O chamado alcança barcos, telhados e mesas

Lucas 5

O panorama

O Livro de Lucas 5 continua colocando a autoridade de Jesus dentro de lugares comuns onde as pessoas já têm rotinas, reputações e expectativas. As redes vazias de Simão se enchem, mas a abundância não é o destino; os pescadores a deixam para trás quando são chamados. Um homem incerto quanto à vontade de Jesus de purificá-lo recebe tanto o toque quanto a ordem, e depois é enviado de volta ao processo sacerdotal que Moisés prescreveu. Um paralítico descido pelo telhado transforma a cura em evidência pública para a afirmação menos visível de que o Filho do homem pode perdoar pecados. Levi se levanta da coletoria e depois abre sua casa às pessoas que já conhece, fazendo da mesa compartilhada o terreno seguinte da disputa. Jesus responde com a imagem de um médico cuja presença entre os enfermos não é fracasso profissional, mas o próprio sentido do trabalho. As perguntas sobre o jejum se alargam então para imagens de noivo, pano e odres. Repetidas vezes, o capítulo mostra formas estabelecidas encontrando uma presença que não conseguem simplesmente absorver sem mudança.

Neste capítulo

Lucas 5: O chamado alcança barcos, telhados e mesas
Cena do capítuloLucas 5

A Escritura ao lado do resumo

Lucas · Bíblia Portuguesa Mundial · 39

Lucas 5:1-11

A pesca não é o prêmio final

Simão já trabalhou a noite toda sem pegar nada quando Jesus lhe pede o barco, primeiro como lugar para ensinar e depois como ponto de partida para outra tentativa. Sua resposta não tem otimismo fingido: os pescadores trabalharam e falharam. "Mas, porque o senhor está dizendo" é, portanto, a dobradiça. A experiência diz que as redes já foram guardadas por hoje; a ordem falada as envia de volta à água. O que se segue é abundância à beira do inconveniente. As redes se rompem, os sócios são chamados por sinais, e ambos os barcos começam a afundar. Ainda assim, Simão não responde com um plano de negócios para repetir o milagre. Ele cai aos joelhos de Jesus e fala do próprio pecado. A pesca revelou algo maior do que uma manhã inesperadamente lucrativa. Jesus então transforma o medo em vocação: "De agora em diante você pescará homens". A linha final no Livro de Lucas deixa o ponto claro ao permitir que os homens abandonem a mesma pesca que acabou de encher dois barcos. O milagre não termina em posse, mas em seguimento.

Lucas 5:1-11: A pesca não é o prêmio final
Cena do capítuloLucas 5

Estudo aprofundado

Os pescadores estão lavando as redes quando Jesus toma emprestado o barco de Simão. Sua noite de trabalho terminou sem pesca, o que dá força concreta à resposta de Simão. Ele não finge que a instrução corresponde à experiência recente; age porque Jesus falou. O movimento de ouvir a palavra na margem para agir segundo ela no barco une ensino e resposta antes que Lucas explique esse padrão por meio de parábolas.

A abundância é quase inconvenientemente grande. As redes ficam sob tensão, os companheiros são chamados, e ambos os barcos começam a afundar. Contudo, Simão não responde negociando um acordo permanente para uma pesca espetacular. Ele se prostra diante de Jesus e declara sua própria condição pecadora. A pesca revelou algo sobre a pessoa que dá a ordem que não pode ser medido em peixes.

Jesus responde ao medo com uma vocação. O trabalho futuro diz respeito a pessoas, e a frase final desloca a ênfase da aquisição para a partida: os homens deixam a própria abundância que acabaram de trazer à terra. Lucas identifica Tiago e João como sócios; assim, o chamado alcança uma rede já existente de trabalho e relações. A conclusão do milagre é seguir Jesus, e não preservar um dia de negócios excepcionalmente lucrativo.

Percurso versículo por versículo

  1. Lucas 5:1

    Mateus e Marcos o chamam de mar da Galileia; Lucas, que conhecia o Mediterrâneo, o chama de lago. Genesaré era a planície fértil na margem noroeste, e o lago tem uns vinte e um quilômetros de comprimento. A multidão se aperta “para ouvir a palavra de Deus”, expressão que Lucas usará muitas vezes em Atos.

  2. Lucas 5:2

    Em 1986 um barco de pesca do primeiro século foi retirado do lodo perto de Ginosar, nesta margem, com cerca de oito metros de comprimento e pouco mais de dois de largura. Pescava-se à noite, quando os peixes não viam as redes, e de manhã as equipes lavavam e consertavam as redes de linho.

  3. Lucas 5:3

    Jesus “pediu-lhe”: o barco é de Simão, e Simão pode recusar. “Um pouco da terra” são poucos metros, longe o bastante para conter a pressão da multidão e perto o bastante para ser ouvido.

  4. Lucas 5:4

    “Vá” está no singular, dirigido a Simão; “lancem” está no plural, para toda a tripulação. “Águas mais profundas” são o fundo do lago. Pescar de dia em águas fundas contrariava tudo o que um pescador galileu sabia.

  5. Lucas 5:5

    “Mestre” é epistates, palavra que só Lucas usa, indicando alguém que comanda, um supervisor, e não um rabino. “Trabalhamos” aqui significa labutar até a exaustão. Simão menciona a noite perdida por inteiro antes de concordar.

  6. Lucas 5:6

    “Começou a se romper” traduz um imperfeito: a rede estava começando a rasgar, não estava despedaçada. Em João 21:11, depois de outra noite de redes vazias, uma pesca de 153 peixes grandes é puxada e ainda assim a rede não se rompe.

  7. Lucas 5:7

    “Companheiros” aqui é metochoi, os que participam de um empreendimento; o versículo 10 usa outra palavra, koinonoi, para Tiago e João. Os pescadores galileus trabalhavam muitas vezes em cooperativas familiares. Eles “fizeram sinais”, talvez porque todas as mãos estavam na rede.

  8. Lucas 5:8

    Este é o único lugar do evangelho de Lucas em que aparece o nome duplo “Simão Pedro”. Ele chamou Jesus de “Mestre” no versículo 5 e agora o chama de “Senhor”. Suas palavras lembram Isaías no templo, que se declara perdido por ser homem de lábios impuros (Isaías 6:5).

  9. Lucas 5:9

    O espanto “havia se apoderado dele”, como algo que agarra. “Todos os que estavam com ele” inclui a tripulação, e em Marcos 1:20 o barco de Zebedeu leva empregados além dos filhos. O medo não é de naufragar, mas daquilo que a pesca revelou.

  10. Lucas 5:10

    “Pescará” traduz zogreo, literalmente capturar vivo. O peixe é apanhado para morrer; os homens serão apanhados para viver. “Não tenha medo” é o que Gabriel disse a Zacarias e a Maria e o anjo disse aos pastores (1:13, 30; 2:10).

  11. Lucas 5:11

    Lucas acrescenta a palavra “tudo”, como fará de novo com Levi (versículo 28). Em 14:33 Jesus diz que quem não renuncia a tudo o que tem não pode ser seu discípulo. Estes homens deixam na praia a melhor pesca da vida deles.

Lucas 5:1-11

Bíblia Portuguesa Mundial

1Ora, enquanto a multidão o apertava para ouvir a palavra de Deus, ele estava em pé junto ao lago de Genesaré.

2Ele viu dois barcos parados junto ao lago, mas os pescadores haviam descido deles e estavam lavando as suas redes.

3Ele entrou em um dos barcos, que era o de Simão, e pediu-lhe que o afastasse um pouco da terra. Ele se assentou e do barco ensinava as multidões.

4Quando ele terminou de falar, disse a Simão: “Vá para águas mais profundas e lancem as redes para pescar.”

5Simão lhe respondeu: “Mestre, trabalhamos a noite toda e não pegamos nada; mas, porque o senhor está dizendo, lançarei a rede.”

6Quando fizeram isso, pegaram uma grande quantidade de peixes, e a rede deles começou a se romper.

7Eles fizeram sinais aos seus companheiros no outro barco, para que viessem ajudá-los. Eles vieram e encheram ambos os barcos, de modo que começaram a afundar.

8Mas Simão Pedro, vendo isso, prostrou-se aos joelhos de Jesus, dizendo: “Afasta-te de mim, pois sou um homem pecador, Senhor.”

9Pois o espanto havia se apoderado dele, e de todos os que estavam com ele, por causa da pesca que haviam feito;

10e assim também de Tiago e João, filhos de Zebedeu, que eram companheiros de Simão. Jesus disse a Simão: “Não tenha medo. De agora em diante você pescará homens.”

11Quando trouxeram os seus barcos para a terra, deixaram tudo e o seguiram.

Lucas 5:12-16

A disposição de Jesus responde à incerteza do homem

A incerteza do homem é situada com notável precisão. Ele não pergunta se Jesus tem poder para purificá-lo; ele diz: "Senhor, se quiseres, podes me purificar". Jesus responde exatamente ali: "Eu quero". O toque dá forma corporal a essa vontade antes mesmo de a purificação ser descrita. O Livro de Lucas chama a condição de lepra sem fornecer detalhe médico suficiente para reduzir a categoria bíblica a um único diagnóstico moderno. A ordem seguinte é igualmente importante. O homem deve mostrar-se ao sacerdote e oferecer o que Moisés ordenou. Jesus não trata o processo reconhecido de restauração como entulho obsoleto depois da cura. A purificação e seu reconhecimento pela comunidade permanecem partes distintas do retorno à vida entre os outros. Enquanto isso a fama se espalha apesar da instrução de não divulgar o acontecimento, e chegam multidões que querem ensino e cura. Depois o Livro de Lucas se move na direção contrária: Jesus se retira ao deserto e ora. A procura crescente não transforma a disponibilidade na definição inteira de um ministério fiel.

Lucas 5:12-16: A disposição de Jesus responde à incerteza do homem
Cena do capítuloLucas 5

Estudo aprofundado

O pedido do homem é formulado com cuidado. Ele não questiona se Jesus pode purificá-lo; coloca a incerteza na disposição de fazê-lo. A resposta “Eu quero” de Jesus responde exatamente a esse ponto, enquanto o toque torna a resposta mais que uma declaração distante. Lucas chama a condição de lepra, uma categoria bíblica que não deve ser automaticamente reduzida a um único diagnóstico moderno.

A instrução de se apresentar ao sacerdote e oferecer o que Moisés ordenou relaciona a purificação a procedimentos comunitários reconhecidos. A cura e seu reconhecimento são partes distintas da restauração do homem. Jesus não o manda embora para denunciar a lei como irrelevante. O exame sacerdotal em Levítico 14 fornece a estrutura para o testemunho.

A fama se espalha apesar da restrição de contar aos outros, e as multidões querem tanto ouvir quanto ser curadas. Lucas então apresenta um movimento contrário: Jesus se retira para orar. A demanda crescente não elimina a oração nem transforma todo momento disponível em atuação pública. A retirada pertence ao padrão do ministério, e não a uma falta de compaixão pelas pessoas que chegam.

Percurso versículo por versículo

  1. Lucas 5:12

    Só Lucas diz “cheio de lepra”, a extensão que um médico anotaria. Levítico 13:12–13 contém uma disposição curiosa: se a doença cobrisse o corpo inteiro da cabeça aos pés, o sacerdote devia declarar o homem puro. “Prostrou-se com o rosto em terra” é a prostração completa.

  2. Lucas 5:13

    A Lei exigia que o leproso vivesse à parte e gritasse que era impuro, para afastar os outros (Levítico 13:45–46), e tocá-lo tornava a pessoa impura. Aqui o toque corre no sentido contrário: a mão pura não se torna impura, e o leproso se torna puro.

  3. Lucas 5:14

    O procedimento de Levítico 14 envolvia duas aves, uma morta sobre água corrente e a outra mergulhada no seu sangue e solta, depois uma semana de espera, raspagem dos pelos e ofertas no oitavo dia. “Para servir de testemunho a eles” significa uma prova para os sacerdotes e para o público.

  4. Lucas 5:15

    Marcos diz que o homem curado desobedeceu e espalhou a notícia (1:45); Lucas não o culpa e diz apenas que a notícia “se espalhava ainda mais”. “Enfermidades” abrange fraquezas de todo tipo, não só doenças.

  5. Lucas 5:16

    A construção grega descreve um hábito: ele costumava retirar-se e orar, vez após vez, não numa única ocasião. “Deserto” está no plural no grego, lugares solitários. À medida que as multidões crescem, cresce também a oração.

Lucas 5:12-16

Bíblia Portuguesa Mundial

12Estando ele em uma das cidades, eis que havia um homem cheio de lepra. Quando ele viu Jesus, prostrou-se com o rosto em terra e lhe implorou, dizendo: “Senhor, se quiseres, podes me purificar.”

13Ele estendeu a mão e o tocou, dizendo: “Eu quero. Seja purificado.” Imediatamente a lepra o deixou.

14Ele lhe ordenou que não contasse a ninguém: “Mas vá, mostre-se ao sacerdote e ofereça pela sua purificação o sacrifício que Moisés ordenou, para servir de testemunho a eles.”

15Porém, a notícia a respeito dele se espalhava ainda mais, e grandes multidões se reuniam para ouvi-lo e para serem curadas por ele de suas enfermidades.

16Mas ele se retirava para o deserto e orava.

Lucas 5:17-26

A abertura no telhado leva a uma pergunta maior

Uma casa cheia se torna discussão sobre autoridade antes que o paralítico chegue a ficar de pé. Seus companheiros não conseguem alcançar Jesus pela rota óbvia, então criam outra pelo telhado. O Livro de Lucas se interessa pela fé tornada visível por essa determinação, não pelo orçamento de um pedreiro para as telhas. As primeiras palavras de Jesus ao homem tratam de perdão, o que desloca imediatamente a controvérsia da deficiência física para uma afirmação que escribas e fariseus entendem como pertencente a Deus. Nada na cena diz que um pecado específico causou a paralisia. A deficiência se torna o lugar onde uma afirmação invisível pode receber confirmação visível. Jesus pergunta o que é mais fácil dizer, e depois ordena ao homem que se levante para que os presentes saibam que o Filho do homem tem poder na terra de perdoar pecados. O final é quase perfeitamente concreto: o homem caminha para casa carregando o leito que o havia carregado. Seu louvor e o temor admirado da multidão impedem que a cena termine como disputa teológica meramente verbal.

Lucas 5:17-26: A abertura no telhado leva a uma pergunta maior
Cena do capítuloLucas 5
Galileia e Judeia
Galileia e Judeia

Estudo aprofundado

A sala contém pessoas que percorreram distâncias consideráveis para ouvir Jesus, incluindo mestres da lei. Os homens que carregam o paralítico não conseguem alcançá-lo pela multidão, então descem a maca pelo telhado. Lucas não faz uma pausa para calcular o custo dos reparos. A entrada incomum torna visível o propósito deles, e Jesus responde à “fé deles”, expressão suficientemente ampla para incluir o grupo, em vez de isolar um ato mental privado.

A declaração diz respeito aos pecados antes de dizer respeito à paralisia. Isso não significa que Lucas identifique um pecado específico como causa da deficiência. Ela muda a questão em discussão: os presentes agora enfrentam uma afirmação de autoridade para perdoar, que entendem pertencer a Deus. Sua objeção, portanto, é teológica, e não uma reclamação sobre o telhado danificado.

A pergunta de Jesus distingue o que é mais fácil dizer do que pode ser verificado publicamente. O perdão não é visível como o caminhar. A ordem de se levantar fornece evidência visível da autoridade que ele reivindicou como Filho do homem. O homem então carrega o objeto que o carregara. Lucas deixa essa inversão concluir a demonstração, e seu louvor se une ao espanto da multidão, em vez de deixar o episódio como uma discussão vencida em abstrato.

Percurso versículo por versículo

  1. Lucas 5:17

    Esta é a primeira aparição dos fariseus em Lucas. Os “mestres da lei” são professores da Lei. Os manuscritos mais antigos dizem “para curá-lo” onde esta tradução tem “curá-los”, o que significaria que o poder do Senhor estava presente para Jesus curar; é assim que muitos tradutores modernos entendem.

  2. Lucas 5:18

    “Maca” traduz kline, um catre ou padiola, que nos versículos 19 e 24 passa a um diminutivo. “Paralítico” corresponde ao particípio que os escritores médicos gregos usavam para paralisado, onde Marcos tem uma palavra mais popular.

  3. Lucas 5:19

    As “telhas” de Lucas descrevem um telhado de cerâmica cozida, do tipo que os seus leitores gregos conheciam. Marcos descreve homens cavando o teto, o que convém a uma cobertura galileia de vigas, ramos e barro batido. Cada relato dá aos seus leitores um telhado que eles podiam imaginar.

  4. Lucas 5:20

    Em Marcos, Jesus o chama de filho; Lucas tem “Homem”. “Estão perdoados” está no perfeito: foram perdoados e assim permanecem. As palavras são ditas a um homem deitado numa padiola que não tinha dito absolutamente nada.

  5. Lucas 5:21

    Em Isaías 43:25 Deus declara que é ele quem apaga as transgressões por amor de si mesmo. A objeção se apoia na Escritura. “Blasfêmias” está no plural, e os escribas e fariseus “começaram a raciocinar” entre si, não em voz alta.

  6. Lucas 5:22

    “Pensamentos” é dialogismoi, a palavra de Simeão quando disse que por meio desta criança os pensamentos de muitos corações seriam revelados (2:35). Aqui os primeiros desses pensamentos são expostos. “Percebendo” indica reconhecimento pleno, embora ninguém tivesse falado.

  7. Lucas 5:23

    Uma das duas frases pode ser dita e nunca verificada; a outra será provada verdadeira ou falsa diante de todos em poucos segundos. A pergunta “Qual é mais fácil dizer” põe as duas lado a lado.

  8. Lucas 5:24

    Esta é a primeira vez que o título “Filho do Homem” aparece em Lucas. Em Daniel 7:13–14 alguém semelhante a um filho de homem recebe domínio do Ancião de Dias. A “autoridade” é exousia, e “na terra” a situa onde se esperava que o perdão viesse só do céu.

  9. Lucas 5:25

    Lucas evita nomear a padiola e diz “aquilo em que estava deitado”, o que até então o carregava. Ele vai embora “glorificando a Deus”, como fazem tantas vezes os curados em Lucas (13:13, 17:15, 18:43).

  10. Lucas 5:26

    “Coisas extraordinárias” traduz paradoxa, raiz de paradoxo: coisas contrárias a toda expectativa. A palavra só ocorre aqui no Novo Testamento. O “hoje” ecoa o anjo aos pastores (2:11) e Jesus em Nazaré (4:21).

Lucas 5:17-26

Bíblia Portuguesa Mundial

17Em um daqueles dias, ele estava ensinando; e estavam ali assentados fariseus e mestres da lei, que tinham vindo de todas as aldeias da Galileia, da Judeia e de Jerusalém. E o poder do Senhor estava com ele para curá-los.

18Eis que alguns homens trouxeram um paralítico em uma maca, e procuravam levá-lo para dentro e colocá-lo diante de Jesus.

19Não achando como introduzi-lo por causa da multidão, subiram ao telhado e o desceram pelas telhas com a sua maca, no meio de todos, diante de Jesus.

20Vendo a fé que eles tinham, ele lhe disse: “Homem, os seus pecados lhe estão perdoados.”

21Os escribas e os fariseus começaram a raciocinar, dizendo: “Quem é este que diz blasfêmias? Quem pode perdoar pecados, senão somente Deus?”

22Mas Jesus, percebendo os pensamentos deles, respondeu-lhes: “Por que vocês estão pensando assim em seu íntimo?

23Qual é mais fácil dizer: 'Os seus pecados lhe estão perdoados', ou dizer: 'Levante-se e ande'?

24Mas, para que vocês saibam que o Filho do Homem tem autoridade na terra para perdoar pecados”, disse ele ao paralítico: “Eu lhe digo: levante-se, pegue a sua maca e vá para a sua casa.”

25Imediatamente ele se levantou diante deles, pegou aquilo em que estava deitado e foi para a sua casa, glorificando a Deus.

26O espanto tomou conta de todos, e eles glorificavam a Deus. Ficaram cheios de temor, dizendo: “Vimos coisas extraordinárias hoje.”

Lucas 5:27-32

O médico comparece ao banquete

O chamado de Levi é tão breve quanto perturbador: "Siga-me!". Ele se levanta, deixa a coletoria e o segue, mas o Livro de Lucas não finge que seu mundo social anterior desaparece no mesmo momento. Em vez disso Levi oferece um grande banquete, e a sala se enche de cobradores de impostos e outros. Agora o chamado tem uma mesa ao redor. Isso torna pública também a objeção. A queixa não é apenas que Jesus tenha falado com pessoas de má fama, mas que ele e seus discípulos "comem e bebem" com elas. A comida compartilhada torna a proximidade visível e duradoura. Jesus responde com um médico, uma das imagens mais simples do capítulo e uma das mais difíceis de escapar. Um médico entre enfermos não viola a natureza do trabalho; é ali que o trabalho pertence. Ainda assim, a palavra final é "arrependimento", o que impede que a comunhão seja confundida com indiferença quanto à conduta. Jesus não trata a necessidade como contaminação nem transforma o acolhimento em declaração de que nenhuma mudança é necessária.

Lucas 5:27-32: O médico comparece ao banquete
Cena do capítuloLucas 5

Estudo aprofundado

O chamado de Levi repete o padrão de partida dos pescadores: ele se levanta, deixa tudo e segue. A cena seguinte não apaga seu mundo social existente. Ele oferece uma grande refeição frequentada por publicanos e outros, levando Jesus à companhia de pessoas ligadas ao seu trabalho anterior. O chamado tem consequências para suas relações, assim como para sua direção individual.

A objeção é dirigida aos discípulos e diz respeito a comer e beber. A comunhão à mesa dá ao encontro uma visibilidade social que uma conversa breve na coletoria não teria. Jesus responde interpretando sua presença por meio do trabalho de um médico. Um médico encontrado entre enfermos não está agindo de modo incompatível com sua profissão; é para lá que o trabalho o leva.

A palavra final, “arrependimento”, impede que a hospitalidade seja confundida com indiferença à conduta. Jesus identifica a necessidade sem tratar a proximidade daqueles que precisam dele como contaminação. Seu contraste entre justos e pecadores não é uma declaração independente de que os críticos não precisam de arrependimento. Responde à reclamação de que sua escolha de companhia desqualifica sua missão.

Percurso versículo por versículo

  1. Lucas 5:27

    O relato de Mateus chama este homem de Mateus (Mateus 9:9); Marcos o chama Levi, filho de Alfeu. Cafarnaum ficava perto da fronteira entre a Galileia de Antipas e o território de Filipe, numa rota comercial, e as mercadorias que passavam eram taxadas ali. “Viu” é olhar com atenção.

  2. Lucas 5:28

    Lucas acrescenta “tudo” outra vez. Um pescador podia voltar ao seu barco, mas um coletor que abandonasse o posto provavelmente o perdia para sempre; trata-se de uma inferência, mas ela dá a medida do custo de se levantar.

  3. Lucas 5:29

    “Um grande banquete” é uma recepção formal. Na sua própria narração Lucas chama os convidados de cobradores de impostos “e de outras pessoas”; são os críticos, no versículo seguinte, que os chamam de pecadores. Estavam reclinados à mesa juntos.

  4. Lucas 5:30

    Os escribas mencionados são os do partido dos fariseus. “Murmuravam” é a palavra que o Antigo Testamento grego usa para Israel resmungando no deserto contra Moisés e Arão (Êxodo 16:7–8). A queixa é dirigida aos discípulos, não a Jesus.

  5. Lucas 5:31

    “Os que têm saúde” traduz o termo médico comum para sadio; Marcos usa uma palavra que quer dizer fortes. Paulo chama Lucas de médico amado (Colossenses 4:14). Um médico que evitasse os doentes seria um médico estranho.

  6. Lucas 5:32

    Em Marcos o dito termina em “pecadores”. Lucas acrescenta “ao arrependimento”, deixando claro para que é o chamado. O arrependimento atravessa o evangelho de Lucas, da pregação de João (3:3) à última comissão (24:47).

Lucas 5:27-32

Bíblia Portuguesa Mundial

27Depois dessas coisas, ele saiu e viu um cobrador de impostos chamado Levi, sentado na coletoria, e lhe disse: “Siga-me!”

28Ele deixou tudo, levantou-se e o seguiu.

29Levi ofereceu-lhe um grande banquete em sua casa. Havia uma grande multidão de cobradores de impostos e de outras pessoas que estavam à mesa com eles.

30Os escribas e os fariseus murmuravam contra os discípulos dele, dizendo: “Por que vocês comem e bebem com os cobradores de impostos e pecadores?”

31Jesus lhes respondeu: “Os que têm saúde não precisam de médico, mas sim os doentes.

32Eu não vim para chamar os justos, mas os pecadores, ao arrependimento.”

Lucas 5:33-39

Uma festa de casamento não é um jejum

A pergunta sobre o jejum supõe que uma seriedade religiosa reconhecível deve produzir uma conduta reconhecível. Os discípulos de João jejuam, os dos fariseus jejuam, e os discípulos de Jesus são vistos comendo e bebendo. Jesus não responde declarando o jejum tolice. Ele responde com um casamento. A questão decisiva é a presença do noivo, que torna o jejum naquele momento tão descompassado quanto o luto em uma festa. Ainda assim, ele também fala de um dia vindouro em que o noivo será tirado e o jejum voltará, de modo que o contraste diz respeito ao tempo e à relação, não à abolição da prática. As imagens da roupa e do vinho levam o mesmo problema mais adiante. Cortar uma roupa nova para remendar uma velha danifica a nova e deixa a velha descombinada. O vinho novo pode destruir recipientes incapazes de recebê-lo. Depois o Livro de Lucas recusa um slogan fácil sobre novidade ao acrescentar que quem está acostumado ao vinho velho não deseja imediatamente o novo. O gosto estabelecido tem força, mas a presença de Jesus não pode simplesmente ser encaixada sem mudança em formas conhecidas.

Lucas 5:33-39: Uma festa de casamento não é um jejum
Cena do capítuloLucas 5

Estudo aprofundado

A pergunta compara padrões reconhecíveis de prática religiosa. Os discípulos de João jejuam, os discípulos dos fariseus jejuam, e os discípulos de Jesus comem e bebem. Jesus responde em termos de tempo e relação, em vez de declarar inútil o jejum. Os convidados de um casamento não agem como se o noivo estivesse ausente enquanto ele está presente. A futura retirada do noivo introduz perda na imagem e dá ao jejum um lugar futuro.

A ilustração da roupa é mais perturbadora que simplesmente colocar um remendo novo. Lucas descreve tirar um pedaço de uma roupa nova para consertar uma velha, danificando a nova enquanto produz uma combinação inadequada na velha. A imagem do vinho também diz respeito a recipientes incapazes de suportar o que se coloca neles. O termo “odres” se refere a vasilhas de pele, que endurecem com o uso, e não a garrafas modernas de vidro.

A afirmação final complica qualquer triunfo fácil da novidade. Uma pessoa acostumada ao vinho velho não quer imediatamente o novo. Jesus reconhece a força do gosto estabelecido enquanto explica por que sua obra não pode simplesmente ser adaptada às expectativas existentes. Lucas não transforma essas imagens em permissão para descartar as Escrituras de Israel. A questão imediata é a resposta apropriada à presença de Jesus.

Percurso versículo por versículo

  1. Lucas 5:33

    Fariseus devotos jejuavam duas vezes por semana, às segundas e quintas, como se gaba o fariseu em 18:12. Só Lucas menciona que os discípulos de João “oram frequentemente”; depois um discípulo pedirá que Jesus os ensine a orar, como João ensinou os seus (11:1). A objeção passa de com quem comem para o fato de comerem.

  2. Lucas 5:34

    No grego, os “amigos do noivo” são os filhos da câmara nupcial, idioma hebraico para os convidados do casamento, companheiros do noivo. A festa de casamento durava sete dias (Juízes 14:12). A lei rabínica posterior dispensava os acompanhantes do noivo de certos deveres religiosos durante aquela semana.

  3. Lucas 5:35

    “Tirado” traduz um verbo que no Novo Testamento só aparece neste dito e nos seus paralelos: erguido, removido. É a primeira sombra da morte de Jesus em Lucas, posta dentro da imagem de um casamento. Os dias “virão”; ainda não chegaram.

  4. Lucas 5:36

    Lucas chama isto de “parábola”, a mesma palavra traduzida por provérbio em 4:23. “Não combinará” é literalmente não estará em harmonia, o verbo de onde vem sinfonia. O pano novo se perde e a roupa velha fica pior.

  5. Lucas 5:37

    O vinho novo ainda está fermentando, solta gás e se expande; um odre velho perdeu a elasticidade e racha. Os gibeonitas mostraram a Josué odres velhos, rotos e remendados como prova de uma longa viagem (Josué 9:4, 13).

  6. Lucas 5:38

    “Deve ser colocado” traduz uma forma verbal grega que não aparece em mais nenhum lugar do Novo Testamento. As palavras finais “e ambos se conservam” faltam em muitos manuscritos de Lucas e parecem ter vindo de Mateus 9:17.

  7. Lucas 5:39

    Só Lucas registra este dito. Os manuscritos mais antigos trazem “o velho é bom”, e não “melhor”: quem bebe não compara, simplesmente está satisfeito. Eclesiástico 9:10 diz que um amigo novo é como vinho novo, agradável só depois de envelhecer.

Lucas 5:33-39

Bíblia Portuguesa Mundial

33Eles lhe disseram: “Por que os discípulos de João jejuam e oram frequentemente, assim como também os discípulos dos fariseus, mas os teus comem e bebem?”

34Ele lhes disse: “Vocês podem fazer os amigos do noivo jejuar enquanto o noivo está com eles?

35Mas virão dias em que o noivo lhes será tirado. Então, naqueles dias, eles jejuarão.”

36Ele também lhes contou uma parábola: “Ninguém coloca um remendo de uma roupa nova em uma roupa velha; senão, rasgará a nova, e também o remendo da nova não combinará com a velha.

37Ninguém coloca vinho novo em odres velhos; senão, o vinho novo romperá os odres, se derramará, e os odres se estragarão.

38Mas o vinho novo deve ser colocado em odres novos, e ambos se conservam.

39E ninguém que tenha bebido vinho velho deseja imediatamente o novo, pois diz: 'O velho é melhor'.”

Questões para manter em mente durante a leitura

  1. Observe o que Jesus diz e faz e como as pessoas respondem.
  2. Acompanhe reino, discipulado, oposição, cruz e ressurreição na sequência do evangelista.
  3. Deixe a doutrina posterior esclarecer a cena sem apagar seu contexto imediato.

Primeiro o texto

Onde os leitores divergem

O resumo começa com o que a passagem diz e como suas partes se relacionam. Ele não presume que uma denominação já resolveu todas as questões. A dependência de uma tradição, teoria literária ou reconstrução histórica é claramente identificada.

O texto bíblico aparece primeiro. As conclusões interpretativas são identificadas, e as diferenças surgem quando ajudam a explicar por que comunidades sérias nem sempre chegam à mesma resposta.

As notas interpretativas comparativas deste capítulo estão em preparação. Até que as notas revisadas estejam prontas, esta página separa o texto bíblico do resumo e da aplicação sem afirmar que leitores responsáveis concordam em todas as questões.

Questões sob a superfície

  1. Que parte de Lucas 5 faz você parar, se sentir desconfortável ou se surpreender, e por quê?
  2. Que detalhe da passagem seria fácil ignorar? Como esse detalhe muda sua compreensão?
  3. Onde você percebe tensão entre o que acontece e este foco: Lucas 5?
  4. Que pergunta importante a passagem deixa aberta em vez de resolver rapidamente?

Perguntas para uma reflexão pessoal séria

Estas perguntas são intencionalmente abertas. Permaneça com a tensão da passagem, responda com honestidade e volte à Escritura antes de chegar a uma conclusão.

Observe sem pressa

  1. Que parte de Lucas 5 faz você parar, se sentir desconfortável ou se surpreender, e por quê?

  2. Que detalhe da passagem seria fácil ignorar? Como esse detalhe muda sua compreensão?

  3. Onde você percebe tensão entre o que acontece e este foco: Lucas 5 se desenvolve por meio de suas próprias vozes, ações, afirmações e consequências?

  4. Que pergunta importante a passagem deixa aberta em vez de resolver rapidamente?

Examine seu interior com honestidade

  1. Com qual pessoa, resposta, medo ou desejo da passagem você mais se identifica neste momento?

  2. Que suposição sua sobre Deus, outras pessoas ou você mesmo este texto desafia?

  3. Que parte você preferiria suavizar, evitar ou explicar depressa demais? O que essa reação pode revelar?

  4. Se esta Escritura pudesse fazer uma pergunta direta a você, qual seria?

Responda com sabedoria e coragem

  1. O que você precisa lembrar, confessar, lamentar, agradecer ou confiar depois de ler esta passagem?

  2. Como outra pessoa fiel poderia ler esta situação de modo diferente sem ignorar o texto?

  3. Que resposta obediente seria difícil, desconfortável ou lenta, mas ainda fiel à Escritura?

  4. Que pergunta você levará à oração nesta semana e quais versículos manterá diante de si?

Ouça e assista junto com a passagem

A mídia relacionada aparece somente quando sua referência bíblica coincide com esta unidade. Use música e vídeo como companhia e depois retorne ao texto.

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Fonte: eBible.org · porbrbsl · obtido 2026-09-20