O panorama
O Livro de Mateus coloca duas reuniões muito diferentes lado a lado. O banquete de aniversário de Herodes torna-se o cenário da morte de João Batista, com um governante permitindo que seu juramento público e os convidados que observam determinem o que ele faz. Jesus então encontra uma multidão faminta em um lugar deserto e se recusa a mandá-la embora, envolvendo os discípulos na distribuição de uma refeição que começa com apenas cinco pães e dois peixes e termina com doze cestos sobrando. No mar, os discípulos primeiro confundem Jesus com uma ameaça. Pedro passa então da ousadia ao medo, mas a mão que resgata o alcança antes que a repreensão sobre a pouca fé termine. O vento cessa, a adoração se segue, e o capítulo se encerra em Genesaré, onde o reconhecimento se espalha pela região e os doentes são trazidos a Jesus. Execução, provisão, medo, resgate e cura giram todos em torno do que as pessoas fazem quando o poder está diante delas.
Neste capítulo
- Uma promessa feita diante dos convidados Mateus 14:1-12
Herodes ouve relatos sobre Jesus e busca para trás uma explicação: João Batista, a quem havia preso e matado, deve ter ressuscitado.
- Os discípulos se tornam a linha de distribuição Mateus 14:13-21
Os discípulos veem um problema de fim de tarde e propõem a solução razoável: mandar a multidão embora enquanto ainda há tempo de encontrar comida.
- A mão o alcança antes de a lição terminar Mateus 14:22-33
A tempestade não é resultado de os discípulos terem se desviado do rumo.
- O reconhecimento se espalha pela margem Mateus 14:34-36
Genesaré dá ao capítulo um pouso tranquilo depois de uma prisão, uma multidão no deserto e uma tempestade.

A Escritura ao lado do resumo
Mateus · Bíblia Portuguesa Mundial · 36Mateus 14:1-12
Uma promessa feita diante dos convidados
Herodes ouve relatos sobre Jesus e busca para trás uma explicação: João Batista, a quem havia preso e matado, deve ter ressuscitado. O Livro de Mateus então deixa que a razão da morte de João exponha o governante com mais clareza do que qualquer discurso sobre poder conseguiria. Herodes queria João morto, mas temia a multidão. No banquete de aniversário, ele fica preso por uma promessa feita publicamente, e sua tristeza não o impede de ordenar a execução porque o juramento e os convidados agora o observam. A engrenagem decisiva é dolorosamente comum: uma promessa, o incentivo de uma mãe, um pedido e uma ordem. A cabeça de João chega num prato no meio de um banquete. Seus discípulos respondem a toda essa exibição com trabalho silencioso, recolhendo o corpo, sepultando-o e levando a notícia a Jesus. O governante comanda a sala, e ainda assim o relato deixa sua conduta parecendo governada por todos os que estão nela.

Estudo aprofundado
Mateus apresenta a morte de João retrospectivamente. Herodes ouve sobre Jesus e explica os relatos por meio de João, que acredita ter ressuscitado. O capítulo então fornece os acontecimentos por trás dessa conclusão. Herodes quisera João morto, mas temia a multidão; no banquete, fica triste, embora tema as consequências de seu juramento diante dos convidados. A situação mutável nunca remove sua responsabilidade. Ela expõe como sua ação é prontamente governada pelas pessoas que observam.
O pedido da filha é instigado por sua mãe. Mateus não nomeia a filha nem descreve sua dança, e o relato não dá fundamento para encher o recinto com espetáculo inventado. Seus detalhes decisivos são fala, promessa, instigação e uma ordem. A cabeça chega em um prato, colocando um assassinato dentro dos preparativos de um banquete.
Os discípulos de João recuperam seu corpo, sepultam-no e contam a Jesus. Suas ações discretas encerram um relato dominado por poder ostensivo. A próxima reunião do capítulo também envolverá um governante, uma multidão e alimento. Ali, porém, as pessoas recebem pão em vez de serem feitas testemunhas do custo do constrangimento público de um governante.
Percurso versículo por versículo
- Mateus 14:1
É Herodes Antipas, filho de Herodes, o Grande, que governou a Galileia e a Pereia de 4 a.C. a 39 d.C. “tetrarca” significa governante de uma quarta parte, título abaixo de rei. Mais tarde ele pediu a coroa a Roma e, em vez disso, foi deposto e exilado na Gália.
- Mateus 14:2
Os “servos” aqui são cortesãos, os homens em volta do trono. O Evangelho de João diz que João não fez sinal algum (João 10:41), o que torna estranha a teoria de Herodes: um homem que não fez prodígios em vida é imaginado fazendo-os depois da morte. Uma consciência culpada fornece a explicação.
- Mateus 14:3
Herodias era neta de Herodes, o Grande, e portanto sobrinha de seus dois maridos. Josefo chama o primeiro marido de Herodes, não de Filipe; talvez ele tivesse os dois nomes. Para casar com ela, Antipas repudiou a esposa, filha do rei nabateu Aretas.
- Mateus 14:4
A Lei proibia o homem de tomar a mulher do irmão enquanto este vivesse (Levítico 18:16; 20:21). O verbo grego é contínuo: João “lhe dizia” isso repetidamente. A acusação dizia respeito a um ato público de um governante, não a um boato privado.
- Mateus 14:5
Marcos diz que era Herodias quem queria a morte de João, enquanto Herodes o protegia (Marcos 6:19–20); Mateus dá o desejo a Herodes. Josefo diz que Antipas matou João por medo de que sua influência provocasse uma revolta, e que muitos judeus viram a derrota posterior de Antipas diante de Aretas como castigo de Deus por isso.
- Mateus 14:6
A única outra festa de aniversário na Bíblia é a do faraó, em que o chefe dos padeiros foi enforcado (Gênesis 40:20–22). Josefo dá o nome da filha, Salomé; mais tarde ela se casou com Filipe, o tetrarca. Uma princesa dançando num banquete de homens estava bem fora dos costumes respeitáveis.
- Mateus 14:7
Uma promessa aberta, selada com juramento, o tipo de fala que o sermão proibiu (5:34). Marcos acrescenta até a metade do reino (Marcos 6:23), a frase que o rei Assuero usou com Ester. Mateus deixa a promessa ilimitada e mais simples.
- Mateus 14:8
“sendo instigada” quer dizer incentivada, empurrada adiante. “aqui” significa agora, à mesa, antes que o rei pense melhor. A “bandeja” é uma travessa grande de servir, do tipo que levava a carne a um banquete.
- Mateus 14:9
“ficou triste” é o verbo de pesar que Mateus usa para o jovem rico que foi embora triste (19:22). Herodes é chamado “O rei”, embora fosse apenas tetrarca. O grego diz “juramentos”, no plural, como se ele tivesse jurado mais de uma vez na excitação da festa.
- Mateus 14:10
A decapitação era um modo romano de execução, e João não teve audiência alguma. Josefo situa sua prisão em Maqueronte, uma fortaleza-palácio, de modo que a festa pode ter sido feita perto da cela. O versículo é uma frase curta e seca, sem nenhum comentário.
- Mateus 14:11
“jovem” traduz a palavra para menina, a mesma usada para a filha do líder que Jesus levantou em 9:24–25. Duas meninas neste Evangelho: uma erguida do leito e outra carregando uma cabeça numa travessa. Ela a entrega à mãe, que foi quem a pediu.
- Mateus 14:12
Os discípulos de João fazem pelo mestre o que os discípulos de Jesus não farão pelo seu; será José de Arimateia quem sepultará Jesus (27:57–60). Depois vão a Jesus com a notícia, como João mandara discípulos a ele da prisão em 11:2.
Mateus 14:1-12
Bíblia Portuguesa Mundial1Naquele tempo, Herodes, o tetrarca, ouviu as notícias a respeito de Jesus,
2e disse aos seus servos: “Este é João Batista. Ele ressuscitou dos mortos. É por isso que esses poderes operam nele.”
3Pois Herodes havia prendido João, amarrado-o e colocado na prisão por causa de Herodias, mulher de seu irmão Filipe.
4Pois João lhe dizia: “Não lhe é lícito tê-la.”
5Embora quisesse matá-lo, ele temia a multidão, porque o consideravam um profeta.
6Mas, quando chegou o aniversário de Herodes, a filha de Herodias dançou no meio deles e agradou a Herodes.
7Por isso, ele prometeu sob juramento dar-lhe qualquer coisa que ela pedisse.
8Ela, sendo instigada por sua mãe, disse: “Dê-me aqui, numa bandeja, a cabeça de João Batista.”
9O rei ficou triste, mas por causa dos seus juramentos e dos que estavam sentados à mesa com ele, ordenou que lhe fosse dada,
10e mandou decapitar João na prisão.
11A cabeça dele foi trazida numa bandeja e dada à jovem; e ela a levou para sua mãe.
12Os discípulos dele vieram, levaram o corpo e o sepultaram. Depois, foram e contaram a Jesus.
Mateus 14:13-21
Os discípulos se tornam a linha de distribuição
Os discípulos veem um problema de fim de tarde e propõem a solução razoável: mandar a multidão embora enquanto ainda há tempo de encontrar comida. Jesus muda a tarefa deles em vez disso. "Eles não precisam ir embora. Deem-lhes vocês algo para comer" transforma os homens que querem dispensar a multidão na linha pela qual a refeição passará. O Livro de Mateus mantém o estoque inicial embaraçosamente pequeno, cinco pães e dois peixes, e não para para identificar um instante teatral em que a escassez vira abundância. Jesus abençoa e parte, os discípulos distribuem, e as pessoas comem até se fartarem. Só depois a escala se torna mensurável em doze cestos de pedaços e uma contagem de cerca de cinco mil homens, além de mulheres e crianças. O contraste com o banquete de Herodes é difícil de ignorar. Uma festa acabou de consumir uma vida para proteger a imagem pública de um governante; esta reunião começa com compaixão e termina com mais comida sobrando do que os discípulos tinham no início.

Estudo aprofundado
A ida a um lugar deserto segue o relato da morte de João, mas Mateus menciona a compaixão de Jesus quando vê a multidão, em vez de fornecer uma descrição particular de seu luto. A proposta dos discípulos é prática: a tarde chegou, o lugar é remoto, e é preciso encontrar alimento. A resposta de Jesus muda o papel deles. Em vez de dispensar as pessoas para obter alimento em outro lugar, os discípulos são envolvidos em fornecê-lo.
Os cinco pães e os dois peixes continuam claramente insuficientes como suprimento comum. Jesus abençoa, parte e dá; os discípulos passam o pão à multidão. Mateus não isola o instante preciso em que a quantidade aumenta. A ênfase recai na provisão passando pelas mãos de Jesus e depois pelas deles, até que todos tenham comido e ficado satisfeitos.
Os pedaços recolhidos tornam a abundância mensurável sem transformar sobras em desperdício. Restam doze cestos depois de uma refeição que começou com um suprimento pequeno demais para a tarefa. Mateus também especifica que os cinco mil contam homens à parte das mulheres e crianças, portanto o número não é apresentado como a totalidade dos presentes. O banquete anterior consumiu uma vida; esta reunião sustenta uma multidão.
Percurso versículo por versículo
- Mateus 14:13
Os versículos 3 a 12 são uma volta ao passado, e “Quando Jesus ouviu isso” pode se referir à notícia da morte de João ou às palavras de Herodes de que ele era João ressuscitado. Seja como for, o governante que matou o precursor agora fala de Jesus. A multidão contorna o lago a pé, e Marcos diz que chegou primeiro (Marcos 6:33).
- Mateus 14:14
Marcos diz que, ao desembarcar, Jesus lhes ensinou muitas coisas (Marcos 6:34); Mateus diz que ele “curou os seus doentes”. “saiu” provavelmente significa descer do barco. O plano de solidão é atropelado no momento em que ele chega.
- Mateus 14:15
“a hora já está avançada” quer dizer que é tarde, que já passou a hora da refeição principal. Os “povoados” são os vilarejos de lavradores espalhados pelas colinas. O plano dos discípulos é sensato, até gentil.
- Mateus 14:16
“Eles não precisam ir embora” inverte o próprio verbo dos discípulos. Quando um homem trouxe a Eliseu vinte pães de cevada durante a fome, o profeta mandou dá-los ao povo para que comesse (2 Reis 4:42), e o servo objetou que não davam para cem homens.
- Mateus 14:17
O Evangelho de João diz que os cinco pães eram de cevada e pertenciam a um menino (João 6:9); o pão de cevada era comida de pobre. Os peixes eram provavelmente salgados ou secos, do tipo que as cidades do lago conservavam e vendiam. Mateus os deixa como a magra provisão dos próprios discípulos.
- Mateus 14:18
Quatro palavras no grego. O que os discípulos acham pouco demais é entregue primeiro a Jesus, e só então vai para qualquer outro lugar. A ordem das mãos, dos discípulos para Jesus e de volta, é todo o método da refeição.
- Mateus 14:19
Tomar, abençoar, partir, dar: os mesmos quatro verbos voltam na última ceia (26:26). A bênção judaica sobre o pão louva a Deus, que faz sair o pão da terra, de modo que a ação de graças se dirige ao Pai, não aos pães. A “grama” sugere primavera; João diz que a Páscoa estava próxima (João 6:4).
- Mateus 14:20
Os “pedaços” são porções partidas, e “cestos” é kophinos, o cesto de vime que o satírico romano Juvenal tratava como a bagagem típica de um judeu em viagem. Doze cestos, um para cada um dos doze que tinham dito que não havia o suficiente. A multiplicação de 15:37 usa outra palavra para cesto.
- Mateus 14:21
Só Mateus acrescenta “além de mulheres e crianças”, aqui e de novo em 15:38. A contagem copia o modo como Israel se recenseou no êxodo: cerca de seiscentos mil homens a pé, sem contar as crianças (Êxodo 12:37). Uma refeição no deserto é contada como foi contado o povo do deserto.
Mateus 14:13-21
Bíblia Portuguesa Mundial13Quando Jesus ouviu isso, retirou-se dali num barco para um lugar deserto, à parte. Quando as multidões ouviram isso, seguiram-no a pé desde as cidades.
14Jesus saiu e viu uma grande multidão. Ele teve compaixão dela e curou os seus doentes.
15Ao cair da tarde, os seus discípulos aproximaram-se dele, dizendo: “Este lugar é deserto, e a hora já está avançada. Despeça as multidões, para que possam ir aos povoados e comprar comida para si mesmas.”
16Mas Jesus lhes disse: “Eles não precisam ir embora. Deem-lhes vocês algo para comer.”
17Eles lhe disseram: “Nós só temos aqui cinco pães e dois peixes.”
18Ele disse: “Tragam-nos aqui para mim.”
19Ele ordenou que as multidões se assentassem na grama; e tomando os cinco pães e os dois peixes, e olhando para o céu, ele os abençoou, partiu e deu os pães aos discípulos; e os discípulos deram às multidões.
20Todos comeram e ficaram satisfeitos. Eles recolheram doze cestos cheios dos pedaços que sobraram.
21Os que comeram foram cerca de cinco mil homens, além de mulheres e crianças.
Mateus 14:22-33
A mão o alcança antes de a lição terminar
A tempestade não é resultado de os discípulos terem se desviado do rumo. Jesus os enviou adiante, e o vento contrário os encontra enquanto fazem o que ele mandou. Isso importa quando ele se aproxima sobre a água e eles confundem resgate com perigo. O medo vem antes do reconhecimento. Pedro então pede permissão para ir, de modo que seu primeiro passo sobre a água não é uma proeza particular, mas uma resposta ao "Venha". Sua atenção se desloca para o vento, o medo se segue, e a oração se torna tão curta quanto um homem afundando precisa: "Senhor, salva-me". O Livro de Mateus coloca a mão antes da lição. Jesus imediatamente segura Pedro e só então pergunta sobre sua pouca fé e sua dúvida. A repreensão não funciona como exame de admissão para o resgate. De volta ao barco, o vento cessa e a adoração se segue. Os homens que uma vez perguntaram que tipo de homem comanda mar e vento agora o chamam de Filho de Deus.


Estudo aprofundado
Jesus envia os discípulos adiante e despede a multidão antes de se retirar para orar. A dificuldade deles no mar, portanto, não surge porque ignoraram sua orientação. Quando ele vem em sua direção, a primeira resposta não é reconhecimento, mas terror. Mateus permite que os discípulos confundam seu resgatador com uma ameaça antes que suas palavras o identifiquem.
Pedro pede para ir sobre a água se aquele que fala é de fato Jesus. Seu movimento começa com permissão, e não com uma tentativa independente de demonstrar coragem. O medo entra quando ele atenta para a força do vento, e seu clamor é breve porque afundar deixa pouco espaço para uma introdução. Jesus imediatamente o segura. A repreensão pela pouca fé vem com Pedro já na mão que o resgata, e não como uma condição que precisa satisfazer antes de ser segurado.
O vento cessa depois que entram no barco, e os que estão nele adoram Jesus como Filho de Deus. Sua confissão avança além da pergunta anterior sobre o homem a quem vento e mar obedecem em Mateus 8:27. O reconhecimento cresceu, embora a experiência de Pedro mostre como reconhecimento e instabilidade podem prontamente ocupar o mesmo discípulo.
Percurso versículo por versículo
- Mateus 14:22
“fez com que” traduz um verbo forte: obrigou, fez ir. O Evangelho de João dá um motivo: a multidão queria levá-lo à força para fazê-lo rei (João 6:15). Jesus trata pessoalmente da multidão e manda os doze para longe dela primeiro.
- Mateus 14:23
Mateus ainda não mostrou Jesus orando longamente a sós; a próxima vez será no Getsêmani (26:36–44). Ele sobe ao monte sozinho, como Moisés subia sozinho. A tarde cai sobre um homem sozinho e um barco sozinho.
- Mateus 14:24
Muitos manuscritos trazem a muitos estádios da terra em lugar de “no meio do mar”. “açoitado” é basanizo, atormentado, a palavra usada para o servo do centurião que sofria terrivelmente (8:6). O vento é contrário e eles não avançam.
- Mateus 14:25
Os romanos dividiam a noite em quatro vigílias; a “quarta vigília” ia de cerca de três às seis da manhã. Os discípulos tinham remado quase a noite inteira. Jó 9:8 diz que só Deus anda sobre as ondas do mar.
- Mateus 14:26
“fantasma” é phantasma, aparição, a palavra por trás do nosso termo. Pescadores que conheciam o lago à noite gritam diante do que veem. “apavorados” quer dizer abalados, lançados em confusão.
- Mateus 14:27
“Sou eu” é literalmente eu sou, as palavras que Deus usa sobre si mesmo no grego de Êxodo 3:14 e de Isaías 43:10. Isaías 51:12 as junta ao consolo, com Deus dizendo que é ele mesmo quem consola. Três frases curtas, e a do meio nomeia quem fala.
- Mateus 14:28
Só Mateus registra Pedro saindo do barco. Ele não pede licença para tentar; pede uma ordem: “mande-me ir”. O seu “se” é o raciocínio de um homem que sabe que uma palavra de Jesus basta para andar sobre a água.
- Mateus 14:29
“Venha!” é uma só palavra no grego. O verbo para Pedro andando é o mesmo usado para Jesus no versículo 25. Por alguns passos o pescador faz o que só o SENHOR faz em Jó 9:8.
- Mateus 14:30
Alguns manuscritos importantes dizem só o vento, sem “forte”. “começando a afundar” é um verbo de ser mergulhado no mar, usado em 18:6 para a pedra de moinho e as profundezas. O grito está perto do Salmo 69:1–2, em que o salmista pede que Deus o salve porque as águas lhe chegaram à alma e ele afunda no lodo.
- Mateus 14:31
“duvidou” é distazo, vacilar, estar dividido, literalmente ficar em dois lugares. O Novo Testamento só o usa aqui e em 28:17, onde alguns dos onze duvidam no monte enquanto adoram. “segurou-o” quer dizer agarrou com firmeza.
- Mateus 14:32
“cessou” é o verbo de cansar-se, de se acalmar até o repouso. Desta vez não há repreensão ao vento, como em 8:26; ele simplesmente cai quando eles sobem a bordo. Marcos e João nem mencionam Pedro.
- Mateus 14:33
É a primeira vez que discípulos chamam Jesus de “o Filho de Deus”, título até aqui dito pela voz do céu, pelo diabo (4:3) e por demônios (8:29). Marcos termina a mesma cena de outro modo, dizendo que o coração deles estava endurecido (Marcos 6:52).
Mateus 14:22-33
Bíblia Portuguesa Mundial22Imediatamente Jesus fez com que os discípulos entrassem no barco e fossem adiante dele para o outro lado, enquanto ele despedia as multidões.
23Depois de despedir as multidões, ele subiu ao monte, à parte, para orar. Ao cair da tarde, ele estava ali sozinho.
24Mas o barco já estava no meio do mar, açoitado pelas ondas, pois o vento era contrário.
25Na quarta vigília da noite, Jesus foi até eles, andando sobre o mar.
26Quando os discípulos o viram andando sobre o mar, ficaram apavorados, dizendo: “É um fantasma!” e gritaram de medo.
27Mas imediatamente Jesus falou com eles, dizendo: “Coragem! Sou eu! Não tenham medo.”
28Pedro lhe respondeu e disse: “Senhor, se é você, mande-me ir até você sobre as águas.”
29Ele disse: “Venha!” Pedro desceu do barco e andou sobre as águas para ir até Jesus.
30Mas, quando viu que o vento era forte, teve medo e, começando a afundar, gritou, dizendo: “Senhor, salva-me!”
31Imediatamente Jesus estendeu a mão, segurou-o e lhe disse: “Homem de pouca fé, por que você duvidou?”
32Quando eles subiram no barco, o vento cessou.
33Os que estavam no barco vieram e o adoraram, dizendo: “Verdadeiramente você é o Filho de Deus!”
Mateus 14:34-36
O reconhecimento se espalha pela margem
Genesaré dá ao capítulo um pouso tranquilo depois de uma prisão, uma multidão no deserto e uma tempestade. Os homens do lugar reconhecem Jesus e imediatamente transformam o reconhecimento em movimento. Eles mandam avisar por toda a região ao redor, reúnem os doentes e os trazem a ele. O Livro de Mateus não descreve um debate sobre se os relatos são exagerados ou se alguém de uma região conhecida pode ser mais do que se espera. O conhecimento produz ação. O pedido deles de tocar a orla de sua veste lembra a mulher anterior que buscou o mesmo contato, mas agora o encontro se ampliou de uma pessoa para muitas. A veste nunca é tratada como objeto mágico com poder independente. O que importa é a proximidade de Jesus, e o resultado é declarado sem qualificação: os que tocam ficam curados. O capítulo mostrou pessoas lendo mal o poder, temendo-o, usando-o mal e finalmente buscando-o corretamente. Ele se encerra não com espetáculo, mas com doentes sendo carregados até ali e saindo restaurados.

Estudo aprofundado
A cena final do capítulo é breve, mas sua recepção contrasta intensamente com o medo no barco e com a ofensa de Nazaré no capítulo anterior. Aqui o reconhecimento provoca uma resposta prática: as pessoas enviam mensageiros pela região ao redor e trazem os doentes. O conhecimento de Jesus se torna movimento em direção a ele, em vez de argumento para mantê-lo dentro de limites familiares.
O pedido de tocar a orla de sua roupa recorda a mulher em Mateus 9:20–22. Mateus agora amplia esse tipo de encontro de uma pessoa para um grupo maior e relata a completude das curas. A roupa não é apresentada como fonte independente de poder nem como objeto transferível com propriedades próprias. Sua importância está no contato com Jesus. Depois de um capítulo que contém uma execução, uma multidão faminta e um barco em perigo, essas linhas finais deixam o relato repousar na restauração. As pessoas que precisaram ser trazidas a ele não são descritas como saindo na mesma condição.
Percurso versículo por versículo
- Mateus 14:34
Genesaré é a planície fértil da margem noroeste, ao sul de Cafarnaum; Lucas chama o próprio lago de lago de Genesaré (Lucas 5:1). Josefo a elogiava como lugar onde nogueira, palmeira, figueira e oliveira cresciam juntas, e havia uvas e figos dez meses por ano.
- Mateus 14:35
O reconhecimento vira uma corrente: mensageiros saem, e os doentes chegam de toda a região. “o reconheceram” significa que o reconheceram à primeira vista, o que sugere que seu rosto era conhecido muito além de Cafarnaum.
- Mateus 14:36
“ficaram curados” traduz um composto do verbo salvar, que significa levados a salvo até o fim; Atos o usa para os companheiros de viagem de Paulo que chegaram todos salvos à terra (Atos 27:44). Depois de uma noite no mar, o capítulo termina com uma palavra de chegar a salvo à praia.
Mateus 14:34-36
Bíblia Portuguesa Mundial34Depois de atravessarem, chegaram à terra de Genesaré.
35Quando os moradores daquele lugar o reconheceram, mandaram avisar por toda aquela região ao redor e trouxeram-lhe todos os que estavam doentes;
36e imploravam-lhe que pudessem apenas tocar na orla do seu manto. E todos os que a tocaram ficaram curados.
Questões para manter em mente durante a leitura
- Observe o que Jesus diz e faz e como as pessoas respondem.
- Acompanhe reino, discipulado, oposição, cruz e ressurreição na sequência do evangelista.
- Deixe a doutrina posterior esclarecer a cena sem apagar seu contexto imediato.
Primeiro o texto
Onde os leitores divergem
O resumo começa com o que a passagem diz e como suas partes se relacionam. Ele não presume que uma denominação já resolveu todas as questões. A dependência de uma tradição, teoria literária ou reconstrução histórica é claramente identificada.
O texto bíblico aparece primeiro. As conclusões interpretativas são identificadas, e as diferenças surgem quando ajudam a explicar por que comunidades sérias nem sempre chegam à mesma resposta.
As notas interpretativas comparativas deste capítulo estão em preparação. Até que as notas revisadas estejam prontas, esta página separa o texto bíblico do resumo e da aplicação sem afirmar que leitores responsáveis concordam em todas as questões.
Questões sob a superfície
- Que parte de Mateus 14 faz você parar, se sentir desconfortável ou se surpreender, e por quê?
- Que detalhe da passagem seria fácil ignorar? Como esse detalhe muda sua compreensão?
- Onde você percebe tensão entre o que acontece e este foco: Mateus 14?
- Que pergunta importante a passagem deixa aberta em vez de resolver rapidamente?
Perguntas para uma reflexão pessoal séria
Estas perguntas são intencionalmente abertas. Permaneça com a tensão da passagem, responda com honestidade e volte à Escritura antes de chegar a uma conclusão.
Observe sem pressa
Que parte de Mateus 14 faz você parar, se sentir desconfortável ou se surpreender, e por quê?
Que detalhe da passagem seria fácil ignorar? Como esse detalhe muda sua compreensão?
Onde você percebe tensão entre o que acontece e este foco: Descendo do monte as palavras vão para o trabalho. Um leproso é tocado, um centurião diz dize somente uma palavra, uma tempestade é mandada calar, e uma menina que já foi pranteada é tomada pela mão e mandada levantar.?
Que pergunta importante a passagem deixa aberta em vez de resolver rapidamente?
Examine seu interior com honestidade
Com qual pessoa, resposta, medo ou desejo da passagem você mais se identifica neste momento?
Que suposição sua sobre Deus, outras pessoas ou você mesmo este texto desafia?
Que parte você preferiria suavizar, evitar ou explicar depressa demais? O que essa reação pode revelar?
Se esta Escritura pudesse fazer uma pergunta direta a você, qual seria?
Responda com sabedoria e coragem
O que você precisa lembrar, confessar, lamentar, agradecer ou confiar depois de ler esta passagem?
Como outra pessoa fiel poderia ler esta situação de modo diferente sem ignorar o texto?
Que resposta obediente seria difícil, desconfortável ou lenta, mas ainda fiel à Escritura?
Que pergunta você levará à oração nesta semana e quais versículos manterá diante de si?
Ouça e assista junto com a passagem
Ainda não há mídia exata catalogada para esta passagem. O relatório de conciliação conectará novos materiais quando estiverem disponíveis.


