O panorama
Êxodo 15 começa com Israel transformando a visão em canto. A travessia do mar é interpretada por meio de louvor que dá a vitória ao SENHOR, contrasta as muitas intenções do inimigo com um único ato decisivo, e alcança adiante, rumo a uma terra em que os cantores ainda não entraram. Miriã então conduz as mulheres numa resposta pública que repete a linha central do cântico. O capítulo se recusa a deixar esse ponto alto suspenso. A três dias no deserto não há água, e a água de Mara não pode ser bebida. O mesmo povo que cantou sobre a força divina agora enfrenta a sede. A provisão chega com prova e instrução, e o capítulo fecha em Elim com doze fontes e setenta palmeiras. O movimento vai do triunfo à necessidade comum sem fingir que as duas pertençam a tipos diferentes de fidelidade.
Neste capítulo
- A vitória tem um nome, e não é Moisés Êxodo 15:1-5
O Livro de Êxodo passa de ver a libertação a dar-lhe voz, e a primeira escolha marcante é quem não se torna o centro do cântico.
- O inimigo tem muitos planos; ao vento basta um movimento Êxodo 15:6-12
O inimigo recebe um discurso longo e uma resposta extremamente curta.
- O cântico alcança uma terra que o povo ainda não alcançou Êxodo 15:13-18
O cântico mal escapou do Egito e já está de pé numa terra que Israel não alcançou.
- Miriã responde com ritmo e movimento Êxodo 15:19-21
Miriã não está meramente ao lado do cântico como espectadora nomeada.
- O mar ficou para trás, mas a sede não Êxodo 15:22-27
O Livro de Êxodo deixa para trás o grande cântico com rapidez quase chocante.

A Escritura ao lado do resumo
Êxodo · Bíblia Portuguesa Mundial · 27Êxodo 15:1-5
A vitória tem um nome, e não é Moisés
O Livro de Êxodo passa de ver a libertação a dar-lhe voz, e a primeira escolha marcante é quem não se torna o centro do cântico. Moisés está cantando, não sendo celebrado como o estrategista que venceu Faraó. A linguagem é intensamente pessoal dentro de um cântico corporativo: "a minha força", "a minha salvação" e "o meu Deus" permitem a todo o povo confessar um resgate compartilhado sem torná-lo impessoal. Enquanto isso a força egípcia é reduzida a peso. Os carros e os capitães escolhidos que pareciam aterrorizantes em terra agora afundam "como uma pedra". O cântico não melhora a reputação de Moisés tomando emprestada glória do acontecimento. Ele volta a atenção ao SENHOR e deixa que o movimento perdido do exército derrotado faça o ponto. Até a frase sobre preparar uma habitação pertence a esse ato de exaltação, não como alegação de que Israel já tenha construído um santuário.

Estudo aprofundado
O relato passa do ver ao cantar. Israel viu a grande obra no final do capítulo 14; agora o povo dá a essa obra uma forma verbal repetida. Embora toda a companhia cante, a abertura fala no singular: "minha força", "minha salvação" e "meu Deus". O cântico compartilhado permite expressar a libertação do povo como a confissão de cada pessoa que canta, sem substituir a comunidade por um conjunto de experiências particulares sem relação entre si.
O cântico chama o SENHOR de guerreiro porque está descrevendo a derrota do exército perseguidor. Moisés está presente como alguém que canta, e não é celebrado como o general que superou Faraó em estratégia. Os carros e os capitães escolhidos que pareciam decisivos em terra afundam como uma pedra. A comparação retira do exército seu movimento: a força que corria atrás de Israel agora é descrita pelo seu peso na água.
Onde traduções mais antigas falam de preparar uma habitação para Deus, a Bíblia Portuguesa Mundial diz "eu o louvarei", seguindo o sentido do verbo hebraico navah como embelezar ou glorificar Deus com louvor. A outra leitura aponta para o tema da morada que se torna explícito mais adiante no cântico, mas nenhuma das duas sustenta a afirmação de que um santuário já foi construído. A ação imediata do cântico é a exaltação. O Deus dos pais se tornou conhecido na libertação que os cantores acabaram de testemunhar.
Percurso versículo por versículo
- Êxodo 15:1
A forma hebraica az yashir foi entendida pela tradição judaica também com sentido futuro, o que levou alguns intérpretes a ver nela uma alusão à ressurreição. A expressão para triunfar gloriosamente repete uma raiz que significa elevar-se. Nos manuscritos hebraicos, este cântico costuma ser disposto visualmente em linhas semelhantes a uma estrutura de tijolos.
- Êxodo 15:2
O nome divino aparece aqui em forma abreviada, a mesma preservada no final da palavra Aleluia. A combinação força e cântico reaparece com a mesma formulação em Salmos 118:14 e Isaías 12:2. O verbo raro anvehu pode ter o sentido de louvar, embelezar ou honrar, e sua interpretação é discutida.
- Êxodo 15:3
Homem de guerra corresponde a ish milchamah, expressão comum para um guerreiro. O Pentateuco Samaritano apresenta uma formulação semelhante a poderoso na guerra, enquanto a versão grega fala daquele que destrói guerras. A linha termina colocando o nome do SENHOR na posição final, como uma assinatura do cântico.
- Êxodo 15:4
Os capitães escolhidos são os shalishim mencionados em Êxodo 14:7, agora descritos como afundados. O verbo para lançar é yarah, usado também para atirar ou disparar e relacionado à raiz de torah, instrução. Mar Vermelho, yam suf, aparece aqui no cântico como identificação explícita do local da vitória.
- Êxodo 15:5
Profundezas traduz tehomot, plural relacionado ao tehom de Gênesis 1:2, a profundidade primordial. Assim, as águas associadas à criação tornam-se sepultura para o exército. A comparação com uma pedra é a primeira de três imagens de peso e destruição no cântico, seguida por palha no versículo 7 e chumbo no versículo 10.
Êxodo 15:1-5
Bíblia Portuguesa Mundial1Então Moisés e os filhos de Israel cantaram este cântico ao SENHOR, e disseram: “Cantarei ao SENHOR, porque ele triunfou gloriosamente. Lançou no mar o cavalo e o seu cavaleiro.
2O SENHOR é a minha força e o meu cântico. Ele se tornou a minha salvação. Este é o meu Deus, e eu o louvarei; o Deus de meu pai, e eu o exaltarei.
3O SENHOR é homem de guerra. SENHOR é o seu nome.
4Ele lançou no mar os carros do Faraó e o seu exército. Os seus capitães escolhidos afundaram no Mar Vermelho.
5As profundezas os cobrem. Desceram às profundezas como uma pedra.
Êxodo 15:6-12
O inimigo tem muitos planos; ao vento basta um movimento
O inimigo recebe um discurso longo e uma resposta extremamente curta. Perseguição, alcance, despojo, desejo, espada, destruição: o repetido "eu farei" continua empilhando intenções até que a confiança egípcia parece ter construído seu próprio impulso. Então o Livro de Êxodo corta toda essa linguagem com um único movimento de vento e água. Deus sopra, o mar cobre, e os perseguidores afundam "como chumbo". O desequilíbrio é parte da poesia. O exército precisa de muitas palavras para descrever o que planeja fazer; sua derrota precisa de muito poucas. A linguagem do cântico sobre destra, ira, narinas e poder estendido interpreta a travessia de modo pessoal e forte em vez de fornecer um conjunto rival de medições de engenharia para o mar. Sua pergunta, "Quem é como tu?", reúne a vitória em incomparabilidade sem transformar o versículo num convite ao debate. O ponto não é um segundo relato do desastre. É um cântico que faz o primeiro significar algo.

Estudo aprofundado
A mão direita, a ira, as narinas e o braço estendido dão forma poética ao poder descrito na travessia. Não são medidas adicionais de engenharia para o mar. Êxodo 14 mencionou um vento que atuou durante a noite; o cântico chama o ajuntamento das águas de sopro das narinas do SENHOR. Sua linguagem interpreta a ação de maneira pessoal e vigorosa, em vez de oferecer um segundo relato físico concorrente.
A fala do inimigo acumula intenções: perseguição, alcance, despojo, satisfação, espada e destruição. A repetição da primeira pessoa no futuro, que a Bíblia Portuguesa Mundial preserva em "Eu os perseguirei", "Eu os alcançarei" e "Dividirei os despojos", dá ao versículo um ritmo impetuoso. A resposta é surpreendentemente breve em comparação: Deus sopra, o mar cobre, e os perseguidores afundam. A confiança do exército tem mais palavras do que sua derrota exige. Esse contraste faz parte da elaboração do cântico, e não de uma conversa inventada que alguém teria ouvido dentro de cada carro egípcio.
A pergunta sobre haver algum deus como o SENHOR pertence ao louvor do cântico, e não a um convite para que o leitor forneça uma resposta. Santidade, louvor reverente e maravilhas reúnem a vitória em uma declaração de incomparabilidade. A terra engolindo o inimigo e as águas cobrindo-o são imagens poéticas paralelas de derrota completa. O cântico intensifica o significado do relato, e não faz uma pausa para enumerar um terremoto separado.
Percurso versículo por versículo
- Êxodo 15:6
A repetição de tua mão direita, SENHOR forma um padrão em degraus característico da antiga poesia hebraica e também encontrado em poemas cananeus de Ugarit. A segunda linha retoma a primeira e a completa. O verbo traduzido por despedaça é ra'ats, indicando quebrar ou esmagar violentamente.
- Êxodo 15:7
Excelência traduz ga'on, majestade, da mesma raiz relacionada ao triunfo exaltado do versículo 1. Os que se levantam contra Israel são descritos como pessoas que se levantam contra o próprio Deus. O verbo enviar é shalach, o mesmo usado na exigência para Faraó deixar Israel partir. Como ele não enviou o povo, Deus envia sua ira.
- Êxodo 15:8
O sopro das narinas descreve poeticamente o vento oriental de Êxodo 14:21 como o próprio hálito de Deus. A imagem também se relaciona à palavra hebraica para nariz, usada em expressões de ira. As águas se erguem como um monte, e o verbo qafa descreve engrossar ou coagular, como o leite em Jó 10:10.
- Êxodo 15:9
A fala do inimigo é construída com seis verbos sucessivos na primeira pessoa, criando ritmo rápido e ofegante. A expressão sobre satisfazer o desejo significa literalmente encher a própria alma. É a fala citada mais longa dentro do cântico, mas nenhum dos seis atos que o inimigo anuncia chega a se cumprir.
- Êxodo 15:10
O verbo nashaf descreve soprar, podendo sugerir um simples sopro. Isso cria forte contraste com as seis declarações ameaçadoras do versículo anterior: um sopro de Deus responde a todas elas. O chumbo era o metal mais pesado conhecido naquele contexto, e as águas recebem um adjetivo de grandeza também aplicado a Deus no cântico.
- Êxodo 15:11
A expressão entre os deuses coloca o SENHOR em contraste com as divindades do Egito, já apresentadas como objeto de juízo em Êxodo 12:12. Temível em louvores significa digno de reverência por atos extraordinários que provocam louvor. Na tradição judaica, este versículo tornou-se parte de recitações diárias muito antigas.
- Êxodo 15:12
O versículo diz que a terra engoliu os inimigos, embora a cena anterior tenha ocorrido no mar. Erets pode designar a terra comum, o fundo do mar ou, em certos contextos, o domínio dos mortos. A linha hebraica é muito breve, equilibrando a mão estendida de Deus e o ato de engolir.
Êxodo 15:6-12
Bíblia Portuguesa Mundial6A tua mão direita, SENHOR, é gloriosa em poder. A tua mão direita, SENHOR, despedaça o inimigo.
7Na grandeza da tua excelência, derrubas os que se levantam contra ti. Envias a tua ira. Ela os consome como palha.
8Com o sopro das tuas narinas, as águas se amontoaram. As correntes se ergueram como um monte. As profundezas se solidificaram no coração do mar.
9O inimigo disse: 'Eu os perseguirei. Eu os alcançarei. Dividirei os despojos. O meu desejo se satisfará neles. Desembainharei a minha espada. A minha mão os destruirá.'
10Sopraste com o teu vento. O mar os cobriu. Afundaram como chumbo nas águas impetuosas.
11Quem é como tu, SENHOR, entre os deuses? Quem é como tu, glorioso em santidade, temível em louvores, fazendo maravilhas?
12Estendeste a tua mão direita. A terra os engoliu.
Êxodo 15:13-18
O cântico alcança uma terra que o povo ainda não alcançou
O cântico mal escapou do Egito e já está de pé numa terra que Israel não alcançou. Esse alcance adiante é deliberado. O povo é descrito como redimido e guiado, e depois a linguagem passa por Filístia, Edom, Moabe e Canaã rumo a um lugar onde o SENHOR habitará. O Livro de Êxodo deixa a chegada futura soar segura antes que os viajantes tenham completado a jornada pelo deserto, não porque finja que a rota está terminada, mas porque o cântico trata o destino como contido dentro do mesmo propósito divino que o resgate. A imagem de ser plantado é especialmente forte depois de tanto movimento. Israel não deve simplesmente ficar sempre à frente da perseguição. A orientação tem permanência em vista. O capítulo recebe depois um eco quando Raabe fala do mar Vermelho como notícia que já inquietou Canaã. Aqui, contudo, o próprio cântico termina no horizonte mais amplo: o domínio de Faraó fracassou, enquanto "o SENHOR reinará para todo o sempre".


Estudo aprofundado
O cântico não para na fuga. Seu movimento vai de povo resgatado a povo guiado, e da partida a um lugar onde o SENHOR habitará. As alternâncias entre linguagem de ação concluída e afirmações futuras fazem o destino soar seguro antes da chegada dos viajantes. Essa confiança poética não é um relatório de viagem que afirme que o deserto e o estabelecimento na terra já ficaram para trás.
Filístia, Edom, Moabe e Canaã marcam o alcance mais amplo da notícia. O povo que esteve amedrontado junto ao mar agora canta sobre os povos ao redor tremendo diante do que o SENHOR fez. Josué 2:9-11 posteriormente dá voz específica a essa expectativa quando Raabe menciona o ressecamento do mar Vermelho como motivo de os habitantes da terra terem perdido a coragem. Essa passagem posterior depende diretamente do acontecimento cantado aqui.
A imagem do plantio une permanência e orientação. Israel não deve apenas continuar andando até que a perseguição se torne improvável; o povo será estabelecido na herança do SENHOR e em seu santuário. O próprio cântico não identifica a construção de um templo posterior específico. Seu anúncio final de um reinado permanente dá horizonte a todo o movimento. O poder de Faraó fracassou no mar, enquanto a realeza celebrada por Israel não se limita a essa única vitória.
Percurso versículo por versículo
- Êxodo 15:13
Amor leal corresponde a chesed, fidelidade de aliança, amor firme que permanece fiel a uma promessa. É a primeira ocorrência da palavra em Êxodo. Redimiste usa ga'al, verbo ligado ao resgatador familiar e já empregado em Êxodo 6:6. O verbo conduzir é pastoral e pode indicar levar um rebanho até água, como em Salmos 23:2.
- Êxodo 15:14
Filístia é a região costeira dos filisteus. A angústia descrita pelo hebraico chil é comparável às dores de parto, retratando os povos em convulsão de medo. Os filisteus aparecem primeiro entre as nações citadas porque o caminho pela terra deles era justamente a rota que Israel não tomou em Êxodo 13:17.
- Êxodo 15:15
Os chefes de Edom correspondem aos alluphei, título aplicado aos líderes edomitas em Gênesis 36:15–43. Edom e Moabe são povos aparentados com Israel, respectivamente por Esaú e por Ló. O verbo para derreter, namog, reaparece em Josué 2:9 e 2:24 quando Raabe descreve o medo dos habitantes de Canaã diante de Israel.
- Êxodo 15:16
A imagem da pedra retoma o versículo 5. Os egípcios mortos afundaram como pedra, enquanto as nações ainda vivas ficam imóveis como pedra diante da passagem de Israel. O verbo avar, atravessar uma fronteira, aparece duas vezes. O povo é descrito como comprado, usando qanah, verbo que também aparece em Gênesis 4:1.
- Êxodo 15:17
Plantar Israel apresenta o povo como algo estabelecido por Deus, imagem posteriormente aplicada à vinha em Salmos 80:8. O monte da herança e o santuário apontam para o lugar futuro de culto, especialmente Sião e o templo. Na segunda referência a Senhor, o hebraico emprega Adonai, palavra distinta do nome divino representado por SENHOR.
- Êxodo 15:18
O cântico termina com apenas quatro palavras no hebraico. É a primeira declaração explícita nas Escrituras de que o SENHOR reina como rei. O verbo é malakh, reinar. O domínio de Faraó foi quebrado no mar, e o cântico reconhece como definitivo apenas o governo do SENHOR.
Êxodo 15:13-18
Bíblia Portuguesa Mundial13“Tu, em teu amor leal, guiaste o povo que redimiste. Tu os conduziste na tua força à tua santa habitação.
14Os povos ouviram. Eles tremem. Angústia apoderou-se dos habitantes da Filístia.
15Então os chefes de Edom ficaram apavorados. Tremor apodera-se dos poderosos de Moabe. Todos os habitantes de Canaã se derreteram.
16Terror e pavor caem sobre eles. Pela grandeza do teu braço, ficam imóveis como uma pedra, até que o teu povo passe, SENHOR, até que passe o povo que compraste.
17Tu os introduzirás e os plantarás no monte da tua herança, o lugar, SENHOR, que fizeste para tua própria habitação: o santuário, Senhor, que as tuas mãos estabeleceram.
18O SENHOR reinará para todo o sempre.”
Êxodo 15:19-21
Miriã responde com ritmo e movimento
Miriã não está meramente ao lado do cântico como espectadora nomeada. O Livro de Êxodo a identifica como profetisa, coloca um tamborim em sua mão, e mostra as mulheres seguindo com instrumentos e dança. A resposta torna a libertação pública em outro registro, corporificada além de falada. Sua linha retorna à afirmação inicial do cântico sobre o triunfo do SENHOR e o cavalo e o cavaleiro lançados ao mar. Essa repetição não é enchimento depois de uma composição mais longa. Ela comprime todo o perigo, a perseguição, a travessia e o resgate em palavras que podem ser respondidas juntas. Êxodo diz que Miriã "respondia", o que apoia uma relação responsorial entre as execuções, mas não preserva o bastante para reconstruir um arranjo, uma melodia ou um andamento. O que sobrevive é mais importante que uma partitura adivinhada: uma mulher nomeada conduzindo outras mulheres em louvor que concorda com a confissão central do cântico, enquanto o contraste brevemente repetido entre Egito e Israel mantém à vista a razão desse louvor.

Estudo aprofundado
Depois de reafirmar brevemente a diferença entre o destino do Egito e a passagem de Israel, Êxodo apresenta Miriã como profetisa e irmã de Arão. Seu título não é explicado aqui por um relato separado de chamado; é declarado como parte de sua identidade. Ela pega um tamborim, e as mulheres a seguem com instrumentos e danças. A libertação é expressa pela voz e pelo corpo, sem se restringir ao discurso de um único líder.
Sua resposta retoma a mesma declaração central da abertura do cântico: o SENHOR triunfou, e cavalo e cavaleiro foram lançados no mar. A repetição tem uma função real. Reúne um longo relato de perigo, perseguição e resgate em uma frase à qual o povo reunido pode responder. A palavra "respondeu" sustenta uma relação de resposta entre as apresentações, mas Êxodo não preserva a melodia, o andamento, o arranjo exato ou cada divisão dos cantores. Preserva, sim, uma mulher identificada pelo nome conduzindo outras mulheres em louvor público que concorda com o cântico já entoado.
Percurso versículo por versículo
- Êxodo 15:19
Este versículo volta à prosa depois da poesia e resume acontecimentos já descritos em Êxodo 14:23 e 14:29. Os carros e cavaleiros entram no mar, as águas retornam sobre eles, e Israel passa em terra seca. A síntese deixa claro que o cântico celebra acontecimentos já relatados e prepara a resposta de Miriã.
- Êxodo 15:20
Miriã é nomeada aqui pela primeira vez e recebe o título de profetisa, sendo a primeira mulher nas Escrituras chamada dessa maneira. Ela é identificada como irmã de Arão, talvez porque Arão fosse o irmão mais velho. O instrumento chamado tamborim é o toph, provavelmente um pequeno tambor manual ou pandeiro.
- Êxodo 15:21
O verbo respondeu é ta'an, e o pronome associado está no masculino plural. Isso pode indicar que Miriã responde ao cântico dos homens ou conduz uma resposta de todo o povo. Suas palavras repetem o início do versículo 1, mas mudam da primeira pessoa para uma ordem dirigida aos demais: todos devem cantar.
Êxodo 15:19-21
Bíblia Portuguesa Mundial19Porque os cavalos do Faraó entraram no mar com os seus carros e com os seus cavaleiros, e o SENHOR fez as águas do mar voltarem sobre eles; mas os filhos de Israel caminharam em terra seca no meio do mar.
20Miriã, a profetisa, irmã de Arão, pegou um tamborim na mão; e todas as mulheres saíram atrás dela com tamborins e com danças.
21Miriã lhes respondeu: “Cantem ao SENHOR, porque ele triunfou gloriosamente. Lançou no mar o cavalo e o seu cavaleiro.”
Êxodo 15:22-27
O mar ficou para trás, mas a sede não
O Livro de Êxodo deixa para trás o grande cântico com rapidez quase chocante. Três dias passam sem água, e a primeira água que Israel encontra não pode ser bebida. O problema passou de água mortal demais no mar para água utilizável de menos no deserto. Essa mudança mantém o relato próximo do corpo. Um povo pode sobreviver a Faraó e ainda precisar de algo para beber à tarde. A amargura de Mara nomeia o lugar, Moisés clama ao SENHOR, e uma árvore mostrada se torna parte da mudança da água sem que Êxodo identifique sua espécie ou convide a uma reconstrução química. A provisão é imediatamente unida à prova e ao ouvir o mandamento divino. O SENHOR que foi conhecido pelas aflições do Egito se nomeia aqui como curador. Depois o capítulo fecha em Elim com doze fontes e setenta palmeiras. Os detalhes contados são concretos sem exigir aritmética oculta. Depois de sede, queixa e instrução, a imagem final é simplesmente água abundante junto à qual acampar.

Estudo aprofundado
A transição é notavelmente simples. Depois do longo cântico, Moisés conduz o povo ao deserto, e passam-se três dias sem água. A descoberta seguinte é de água que não podem beber. O problema passou de água ameaçadora em excesso no mar a água potável insuficiente no deserto. Uma libertação espetacular não significa que o relato deixou de envolver necessidades comuns do corpo.
Mara recebe seu nome da amargura. Moisés clama ao SENHOR, que lhe mostra uma árvore; quando ela é lançada na água, esta se torna doce. Êxodo não identifica a espécie nem um processo químico. O relato vincula a provisão à instrução do SENHOR e então faz do lugar um cenário de prova. A promessa referente às doenças do Egito une a cura ao ato de ouvir e guardar as ordens divinas. O mesmo SENHOR cujo poder foi conhecido na aflição do Egito se identifica aqui como aquele que cura Israel.
Elim encerra o capítulo com doze fontes e setenta palmeiras. Esses detalhes contados tornam a chegada concreta, mas o texto não atribui uma fonte a cada tribo nem explica cada palmeira como símbolo. O povo acampa junto às águas. Depois da amargura e da prova, a imagem final não é outro discurso, mas um lugar com água suficiente para se estabelecer ao lado dela.
Percurso versículo por versículo
- Êxodo 15:22
O verbo usado para Moisés conduzir Israel significa fazer o acampamento partir ou levantar acampamento. O deserto de Sur, cujo nome significa muro, fica a leste da fronteira egípcia e aparece em Gênesis 16:7 na fuga de Agar. Os três dias de viagem correspondem ao período que Moisés havia pedido repetidamente a Faraó.
- Êxodo 15:23
Mara significa amargo e pertence à mesma raiz associada às ervas amargas de Êxodo 12:8 e à amargura da vida israelita em Êxodo 1:14. Em Rute 1:20, Noemi pede que a chamem por esse nome devido à sua aflição. A água pode ter sido salobra por concentração de sais, problema comum naquela região.
- Êxodo 15:24
Murmurou traduz lun, verbo de queixa ou resmungo que aparece aqui pela primeira vez e será frequente nos capítulos 16 e 17 e no Livro de Números. A pergunta sobre o que beberiam é compreensível diante da falta de água, mas o protesto é dirigido contra Moisés em vez de ser apresentado diretamente a Deus.
- Êxodo 15:25
Mostrou traduz yarah, verbo que pode significar ensinar ou apontar e está ligado à raiz de torah. Deus indica a Moisés uma árvore, transformando a solução também em instrução. Provou traduz nissah, o verbo usado em Gênesis 22:1 para o teste de Abraão. O estatuto e a ordenança mencionados não são especificados neste ponto.
- Êxodo 15:26
O versículo apresenta quatro condições: ouvir atentamente, fazer o que é reto, prestar atenção aos mandamentos e guardar os estatutos. A declaração final identifica o SENHOR como aquele que cura Israel, primeira vez em que esse aspecto é formulado dessa maneira. As doenças do Egito remetem especialmente às enfermidades e pragas recentemente testemunhadas.
- Êxodo 15:27
Elim provavelmente significa terebintos ou grandes árvores. As doze fontes correspondem numericamente às doze tribos, enquanto as setenta palmeiras lembram as setenta pessoas mencionadas em Êxodo 1:5, associação percebida por antigos intérpretes judeus. Elim é frequentemente identificado com Wadi Gharandel, um oásis verde na costa ocidental do Sinai.
Êxodo 15:22-27
Bíblia Portuguesa Mundial22Moisés conduziu Israel adiante, do Mar Vermelho, e eles saíram para o deserto de Sur; e caminharam três dias no deserto, e não encontraram água.
23Quando chegaram a Mara, não puderam beber das águas de Mara, porque eram amargas. Por isso o seu nome foi chamado Mara.
24O povo murmurou contra Moisés, dizendo: “O que beberemos?”
25Então ele clamou ao SENHOR. O SENHOR lhe mostrou uma árvore, e ele a lançou nas águas, e as águas se tornaram doces. Ali ele fez para eles um estatuto e uma ordenança, e ali ele os provou.
26Ele disse: “Se vocês ouvirem diligentemente a voz do SENHOR, o seu Deus, e fizerem o que é reto aos seus olhos, e prestarem atenção aos seus mandamentos, e guardarem todos os seus estatutos, não colocarei sobre vocês nenhuma das doenças que coloquei sobre os egípcios; pois eu sou o SENHOR que os cura.”
27Eles chegaram a Elim, onde havia doze fontes de água e setenta palmeiras. Eles acamparam ali junto às águas.
Questões para manter em mente durante a leitura
- Identifique o povo a quem se fala e o contexto da aliança.
- Distinga resgate, adoração, santidade, justiça e responsabilidade comunitária.
- Leia os mandamentos em seu contexto literário e da aliança antes de aplicá-los hoje.
Primeiro o texto
Onde os leitores divergem
O resumo começa com o que a passagem diz e como suas partes se relacionam. Ele não presume que uma denominação já resolveu todas as questões. A dependência de uma tradição, teoria literária ou reconstrução histórica é claramente identificada.
O texto bíblico aparece primeiro. As conclusões interpretativas são identificadas, e as diferenças surgem quando ajudam a explicar por que comunidades sérias nem sempre chegam à mesma resposta.
As notas interpretativas comparativas deste capítulo estão em preparação. Até que as notas revisadas estejam prontas, esta página separa o texto bíblico do resumo e da aplicação sem afirmar que leitores responsáveis concordam em todas as questões.
Questões sob a superfície
- Que parte de Êxodo 15 faz você parar, se sentir desconfortável ou se surpreender, e por quê?
- Que detalhe da passagem seria fácil ignorar? Como esse detalhe muda sua compreensão?
- Onde você percebe tensão entre o que acontece e este foco: Êxodo 15?
- Que pergunta importante a passagem deixa aberta em vez de resolver rapidamente?
Perguntas para uma reflexão pessoal séria
Estas perguntas são intencionalmente abertas. Permaneça com a tensão da passagem, responda com honestidade e volte à Escritura antes de chegar a uma conclusão.
Observe sem pressa
Que parte de Êxodo 15 faz você parar, se sentir desconfortável ou se surpreender, e por quê?
Que detalhe da passagem seria fácil ignorar? Como esse detalhe muda sua compreensão?
Onde você percebe tensão entre o que acontece e este foco: Seis semanas fora do Egito a comida acaba e o povo deseja ter morrido de barriga cheia. O pão cai ao amanhecer, a água sai de uma rocha ferida, Amaleque ataca os retardatários, e Jetro diz a Moisés que ele vai se esgotar julgando sozinho.; Israel acampa diante do Sinai e Deus fala dez palavras em voz alta diante de todos ao mesmo tempo. O povo aceita a aliança, o sangue é lançado sobre o altar e sobre eles, e setenta anciãos sobem, veem o Deus de Israel, e comem.?
Que pergunta importante a passagem deixa aberta em vez de resolver rapidamente?
Examine seu interior com honestidade
Com qual pessoa, resposta, medo ou desejo da passagem você mais se identifica neste momento?
Que suposição sua sobre Deus, outras pessoas ou você mesmo este texto desafia?
Que parte você preferiria suavizar, evitar ou explicar depressa demais? O que essa reação pode revelar?
Se esta Escritura pudesse fazer uma pergunta direta a você, qual seria?
Responda com sabedoria e coragem
O que você precisa lembrar, confessar, lamentar, agradecer ou confiar depois de ler esta passagem?
Como outra pessoa fiel poderia ler esta situação de modo diferente sem ignorar o texto?
Que resposta obediente seria difícil, desconfortável ou lenta, mas ainda fiel à Escritura?
Que pergunta você levará à oração nesta semana e quais versículos manterá diante de si?
Ouça e assista junto com a passagem
A mídia relacionada aparece somente quando sua referência bíblica coincide com esta unidade. Use música e vídeo como companhia e depois retorne ao texto.




