos. Leões, palmeiras, querubins, flores, bronze e ouro unem beleza e uso, enquanto o inventário final chega até utensílios e dobradiças. Os tesouros consagrados por Davi são trazidos no fim, unindo dois reinados dentro da obra concluída. O edifício e os utensílios já estão prontos, mas a arca ainda espera do lado de fora.
Neste capítulo
- O palácio junto ao templo 1 Reis 7:1-12
O Livro de 1 Reis dedica sete anos ao templo e então nos diz que o complexo do próprio Salomão leva treze.
- Outro Hirão e a sabedoria nas mãos 1 Reis 7:13-22
A sabedoria de Salomão construiu uma administração; a sabedoria de Hirão sabe fundir metal.
- Um mar sustentado sobre doze bois 1 Reis 7:23-26
O mar situado fora do templo não é cenário poético.
- As bases com rodas não são um detalhe secundário 1 Reis 7:27-39
Dez bases com rodas recebem atenção quase de engenharia.
- Dos pilares monumentais às dobradiças de ouro 1 Reis 7:40-51
O capítulo se encerra reunindo o trabalho em um inventário tão completo que vai de colunas monumentais a dobradiças de ouro.

A Escritura ao lado do resumo
1 Reis · Bíblia Portuguesa Mundial · 511 Reis 7:1-12
O palácio junto ao templo
O Livro de 1 Reis dedica sete anos ao templo e então nos diz que o complexo do próprio Salomão leva treze. A comparação é difícil de não notar, mas os números sozinhos não fornecem um veredicto moral. Sua casa não é uma única residência descomunal. Ela inclui a Casa do Bosque do Líbano, um salão de colunas, um pórtico de julgamento, aposentos privados, átrios e uma residência separada para a filha de Faraó. Governo real, exibição, vida familiar e trabalho judicial precisam de espaço, e a pedra cara e o cedro ligam materialmente o complexo ao templo ao lado. O resultado é um ambiente construído em que a arquitetura sagrada e a real ficam próximas o bastante para serem comparadas sem se tornarem a mesma coisa. O próprio trono pertence a um pórtico de julgamento, lembrando ao leitor que o esplendor deve servir a um ofício. Enquanto isso, a pura escala torna inevitável outro ponto: o reinado de Salomão está se tornando visível em estruturas permanentes ao redor de Jerusalém.

Estudo aprofundado
Os treze anos gastos na casa de Salomão vêm imediatamente depois dos sete anos registrados para o templo. O contraste é visível, mas a duração, por si só, não estabelece a ordem exata de cada etapa nem prova qual obra Salomão valorizava mais. A descrição inclui um complexo de edifícios, não simplesmente um quarto de proporções extravagantes. O livro de 1 Reis fornece detalhes suficientes para comparar os projetos sem emitir um veredicto moral direto sobre seus prazos de construção.
A Casa da Floresta do Líbano recebe dimensões maiores que as do santuário e um arranjo denso de sustentação em cedro. Um pórtico separado contém o trono para julgamento. A residência e uma casa para a filha de Faraó completam o cenário real. A mesma pedra valiosa e o mesmo cedro ligam materialmente esses espaços ao templo. Esplendor real, administração, organização doméstica e culto agora ocupam um ambiente construído interligado. O livro torna visível sua proximidade enquanto continua distinguindo a casa do SENHOR da casa do próprio rei.
Percurso versículo por versículo
- 1 Reis 7:1
No hebraico, a frase abre com uma conjunção que põe estes treze anos diretamente contra os sete de 6:38, sem quebra de capítulo. Somados, dão os vinte anos que 9:10 usará para datar tudo o que segue, de modo que as duas obras contam como uma só época do reinado.
- 1 Reis 7:2
Cem côvados por cinquenta dá cerca de 50 por 25 metros, área maior que a do templo, sessenta por vinte. O nome vem das fileiras de colunas de cedro, de pé como um bosque. O salão guardará depois os escudos de ouro de Salomão (10:17), e Isaías 22:8 o trata como arsenal.
- 1 Reis 7:3
A palavra hebraica aqui é tsela‘ot, a mesma das câmaras laterais do templo em 6:5. Quarenta e cinco em fileiras de quinze se ajusta mal às quatro fileiras do versículo 2, e o grego lê três fileiras, de modo que os quarenta e cinco podem ser vigas ou câmaras, não colunas.
- 1 Reis 7:4
“Janela ficava de frente para janela” descreve aberturas que se encaram de um lado a outro do salão, em três níveis de cada lado. Num edifício cheio de colunas de cedro, aberturas opostas deixariam a luz e o ar atravessar uma sala que de outro modo seria escura.
- 1 Reis 7:5
“Quadrados” descreve as molduras, retangulares e não em arco, e o hebraico enfatiza os batentes mais que as portas. A última frase repete o versículo 4 palavra por palavra, o tipo de recapitulação de construtor que indica que esta seção vem de uma descrição técnica.
- 1 Reis 7:6
O Salão das Colunas, cinquenta côvados por trinta, é uma colunata, provavelmente sala de espera diante do pórtico do julgamento. A “soleira” traduz ‘ab, palavra arquitetônica rara que pode indicar um dossel, uma cornija ou um lance de degraus; ninguém tem certeza.
- 1 Reis 7:7
O capítulo 3 provou a sabedoria de Salomão num caso entre duas prostitutas; aqui esse ofício ganha edifício próprio. O hebraico diz cedro “de assoalho a assoalho”, que algumas versões antigas leem como do chão ao teto. O trono que ficava aqui é descrito em 10:18–20.
- 1 Reis 7:8
A filha de Faraó foi vista pela última vez alojada na Cidade de Davi até o fim das obras (3:1). Uma casa separada, semelhante ao pórtico, dá à sua posição egípcia o que lhe era devido, e 9:24 registra o dia em que ela se muda.
- 1 Reis 7:9
As pedras do palácio eram cortadas sob medida com serras em todas as faces, por dentro e por fora. As do templo, ao contrário, foram aparelhadas na pedreira para que nenhuma ferramenta de ferro se ouvisse no local (6:7). As cornijas são a fiada superior do muro, de uma palavra que significa palmos.
- 1 Reis 7:10
Pedras de dez e oito côvados medem cerca de 4,5 e 3,6 metros de comprimento, blocos que exigem alavancas, rolos e muitas mãos. As mesmas pedras grandes e caras foram postas no alicerce do templo em 5:17, de modo que as duas obras partilham pedreiras além de artífices.
- 1 Reis 7:11
Acima do alicerce, as paredes alternam pedra esquadrejada e cedro. O versículo é curto porque o método vai ser explicado na linha seguinte.
- 1 Reis 7:12
Três fiadas de pedra aparelhada e depois uma de vigas de cedro era uma técnica antiga conhecida, achada em sítios como Ugarite, que deixava o muro ceder em vez de rachar num terremoto. O mesmo padrão foi usado no pátio interior do templo em 6:36, e Esdras 6:4 o prescreve de novo para o segundo templo.
1 Reis 7:1-12
Bíblia Portuguesa Mundial1Salomão construiu sua própria casa durante treze anos, e terminou toda a sua casa.
2Pois ele construiu a Casa do Bosque do Líbano. Seu comprimento era de cem côvados, sua largura de cinquenta côvados, e sua altura de trinta côvados, sobre quatro fileiras de colunas de cedro, com vigas de cedro sobre as colunas.
3Ela foi coberta com cedro por cima, sobre as quarenta e cinco vigas que estavam sobre as colunas, quinze por fileira.
4Havia vigas em três fileiras, e janela ficava de frente para janela em três níveis.
5Todas as portas e batentes foram feitos quadrados com vigas; e janela ficava de frente para janela em três níveis.
6Ele fez o Salão das Colunas. Seu comprimento era de cinquenta côvados e sua largura de trinta côvados, com um pórtico diante delas, e colunas e uma soleira diante delas.
7Ele fez o pórtico do trono onde ele haveria de julgar, o pórtico do julgamento; e foi coberto com cedro do chão ao teto.
8Sua casa onde ele haveria de morar, o outro pátio atrás do pórtico, era da mesma construção. Ele também fez uma casa para a filha do Faraó (a quem Salomão havia tomado por esposa), semelhante a este pórtico.
9Todas estas coisas eram de pedras caras, pedras cortadas sob medida, serradas com serras, por dentro e por fora, desde a fundação até as cornijas, e também por fora até o grande pátio.
10A fundação era de pedras caras, pedras grandes, pedras de dez côvados e pedras de oito côvados.
11Por cima havia pedras caras, pedras cortadas sob medida, e madeira de cedro.
12O grande pátio ao redor tinha três fileiras de pedras cortadas com uma fileira de vigas de cedro, como o pátio interno da casa do SENHOR e o pórtico da casa.
1 Reis 7:13-22
Outro Hirão e a sabedoria nas mãos
A sabedoria de Salomão construiu uma administração; a sabedoria de Hirão sabe fundir metal. O artesão de Tiro é apresentado com cuidado suficiente para distingui-lo do rei tírio de mesmo nome, e o Livro de 1 Reis o descreve explicitamente como cheio de sabedoria, entendimento e perícia para trabalhar em bronze. Esse vocabulário se recusa a confinar a sabedoria ao discurso real. Aqui a sabedoria conhece dimensões, calor, fundição, ornamento e como fazer um objeto monumental ficar de pé e acabado. Suas primeiras grandes peças são as duas colunas do templo, iguais em escala e coroadas com redes elaboradas, romãs e obra de lírios. Elas até recebem nomes, Jaquim e Boaz, o que lhes dá identidade além das suas medidas. Reconstruções modernas podem debater exatamente como elas se relacionavam estruturalmente com o pórtico, mas a ênfase do relato é mais fácil de ver do que a planta baixa. Esses objetos são enormes, deliberados e acabados com cuidado. Salomão os encomenda, e ainda assim o capítulo se lembra do artesão cujas mãos dão forma à entrada.
Estudo aprofundado
Este Hirão é apresentado como artesão com pai de Tiro e mãe ligada a Naftali, não como o rei Hirão que negociou o acordo da madeira. O trabalho de seu pai com metais e sua própria sabedoria, entendimento e habilidade recebem atenção explícita. O mesmo vocabulário amplo usado para a dádiva de Salomão pode descrever a inteligência necessária para fazer algo bem. A sabedoria neste capítulo precisa cuidar de medidas, fundição e ornamentos.
Os pilares são descritos desde suas hastes até os capitéis, redes, romãs e formas de lírios. Depois são colocados no pórtico do templo e recebem individualmente os nomes Jaquim e Boaz. O relato não fornece explicação estrutural suficiente para resolver todas as reconstruções modernas sobre a relação dos pilares com o teto. O que ele enfatiza são suas dimensões correspondentes e seu acabamento elaborado. A declaração repetida de que a obra está concluída pertence à realização do artesão dentro do empreendimento real maior. Salomão encomenda a casa; o livro ainda preserva o nome de um homem cujas mãos a equipam.
Percurso versículo por versículo
- 1 Reis 7:13
Este não é o rei de 5:1, mas um segundo Hirão, que Crônicas chama Hurão. A ordem do hebraico não é estritamente cronológica: o trabalho dele em bronze pertence à construção do templo, que o livro terminou de descrever no capítulo 6 e à qual agora volta para completar.
- 1 Reis 7:14
Sabedoria, entendimento e habilidade formam a mesma tríade dada a Bezalel para o tabernáculo em Êxodo 31:3. Aqui a habilidade é toda para o bronze. 2 Crônicas 2:14 diz que a mãe dele era da tribo de Dã, diferença que os comentaristas conciliam de várias maneiras.
- 1 Reis 7:15
Dezoito côvados são cerca de oito metros, e doze de circunferência dão um diâmetro perto de 1,7 metro. Jeremias 52:21 acrescenta que as colunas eram ocas, com o metal da espessura de quatro dedos, o que as torna uma proeza de fundição e não blocos maciços de bronze.
- 1 Reis 7:16
O capitel é a peça que coroa a coluna. Cada um tinha cinco côvados, o que Jeremias 52:22 confirma, embora 2 Reis 25:17 dê três, talvez medindo só a faixa ornamentada.
- 1 Reis 7:17
As redes de trabalho trançado são treliças; os cordões em forma de correntes são festões pendurados sobre elas. Sete para cada capitel é o número dado, e o hebraico é tão condensado aqui que os tradutores há muito divergem sobre a disposição das peças.
- 1 Reis 7:18
O hebraico parece ter trocado duas palavras, e muitos tradutores leem “ele fez as romãs” em vez de “as colunas”. Romãs também pendiam da orla do manto do sumo sacerdote (Êxodo 28:33), de modo que o fruto já fazia parte da ornamentação sagrada de Israel.
- 1 Reis 7:19
O trabalho em forma de lírios, provavelmente a forma de lótus comum nos capitéis egípcios e fenícios, coroava os quatro côvados superiores. “No pórtico” pode significar no estilo do pórtico ou apenas situar as colunas; a expressão é obscura no hebraico.
- 1 Reis 7:20
O “bojo” é a parte arredondada e saliente do capitel, que o versículo 41 chama de vaso. Duzentas romãs por capitel, em duas fileiras, dão o total de quatrocentas que o inventário vai contar.
- 1 Reis 7:21
Jaquim provavelmente significa “ele estabelecerá” e Boaz “nele há força”, e os dois nomes podem ser as palavras iniciais de inscrições ou orações mais longas. Com o templo voltado para o leste, a coluna direita fica ao sul. Boaz era também o nome do bisavô de Davi.
- 1 Reis 7:22
O verbo de “foi terminado”, tamam, é o usado para o próprio templo em 6:22. A obra de um artífice recebe a mesma fórmula de conclusão que a casa do rei.
1 Reis 7:13-22
Bíblia Portuguesa Mundial13O rei Salomão mandou trazer Hirão de Tiro.
14Ele era filho de uma viúva da tribo de Naftali, e seu pai era um homem de Tiro, um artífice em bronze; e ele era cheio de sabedoria, entendimento e habilidade para realizar todo tipo de trabalho em bronze. Ele veio ao rei Salomão e executou toda a sua obra.
15Pois ele moldou as duas colunas de bronze, cada uma com dezoito côvados de altura; e uma linha de doze côvados cercava cada uma delas.
16Ele fez dois capitéis de bronze fundido para colocar no topo das colunas. A altura de um capitel era de cinco côvados, e a altura do outro capitel era de cinco côvados.
17Havia redes de trabalho trançado e cordões em forma de correntes para os capitéis que estavam no topo das colunas: sete para um capitel, e sete para o outro capitel.
18Assim ele fez as colunas; e havia duas fileiras de romãs ao redor de uma rede, para cobrir os capitéis que estavam no topo das colunas; e ele fez o mesmo para o outro capitel.
19Os capitéis que estavam no topo das colunas no pórtico tinham um trabalho em forma de lírios, com quatro côvados.
20Havia capitéis também no alto das duas colunas, logo acima do bojo que ficava ao lado da rede. Havia duzentas romãs em fileiras ao redor do outro capitel.
21Ele ergueu as colunas no pórtico do templo. Ele ergueu a coluna direita e a chamou de Jaquim; e ergueu a coluna esquerda e a chamou de Boaz.
22No topo das colunas havia um trabalho em forma de lírios. Assim foi terminado o trabalho das colunas.
1 Reis 7:23-26
Um mar sustentado sobre doze bois
O mar situado fora do templo não é cenário poético. É uma bacia fundida de tamanho enorme, larga, profunda, de paredes grossas, capaz de conter uma quantidade imensa de água. Doze bois a sustentam em quatro grupos de três, cada grupo voltado para uma direção diferente, enquanto as partes traseiras dos animais se voltam para dentro. O arranjo é monumental e também ordenado, e a própria borda é trabalhada como um cálice com formas de lírio. O Livro de 1 Reis dá diâmetro e circunferência nas medidas arredondadas de um objeto antigo, não como convite para descobrir uma lição secreta de geometria escondida no santuário. Do mesmo modo, a capacidade expressa em batos pertence a um sistema antigo cuja conversão moderna não é perfeitamente exata. O importante no parágrafo é como função e arte se recusam a se separar. Um recipiente feito para o serviço sagrado prático recebe o mesmo cuidado dedicado a colunas e paredes. Até uma enorme bacia de lavar pertence à ordem visual do templo em vez de ser tratada como simples utilidade.


Estudo aprofundado
O "mar" é uma bacia fabricada, não outro corpo de água ao lado do templo. Sua forma redonda, profundidade, parede espessa e borda em forma de flor são especificadas. Os bois de sustentação são organizados com três voltados para cada direção, com as partes traseiras para dentro. Esse arranjo em quatro grupos dá ao grande recipiente uma disposição ordenada, mas o texto não atribui um significado teológico separado a cada animal ou direção.
O capítulo apresenta diâmetro e circunferência em números inteiros de côvados. São as dimensões relatadas de um recipiente físico com borda espessa, não um convite à construção de um código matemático oculto. A capacidade é expressa em batos, antiga medida de líquidos, cuja conversão em unidades modernas não deve ser apresentada como exata. Segundo Crônicas 4:6 identifica expressamente o uso do mar para a lavagem sacerdotal. Aqui, a atenção permanece na própria obra: um objeto imenso e funcional recebe a mesma ornamentação cuidadosa dos elementos arquitetônicos mais visíveis.
Percurso versículo por versículo
- 1 Reis 7:23
“De fundição” significa fundido. Uma bacia de bronze de dez côvados de diâmetro e cinco de altura, cerca de 4,5 por 2,3 metros, vazada numa só peça, estava entre as maiores fundições do mundo antigo, e por isso o versículo seguinte insiste que o ornamento foi fundido ao mesmo tempo.
- 1 Reis 7:24
O hebraico peqa‘im, aqui “botões”, significa cabaças, a mesma forma entalhada no cedro de 6:18. “Fundidos quando ele foi fundido” quer dizer que as duas fileiras saíram de uma só fundição, não foram fixadas depois.
- 1 Reis 7:25
Doze bois sugerem as doze tribos, embora o livro não o diga. A disposição não durou: o rei Acaz tirou o mar de cima dos bois e o pôs sobre um pavimento de pedra (2 Reis 16:17), e depois a Babilônia levou os bois.
- 1 Reis 7:26
Um palmo são cerca de 7,5 centímetros de parede de bronze. O bato era uma medida de líquidos de aproximadamente vinte e dois litros, de modo que o mar comportava algo como quarenta mil litros. 2 Crônicas 4:5 dá três mil batos, número que os estudiosos explicam como capacidade até a borda ou como diferença de copista.
1 Reis 7:23-26
Bíblia Portuguesa Mundial23Ele fez o mar de fundição com dez côvados de borda a borda, de formato redondo. Sua altura era de cinco côvados; e uma linha de trinta côvados o cercava.
24Sob a sua borda, ao redor, havia botões que o cercavam por dez côvados, cercando o mar. Os botões estavam em duas fileiras, fundidos quando ele foi fundido.
25Ele repousava sobre doze bois, três olhando para o norte, três olhando para o oeste, três olhando para o sul e três olhando para o leste; e o mar foi colocado sobre eles, e todas as suas partes traseiras estavam voltadas para dentro.
26Sua espessura era de um palmo. Sua borda foi trabalhada como a borda de um cálice, como a flor de um lírio. Ele comportava dois mil batos.
1 Reis 7:27-39
As bases com rodas não são um detalhe secundário
Dez bases com rodas recebem atenção quase de engenharia. Seus painéis, molduras, suportes, aberturas, eixos, cubos, aros, raios e rodas são descritos um após o outro, como se o Livro de 1 Reis quisesse impedir que o equipamento comum de serviço desaparecesse por trás da frase "e outros utensílios". Esses objetos movem água, e suas rodas são comparadas a rodas de carruagem para tornar a construção inteligível, não para militarizar o santuário. Leões, bois, querubins e palmeiras decoram os painéis, levando o vocabulário visual do templo para um equipamento que precisa funcionar. Todas as dez compartilham uma só fundição, uma só medida e uma só forma, e então são distribuídas cinco de cada lado. O mar recebe a sua própria posição em direção ao sudeste. Repetição e posicionamento transformam recipientes separados em um sistema. O que poderia ser uma lista de depósito torna-se um arranjo ordenado para o culto. O trabalho artesanal do capítulo não é reservado às partes que um visitante notaria primeiro; mobilidade, proporção e uso prático também são dignos de projeto.

Estudo aprofundado
A descrição se demora em objetos que poderiam desaparecer em uma expressão geral como equipamentos do templo. As rodas têm eixos, aros, cubos e raios; as bases têm cantos de sustentação e aberturas ajustadas. A comparação com rodas de carruagem torna sua construção compreensível sem transformá-las em veículos militares. São suportes móveis robustos para recipientes de água, e o esforço de descrevê-los dá aos equipamentos comuns de serviço um lugar no relato.
Leões, bois, querubins e palmeiras aparecem em seus painéis, estendendo a linguagem decorativa do santuário aos utensílios práticos. Todas as dez bases compartilham a mesma fundição, medida e tamanho. Cinco são colocadas de cada lado da casa, enquanto o mar ocupa sua posição separadamente identificada a sudeste. O arranjo une repetição e localização: nem o desenho nem a distribuição são casuais. O capítulo não está apenas contando posses; registra como um conjunto de objetos fabricados se torna um ambiente ordenado para o trabalho do culto.
Percurso versículo por versículo
- 1 Reis 7:27
A palavra para “bases” é mekonah, suporte. Com quatro côvados de lado e três de altura, cerca de 1,8 metro por 1,35, são grandes. Pequenos suportes de bronze com rodas exatamente desse tipo foram achados em Chipre, de alguns séculos antes, o que ajuda a reconstituí-los.
- 1 Reis 7:28
Os painéis eram as placas e as molduras eram as travessas que os enquadravam, de modo que cada lado do suporte era uma armação preenchida com chapas. As duas palavras hebraicas são termos técnicos raros, e por isso a descrição é difícil de visualizar.
- 1 Reis 7:29
Leões e bois se juntam aqui aos querubins, animais que reaparecerão no trono de Salomão (10:19–20). As guirlandas de trabalho pendente são grinaldas ou festões, loyot, trabalhados abaixo das figuras.
- 1 Reis 7:30
Os “suportes” são literalmente “ombros”, escoras que subiam de cada canto para sustentar a bacia. Os eixos de bronze completam o conjunto de rodagem. O versículo passa da decoração para as peças que carregam o peso.
- 1 Reis 7:31
Poucos versículos do capítulo são mais difíceis. A “abertura” parece ser a boca no alto que segurava a bacia, redonda por dentro, com um côvado e meio, enquanto os painéis gravados à volta eram quadrados. As traduções divergem muito na reconstituição.
- 1 Reis 7:32
As rodas ficam debaixo dos painéis, não ao lado deles, de modo que o suporte rola sobre a própria armação. Um côvado e meio são cerca de sessenta e oito centímetros, roda grande para um objeto móvel.
- 1 Reis 7:33
Cubos, aros e raios são as peças de uma roda de carro. As rodas de carruagem eram de madeira; estas eram todas de metal fundido, bronze, o que as tornava muito mais pesadas que o veículo com que são comparadas.
- 1 Reis 7:34
“Faziam parte da própria base” significa que as escoras dos cantos foram fundidas numa peça com o suporte, não aparafusadas, o que em parte explica como as dez puderam sair de um só molde.
- 1 Reis 7:35
Um colar redondo de meio côvado de altura coroava o suporte quadrado, o encaixe em que entrava a bacia. A armação quadrada e o colar redondo repetem os painéis quadrados e a abertura redonda do versículo 31.
- 1 Reis 7:36
“Cada um em seu espaço” é literalmente “segundo o espaço livre de cada um”: o gravador preencheu o lugar que cada painel oferecia. As palmeiras se juntam agora às figuras, o mesmo motivo entalhado nas paredes e portas do templo em 6:29–35.
- 1 Reis 7:37
“Uma só medida e uma só forma” é a expressão usada para os dois querubins do Lugar Santíssimo (6:25). A palavra rara qetseb, forma ou corte, aparece só nesses dois lugares do livro.
- 1 Reis 7:38
Quarenta batos são da ordem de novecentos litros, de modo que uma bacia cheia sobre o seu suporte pesava bem mais de uma tonelada. Os quatro côvados são provavelmente o diâmetro da bacia, igual à largura do suporte, o que sugere que as rodas as moviam vazias.
- 1 Reis 7:39
Olhando para o leste a partir do templo, a mão direita é o sul. O mar ficava no canto sudeste do edifício, entre a casa e o altar, enquanto os suportes se alinhavam dos dois lados, cinco e cinco.
1 Reis 7:27-39
Bíblia Portuguesa Mundial27Ele fez as dez bases de bronze. O comprimento de uma base era de quatro côvados, quatro côvados a sua largura, e três côvados a sua altura.
28O trabalho das bases era assim: elas tinham painéis; e havia painéis entre as molduras;
29e nos painéis que estavam entre as molduras havia leões, bois e querubins; e sobre as molduras havia um pedestal em cima; e debaixo dos leões e bois havia guirlandas de trabalho pendente.
30Cada base tinha quatro rodas de bronze e eixos de bronze; e seus quatro pés tinham suportes. Os suportes foram fundidos debaixo da bacia, com guirlandas ao lado de cada um.
31Sua abertura dentro do capitel e por cima era de um côvado. Sua abertura era redonda como o trabalho de um pedestal, de um côvado e meio; e também em sua abertura havia gravuras, e seus painéis eram quadrados, não redondos.
32As quatro rodas estavam debaixo dos painéis; e os eixos das rodas estavam na base. A altura de uma roda era de um côvado e meio.
33O trabalho das rodas era como o trabalho de uma roda de carruagem. Seus eixos, seus aros, seus raios e seus cubos eram todos de metal fundido.
34Havia quatro suportes nos quatro cantos de cada base. Seus suportes faziam parte da própria base.
35No topo da base havia uma faixa redonda de meio côvado de altura; e no topo da base seus suportes e seus painéis eram da mesma peça.
36Nas placas de seus suportes e em seus painéis, ele gravou querubins, leões e palmeiras, cada um em seu espaço, com guirlandas ao redor.
37Ele fez as dez bases desta maneira: todas elas tinham uma só fundição, uma só medida e uma só forma.
38Ele fez dez bacias de bronze. Uma bacia continha quarenta batos. Cada bacia media quatro côvados. Uma bacia estava sobre cada uma das dez bases.
39Ele colocou as bases, cinco no lado direito da casa e cinco no lado esquerdo da casa. Ele colocou o mar no lado direito da casa, em direção ao leste e para o sul.
1 Reis 7:40-51
Dos pilares monumentais às dobradiças de ouro
O capítulo se encerra reunindo o trabalho em um inventário tão completo que vai de colunas monumentais a dobradiças de ouro. As peças de bronze de Hirão são nomeadas outra vez, agora como um corpo acabado de artesanato: colunas, capitéis, redes, centenas de romãs, bases, bacias, o mar, bois, caldeirões, pás e taças. O local da fundição, na planície do Jordão, mantém o esplendor ligado a uma paisagem real de produção em vez de fazer os objetos parecerem surgir em Jerusalém já prontos. O bronze é tão abundante que o seu peso fica sem registro. Depois o ouro assume a lista: altar, mesa, candelabros, utensílios, incensários e ferragens das portas. Nada é pequeno demais para o vocabulário material da casa. Por fim, Salomão traz o que Davi havia consagrado antes, unindo o pai que quis edificar ao filho que concluiu a obra. Contudo, a arca ainda está ausente. O inventário pode estar completo enquanto a chegada mais importante permanece reservada para a dedicação.

Estudo aprofundado
O inventário repete itens já descritos, agora como conjunto de trabalho concluído. Pilares, capitéis, redes, quatrocentas romãs, bases, pias, o mar e seus bois são mencionados ao lado de panelas, pás e bacias. O local da fundição na planície do Jordão mantém a produção ligada a um lugar real. A quantidade de metal ultrapassa a pesagem registrada. A abundância é comunicada, em parte, pelo ponto em que a contagem para.
A descrição então passa ao ouro: altar, mesa, candelabros, utensílios e até dobradiças. O alcance das grandes instalações às pequenas peças de trabalho torna tangível a completude. A prata, o ouro e os utensílios consagrados por Davi entram por último, de modo que a casa concluída inclui dádivas do reinado que não pôde construí-la. Mas um objeto de importância central ainda precisa ser trazido. O capítulo pode anunciar que toda a obra terminou enquanto reserva a chegada da arca e a nuvem que interromperá os sacerdotes para a dedicação seguinte.
Percurso versículo por versículo
- 1 Reis 7:40
As pás tiravam as cinzas do altar; as bacias são mizraqot, de um verbo que significa lançar, vasos para aspergir o sangue contra o altar. Alguns manuscritos hebraicos e o versículo 45 trazem “panelas” como primeiro item.
- 1 Reis 7:41
O inventário recomeça do alto, e os capitéis das colunas agora são chamados de “vasos”, gullot, a forma arredondada que o versículo 20 chamou de bojo.
- 1 Reis 7:42
A conta fecha: duas redes, duas fileiras cada, cem por fileira, quatrocentas ao todo. Jeremias 52:23 acrescenta que noventa e seis de cada cem ficavam voltadas para fora.
- 1 Reis 7:43
Treze versículos de engenharia, de 27 a 39, encolhem para uma linha de inventário. A lista supõe que o leitor já sabe o que são uma base e uma bacia.
- 1 Reis 7:44
“O único mar” se contrapõe às dez bacias da linha anterior. Uma só grande bacia servia aos sacerdotes; os dez vasos menores serviam às ofertas.
- 1 Reis 7:45
O bronze era uma liga de cobre e estanho; o latão verdadeiro, com zinco, era raro naquele período. “Polido” traduz uma palavra para brunido ou lustrado, de modo que as peças brilhavam como ouro quando novas.
- 1 Reis 7:46
O hebraico diz “na espessura do solo”, a argila densa que dá bons moldes de fundição. Sucote ficava a leste do Jordão, perto do Jaboque; Zaretã é nomeada em Josué 3:16, perto do lugar onde o rio parou.
- 1 Reis 7:47
O bronze ficou sem pesar porque havia demais. A mesma expressão volta na queda de Jerusalém, quando os babilônios quebraram estes utensílios e levaram um bronze cujo peso de novo não se podia calcular (2 Reis 25:16).
- 1 Reis 7:48
O sujeito passa de Hirão a Salomão quando o metal passa do bronze ao ouro. O altar de ouro é o altar do incenso de 6:20–22. O pão da proposição é literalmente “pão da face” ou “da presença”, posto diante do SENHOR.
- 1 Reis 7:49
O tabernáculo tinha um único candelabro; o templo tem dez, cinco de cada lado do santuário interior. Flores, lâmpadas e tenazes são as peças de uso, as tenazes para manejar pavios e brasas.
- 1 Reis 7:50
Os apagadores eram aparadores de pavio, de uma raiz que significa podar. As colheres eram pequenas panelas para incenso. As dobradiças de ouro traduzem pot, que talvez indique os encaixes em que as portas giravam sobre pinos, de modo que o ouro chega às menores peças móveis.
- 1 Reis 7:51
“Foi terminada” traduz shalam, da mesma raiz do nome de Salomão, Shelomoh. A prata e o ouro dedicados por Davi eram despojos das suas guerras (2 Samuel 8:11), agora guardados na casa que ele não teve permissão de construir.
1 Reis 7:40-51
Bíblia Portuguesa Mundial40Hirão fez as panelas, as pás e as bacias. Assim Hirão terminou de fazer toda a obra que ele realizou para o rei Salomão na casa do SENHOR:
41as duas colunas; os dois vasos dos capitéis que estavam no topo das colunas; as duas redes para cobrir os dois vasos dos capitéis que estavam no topo das colunas;
42as quatrocentas romãs para as duas redes; duas fileiras de romãs para cada rede, para cobrir os dois vasos dos capitéis que estavam nas colunas;
43as dez bases; as dez bacias sobre as bases;
44o único mar; os doze bois debaixo do mar;
45as panelas; as pás; e as bacias. Todos estes utensílios, que Hirão fez para o rei Salomão para a casa do SENHOR, eram de bronze polido.
46O rei os fundiu na planície do Jordão, na terra argilosa entre Sucote e Zaretã.
47Salomão deixou todos os utensílios sem pesar, porque havia muitos deles. O peso do bronze não pôde ser determinado.
48Salomão fez todos os utensílios que estavam na casa do SENHOR: o altar de ouro e a mesa sobre a qual ficava o pão da proposição, de ouro;
49e os candelabros, cinco do lado direito e cinco do lado esquerdo, em frente ao santuário interior, de ouro puro; e as flores, as lâmpadas e as tenazes, de ouro;
50os cálices, os apagadores, as bacias, as colheres e os braseiros, de ouro puro; e as dobradiças, tanto para as portas da casa interior, o lugar santíssimo, quanto para as portas da casa, do templo, de ouro.
51Assim foi terminada toda a obra que o rei Salomão fez na casa do SENHOR. Salomão trouxe as coisas que Davi, seu pai, havia dedicado — a prata, o ouro e os utensílios — e os colocou nos tesouros da casa do SENHOR.
Questões para manter em mente durante a leitura
- Acompanhe quem age, quem fala, quem é afetado e o que muda.
- Observe promessas, fracassos, livramentos e consequências repetidas.
- Não suponha que o relato aprove toda ação que narra.
Primeiro o texto
Onde os leitores divergem
O resumo começa com o que a passagem diz e como suas partes se relacionam. Ele não presume que uma denominação já resolveu todas as questões. A dependência de uma tradição, teoria literária ou reconstrução histórica é claramente identificada.
O texto bíblico aparece primeiro. As conclusões interpretativas são identificadas, e as diferenças surgem quando ajudam a explicar por que comunidades sérias nem sempre chegam à mesma resposta.
As notas interpretativas comparativas deste capítulo estão em preparação. Até que as notas revisadas estejam prontas, esta página separa o texto bíblico do resumo e da aplicação sem afirmar que leitores responsáveis concordam em todas as questões.
Questões sob a superfície
- Que parte de 1 Reis 7 faz você parar, se sentir desconfortável ou se surpreender, e por quê?
- Que detalhe da passagem seria fácil ignorar? Como esse detalhe muda sua compreensão?
- Onde você percebe tensão entre o que acontece e este foco: 1 Reis 7?
- Que pergunta importante a passagem deixa aberta em vez de resolver rapidamente?
Perguntas para uma reflexão pessoal séria
Estas perguntas são intencionalmente abertas. Permaneça com a tensão da passagem, responda com honestidade e volte à Escritura antes de chegar a uma conclusão.
Observe sem pressa
Que parte de 1 Reis 7 faz você parar, se sentir desconfortável ou se surpreender, e por quê?
Que detalhe da passagem seria fácil ignorar? Como esse detalhe muda sua compreensão?
Onde você percebe tensão entre o que acontece e este foco: 1 Reis 7 se desenvolve por meio de suas próprias vozes, ações, afirmações e consequências?
Que pergunta importante a passagem deixa aberta em vez de resolver rapidamente?
Examine seu interior com honestidade
Com qual pessoa, resposta, medo ou desejo da passagem você mais se identifica neste momento?
Que suposição sua sobre Deus, outras pessoas ou você mesmo este texto desafia?
Que parte você preferiria suavizar, evitar ou explicar depressa demais? O que essa reação pode revelar?
Se esta Escritura pudesse fazer uma pergunta direta a você, qual seria?
Responda com sabedoria e coragem
O que você precisa lembrar, confessar, lamentar, agradecer ou confiar depois de ler esta passagem?
Como outra pessoa fiel poderia ler esta situação de modo diferente sem ignorar o texto?
Que resposta obediente seria difícil, desconfortável ou lenta, mas ainda fiel à Escritura?
Que pergunta você levará à oração nesta semana e quais versículos manterá diante de si?
Ouça e assista junto com a passagem
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